26/04/2007

Chega de Elis Regina!

Chega de Elis Regina!

Ai, ai... Mexer num vespeiro do tamanho da adoração dedicada à assim chamada Maior Cantora do País pode acabar em ferroadas vindas de todos os lados. Ainda mais num ano em que se comemoram 25 anos de sua partida e a Globo promete uma minissérie biográfica. Ciente do risco assumido, respiro fundo e prossigo.

Que fique bem claro, a intenção deste post não é detonar Elis Regina, como se ela não tivesse sido uma grande artista. Ela era. Elis era fenomenal, na verdade, com uma voz poderosa e educada. Minha bronca com ela é que, ainda que sem intenção ou controle - afinal, ela bateu as botas cedo demais - Elis criou uma desagradável escola de maneirismos irritantes, levadas a ferro e fogo por dezenas de aspirantes a cantoras.

Sabe aquele jeito dela, de cantar sorrindo, franzindo a testa e exibindo a gengiva, balançando os ombros e olhando por cima de um deles? Virou escola. Sabe a interpretação "intensa", aquela declamação furiosa, do tipo "Como Nossos Pais"? Virou escola. Sabe quando ela canta de olhos fechados, passando a mão nos cabelos, lânguida que só, em notas mais contidas? Virou escola. Sabe aquela música horrorosa que a Rita Lee escreveu, "Alô Alô Marciano", em que ela exacerbava todos os cacoetes descritos no começo deste parágrafo e ainda adicionava insuportáveis gracejos vocais? Virou escola, também, P*Q*P*!!!

Em programas de calouros, como o do Raul Gil, ou em reality shows, tipo o Ídolos, quando aparecem candidatas metidas a Elis, é um suplício - mesmo quando elas cantam bem, porque, em certos momentos, parece que só falta aquela tarja dos programas anunciar: "agora ela está imitando Elis". Quando é criança, então, em mudo logo de canal, pois não tem coisa mais feia e chata do que meninas que nem têm pêlos pubianos cantando aquelas músicas de mulher rodada, tentando impressionar jurados que acham "lindo" qualquer coisa que criança faça - e criança-prodígio, convenhamos, é a morte!

Nada disso, enfim, é culpa da pobre Elis, que cheirou a própria vida até o fim e hoje é representada por uma filha (Maria Rita) cujo trabalho (ou seria a apreciação deste?) é pura nostalgia necrofílica. A sombra da mamãe é grande demais, fica difícil para a pobre Ritinha tentar um pouquinho de sol e ar fresco - se for isto o que ela procura, claro.

Claro, é bem pior quando as meninas deixam de imitar Elis para imitar a Pitty... ou a Carla Perez, que nem cantora é. Mas, o fato é este: eu não agüento mais ver Elis encarnando, não raramente a pulso, nestas pretensas cantoras que pipocam por aí. Garotas, eu gostaria de vê-las tentando algo novo! Quando vamos ter uma mulher que mova multidões? Marisa Monte não vale, pois já tem 20 anos de carreira e paira acima de nossas cabeças, em um castelo do qual só sai para fazer shows com ingressos acima de 100 reais. Também peço que passem longe da linha Cássia Eller e/ou Ana Carolina, pois qualquer um que tente imitá-las só consegue ficar ridícula.

Poucas semanas atrás, a Veja saiu com uma reportagem em que fala do grande número e do grande sucesso das cantoras nacionais, mas, verdade seja dita: para quem não vive no eixo Rio-São Paulo, a maioria daqueles nomes não tem ressonância alguma. Neguinha pode ser um grande sucesso undeground (sic) a vida inteira! Quero ver emplacar no Faustão ou no Sílvio Santos, onde o povão pára pra ver e ouvir. Até lá, seremos reféns dos clones da Pimentinha.

Até a própria, lá de onde estiver, deve concordar comigo: chega de Elis!

24/04/2007

O tamanho do problema

O tamanho do problema

O puritanismo americano não tem limites. Na falta de um assunto melhor, alguns blogs e sites americanos estão preocupadíssimos com as dimensões do órgão "genival" desenhado por Alex Ross para o personagem Citizen Steel (será que vai ser Gládio novamente, aqui no Brasil?), na capa de Justice Society Of America 7. Clique no "detalhe" acima para ver a capa inteira. Tire as crianças da sala, primeiro! Brincadeira... não precisa, não.

A celeuma não tem razão de ser, por um motivo muito simples: homem TEM pinto! Sempre pareceu meio ridículo, na verdade, que os heróis tivessem uma espécie de "capô de Fusca" entre as pernas, quando isso não é lá uma coisa muito masculina, condizente com tanta massa muscular. Claro, ninguém aqui quer ter o desprazer de, um dia, abrir um gibi e dar de cara com uma ereção por baixo da famosa cueca por cima da calça, mas, já que alguns artistas parecem tão esmerados na composição anatômica dos heróis, por que privá-los de seus "documentos"?

Aliás, a JSA é reincidente: em Liga da Justiça 6 (Panini, Maio/03), há um verdadeiro "encontro de titãs" entre Gavião Negro e Sr. Incrível, desenhado por Stephen Sadowski, na página 55, canto superior direito. Não me lembro, porém, de uma polêmica semelhante, à época. Tire suas dúvidas com a imagem abaixo.


20/04/2007

Rapidinhas

Rapidinhas

- Caros leitores
, vocês deveriam estar vendo à direita o banner de divulgação do Catapop e dois outros de acesso aos links de download dos mp3 de Guillemots e Spanky Wilson (veja o post logo abaixo), postados dias atrás, mas, o Blogger está com problemas no upload de imagens. Paciência, por favor.

- A Panini Comics
e a distribuidora Chinaglia não se emendam. Depois de um histórico mês de março, em que os atrasos de janeiro e fevereiro foram devidamente corrigidos, a coisa já desandou novamente. Somente na próxima semana começam a chegar os títulos de abril, a poucos dias para o fim do mês. Pelo jeito, teremos um maio daqueles, com orçamento estourado pelo acúmulo de gibis.

- O encadernado dos Supremos,
contendo o primeiro arco de Millar e Hitch, vai custar absurdos R$ 84,90, em sua versão capa dura. A de capa cartonada deve custar em torno de R$ 60. A desculpa para o preço abusivo é a baixa tiragem. Ora, para que fazer uma tiragem pequena de um item pelo qual leitores de todo o Brasil vêm salivando há tempos? Qualquer jumento na pré-escola sabe que vai vender feito pão quentinho. Ah, as belezas do monopólio...

13/04/2007

O Google tá de sacanagem...

O Google tá de sacanagem...

Vocês já conhecem os novos serviços do Google? O Google TiSP é um serviço de Internet que utiliza a tubulação de esgoto para passar a fiação:


O Google Paper é um serviço gratuito, através do qual você pode imprimir quantas páginas quiser, que o Google entrega na sua casa. A empresa lucra com a propaganda colocada no verso das folhas:



Parece mentira... e é mesmo! E o pior é que teve gente que acreditou...

Clique nas imagens para saber mais sobre as pegadinhas do Google.

10/04/2007

Timbaland é "O Cara"

Timbaland é "O Cara"

O trono de "Thriller do século 21" pode ser tranqüilamente dividido entre dois discos de 2006: Futuresex/Lovesounds, de Justin Timberlake, de onde se ouvem as impecáveis "SexyBack" e "My Love", entre outros balanços infalíveis; e Loose, de Nelly Furtado, que fez daquela portuguesinha riponga de "I'm Like A Bird" um mulherão fatal, cantando músicas com títulos singelos como "Promiscuous", "Maneater".


Claro, nenhum deles vendeu tanto quanto a obra-prima de Michael Jackson, produzida por Quincy Jones, cujos números ficaram bem acima dos 40 milhões de cópias! No entanto, ambos chamaram a atenção do mundo para o nome de seu produtor, Timbaland, um sábio pop que dosa modernidade e nostalgia, temperando o pancadão do onipresente R&B com timbres que parecem saídos do teclados oitentistas.


Na esperança de que o tal "Thriller do século 21" também seja seu, o decadente Michael Jackson já convocou os serviços de Timbaland para a difícil tarefa de reconduzi-lo ao Olimpo pop - ainda que difícil mesmo seja acreditar que alguém realmente queira ouvir novas músicas de Michael Jackson.

Menos desesperada, ainda gozando de bastante prestígio, Madonna dá continuidade à correção de rumo iniciada com Confessions On A Dance Floor (2006), depois das bizarrices de American Life (2004). O novo disco da Sra. Guy Ritchie sai ainda este ano.

08/04/2007

DC Apresenta 2

DC Apresenta 2
Crise Infinita Especial, Vol. 1

Este especial é uma grata surpresa, pois saiu bem melhor do que as séries correspondentes, Guerra Rann-Thanagar e Dia de Vingança, que compunham a Contagem Regressiva Para Crise Infinita - justamente as duas mais fracas do pacote.

Já com a Crise Infinita a todo vapor, o novo front da Guerra Rann-Thanagar é a fenda dimensional que se tornou o centro do universo, obra do Lex Luthor da Terra 3 e do Superboy Primordial, com o propósito de restabelecer o multiverso. Uma frágil paz mantêm rannianos e thanagarianos como aliados, mas, não falta quem queira ver o circo pegar fogo, em especial Estrela Negra, irmã de Estelar.

Durante a batalha, uma personagem querida dos leitores perde sua vida e Kyle Rayner ganha um (nem tão) novo papel. Sem a obrigação de desenvolver muitas subtramas, Dave Gibbons escreveu sem aquela prolixidade da Contagem e Ivan Reis, novamente, mostrou um estilo adequado a sagas espaciais. Nota 8,0.

Em Gotham City, os eventos do Dia de Vingança continuam com a busca do Pacto das Sombras e de vários outros heróis místicos pelos destroços da Pedra da Eternidade, que explodiu durante a briga entre o Espectro e o Mago Shazam, que resultou na morte deste último e na libertação dos Sete Pecados Mortais. Além disso, Nabu (o Lorde da Ordem que orienta e atormenta o Senhor Destino) tenta uma cartada desesperada e suicida para pôr fim à loucura do Espectro.

A reconstrução da Pedra coloca o Capitão Marvel em uma nova e inesperada função, enquanto Sombra da Noite é capturada por Luthor, por ser originalmente de uma das Terras deletadas na primeira Crise. Bill Willingham é especialmente feliz no confronto entre Nabu e Espectro, mas, também acerta ao injetar humor na captura dos Pecados. Os desenhos de Justiniano não enchem os olhos, mas, são agradáveis e eficientes. Nota 8,5.

DC Apresenta 2 (Março 2007) - Panini - 84 páginas - R$ 6,50.

06/04/2007

300

300

"Já vi espadas bem maiores que a sua, Leônidas, querido!"

Nada como duas horas de violência insana para fazer a gente sair do cinema com um sorriso de orelha a orelha. 300 é um filme masculino, embora não exatamente para "machos", já que, em vários momentos, dá para desconfiar de tanta camaradagem espartana. Além disso, com 99,5% do elenco formado por homens, o ambiente não é mesmo para sutilezas.

Tendo lido a graphic novel de Frank Miller ou não, a gente se diverte um bocado com 300, já que o diretor Zack Snyder criou um espetáculo visualmente impactante, e empolgante do ponto-de-vista da ação (apesar do excesso de câmera lenta). A história, você já conhece: para impedir o avanço do império de Xerxes (Rodrigo Santoro), 300 espartanos liderados por seu rei, Leônidas (Gerard Butler), emboscam - e derrotam - dezenas de milhares de soldados, em um estreito desfiladeiro chamado Termópilas.

Bah! Que importa a história? Todos nós entramos no cinema com uma coisa em mente: arregalar os olhos e babar sadicamente, com um dos banhos de sangue mais legais do cinema recente. O que a gente queria mesmo era ver decapitações estilosas, flechadas no olho e coisas igualmente cândidas, que o filme, felizmente, tem de sobra.

À única mulher do filme, a rainha Gorgo (Lena Headley), sobra a missão de tentar comover o parlamento espartano a enviar soldados para a resistência. Para tanto, ela lança mão de um recurso "desesperado", na ausência do marido. Sei, sei... O que não se faz por "amor", né? Abre o olho, Leônidas! Tudo que ela consegue é nos deixar impacientes, querendo ver mais sangue jorrando na areia, e logo!

O melhor de tudo é que, apesar do coração de ogro mau e sujo em seu peito, 300 é um filme tão bem realizado que a gente nem repara muito em defeitos, como o humor involuntário de algumas passagens ("não é bem o meu chicote que eles temem", diz o enooorme Xerxes, às costas de Leônidas), e pequenas alterações no caráter do rei espartano, afim de deixá-lo "bonzinho" - pelo menos, tanto quanto possível. Nota 9,0.

03/04/2007

Troféu Catapop 2007

Troféu Catapop 2007

Ufa! Finalmente saiu o resultado dos Melhores de 2006, de acordo com os visitantes deste blog. Como já demorou bem mais do que a gente gostaria, não vamos aborrecer ninguém explicando os motivos. Basta saber que a gente agradece imensamente aos que participaram desta votação, prometendo mais agilidade na edição 2008. Vamos aos vencedores!


MELHOR REVISTA MENSAL
1º Lugar - Demolidor

Bi-campeão! Brian Bendis escreveu uma fase unanimemente elogiada e entrou para a história do personagem. Já há quem cobre encadernados, na linha Maiores Clássicos!
2º Lugar - Liga da Justiça


MELHOR SAGA
1º Lugar - "Perigo" (Surpreendentes X-Men)

Há quem não goste de Surpreendentes X-Men? Se há, não deve ser gente deste planeta. Uma autêntica aula de como fazer um gibi, sem excessos ou invencionismos.
2º Lugar - "Sacrifício" (Superman e Mulher-Maravilha)


MELHOR ROTEIRISTA
1º Lugar - Brian Bendis e Geoff Johns

O da Marvel, um cobra dos diálogos afiados, incansáveis e surpreendentes. O da DC, um gênio descomplicador de cronologias, com total senso de aventura. Só podia mesmo dar empate.
3º Lugar - Darwyn Cooke e Joss Whedon


MELHOR ARTISTA
1º Lugar - Alex Maleev e John Cassaday

Quase só deu Marvel nesta categoria. Também, com um timaço de feras assim, fica difícil competir. Melhor sorte para a DC na eleição de 2008, pois um Alex Ross sozinho não faz verão!
3º Lugar - Alex Ross, Bryan Hitch, Greg Land e Steve McNiven


MELHOR CAPA
1º Lugar - Liga da Justiça 44

Apesar dos resultados na categoria "Melhor Artista", até os marvetes mais roxos acabaram curvando-se à simplicidade genial de Alex Ross. Uma capa para se emoldurar!
2º Lugar - Demolidor 30 (aquela lá de cima!)


MELHOR ESPECIAL OU MINISSÉRIE
1º Lugar - DC: A Nova Fronteira

Por apenas um voto, não tivemos uma unanimidade. A Nova Fronteira está para o nascimento do Universo DC, assim como Reino do Amanhã está para o fim. Obra-prima é pouco!
2º Lugar - Dinastia M


MELHOR RELANÇAMENTO
1º Lugar - Grandes Clássicos DC 9

A compilação das histórias de Alan Moore para a DC Comics foi insistentemente pedida, ansiosamente aguardada e avidamente consumida pelos leitores, apesar do alto preço. Coisas de gênio.
2º Lugar - GCDC 6 e 7 (Lanterna Verde & Arqueiro Verde) e A Saga da Fênix Negra (X-Men)


MELHOR FILME NERD
1º Lugar - V de Vingança

Nestes tempos de imediatismo e apatia, não é de estranhar que um filme que exalta o esquecido poder de mudança da sociedade mobilizada tenha tocado o adormecido coração dos nerds brazucas.
2º Lugar - X-Men - O Confronto Final


FIASCO DO ANO
1º Lugar - MTV Brasil, agora sem clipes
Totalmente desvirtuado da proposta original, este canal precisa arrumar um novo significado para seu M, já que "music" é o que menos há nele. Que tal "molóide" ou "mentecapto"?
2º Lugar - Jeph Loeb escrevendo Os Supremos, com Joe Madureira e Ed McGuinness nos desenhos.