22/06/2007

Rapidinhas

Rapidinhas

A Bizz está com um pé na cova e outro no sabonete, mais uma vez. Infelizmente, a gestão do editor Ricardo Alexandre parece não ter sido das mais felizes, as vendas despencaram e a edição 215 será a última sob sua responsabilidade. Para aliviar nossa apreensão, haverá uma edição de agosto (pelo menos, é o que se diz no Orkut), com outro editor. A partir daí, só Deus sabe.

A Devir lançou Um Contrato Com Deus, em luxuosa edição com capa dura e o habitual preço extorsivo de seus lançamentos. É a minha chance de tapar o imensurável “buraco” de nunca ter lido Will Eisner, o homem que inventou a graphic novel (justamente com esta história!) e cujo sobrenome batiza o mais importante prêmio para os melhores da Nona Arte nos EUA.

Só assisti ao primeiro capítulo da minissérie A Pedra do Reino, que a Globo exibiu entre os dias 12 e 16 deste mês. Não entendi nada, mas, achei maravilhoso. A história era indecifrável (dizem que até mesmo alguns intelectuais ficaram embananados), mas, as interpretações eram ótimas, as cenas de violência eram carregadas de sangrenta tensão, e a direção de arte estava muito à frente de tudo que é feito hoje na televisão. Foi confuso, mas, revolucionário.

Aproveite a fartura de artigos, pois estou de saída para curtas férias de São João e, se eu não der notícias do front junino, só nos veremos na primeira semana de Julho. Abraço a todos!

Justiça 1

Justiça 1

Está vendo que a Chinaglia trabalha até direitinho, quando quer? Exatos três meses depois de seu lançamento em SP e RJ, Justiça chega às regiões setorizadas – e a espera valeu a pena!

Na maxissérie, definida como “os Superamigos levados a sério”, vários vilões estão tendo sonhos sobre o fracasso da LJA em deter uma ameaça nuclear, que causa a literal destruição do planeta. Interpretando tudo da sua costumeira maneira distorcida, os bandidos decidem reunir-se para acabar com a Liga e assumir a tarefa e o crédito de salvar o mundo. A primeira vítima é Aquaman, capturado pelo Arraia Negra com ajuda de quem menos Arthur poderia esperar uma traição. É a gênese da Legião do Mal.

Um mistério para mim chegou ao fim nesta edição: eu não me lembrava de ter visto antes o Arraia Negra sem máscara, ou mesmo qualquer detalhes sobre sua origem e suas motivações, confusão desfeita pelos “arquivos da Batcaverna”, ao fim da revista. Além dele, há históricos do Aquaman e de Lex Luthor. Entre as boas sacadas, a forma encontrada para lembrar ao leitor que a Mulher-Maravilha nasceu do barro.

A DC poderia dar mais atenção a lampejos de criatividade como Justiça, para ver que essa mania de ficar rearranjando continuidades e promovendo crises (sem originalidade sequer nos nomes) não é o melhor caminho para cativar o leitor. O que a gente gosta é de ver gente apaixonada pelos personagens, escrevendo e desenhando com tesão. Alex Ross divide o argumento com Jim Krueger e pinta sobre o traço de Doug Braithwaite. O resultado revitaliza a Era de Prata para o século 21. Nota 9,0.

Justiça 1 (de 12) - Panini - 36 páginas em LWC - R$ 4,90

Guia do meu desgosto

Guia do meu desgosto

Há consenso em boa parte das listas de “melhores de todos os tempos” espalhadas por aí, em diversas categorias: filmes, discos, livros, gibis... Para minha vergonha e por diferentes motivos, que vão da falta de oportunidade à falta de coragem, eu tenho me mantido afastado de certas “vacas sagradas” da produção artística popular. Separei alguns itens que se apresentam como graves lacunas em meu currículo de apreciador da cultura pop.

CIDADÃO KANE – Ele já existe em DVD há algum tempo, mas, ainda não pude (ou não quis, sei lá) dedicar meu precioso tempo ao provável Maior Filme da História. Vai ver, é medo de ficar boiando na célebre cena do Rosebud...

CASABLANCA – O único rival de Cidadão Kane no olimpo da preferência dos cinéfilos me fez brochar quando eu li, em algum lugar, que o famoso “play it again, Sam” não existe no filme! Alguém me confirme isso, por favor!

NOUVELLE VAGUE – De filmes dessas safras, eu passo longe porque tenho a inequívoca sensação de que são um porre! Como não sou amigo do Rubens Ewald Filho, não tenho a menor pretensão de fazer cara de paisagem ao terminar de assistir um filme que não entendi e dizer, “achei...profundo”.

FELLINI – Seus filmes parecem divertidos, e ainda pretendo dar uma espiada . Mas, se em algum deles a Sophia Loren levantar um envelope e gritar, “Roberto!”, eu meto o pé na TV!

WILL EISNER – Morrer sem ter lido nada deste homem é garantia de virar churrasco no espeto do Satrifo! Uma boa chance de redenção se apresenta, com o relançamento de Um Contrato Com Deus, pela Devir.

IMAGE COMICS – Nunca senti a mínima vontade de ler Savage Dragon, Youngblood, Cyberforce e outras nulidades, inventadas por “talentos” do calibre de Rob Liefeld. Clones cabeludos e mal-disfarçados do Wolverine e do Cable? Não, obrigado. Esta não é uma falha tão grande, afinal.

PAUL McCARTNEY – O trabalho solo de John Lennon era ora genial, ora maçante. O fino do fino já foi reunido dezenas de vezes, naquelas previsíveis coletâneas lançadas de tempos em tempos. Com Macca, o caso é mais sério: não conheço nada do ex-Beatle, exceto a xaropada “No More Lonely Nights”! Se conheço algo de ouvido, não sei que é dele! Vergonha, vergonha!

LED ZEPPELLIN – Não dá mesmo pra dizer que sou um ledmaníaco, quando meu repertório de chuveiro limita-se a trechos de “Immigrant Song”, “D’yer Mak’er” e “Stairway To Heaven”.

BRUCE SPRINGSTEEN – Tudo que sei é que ele canta “Born In The USA”, “Streets Of Philadelphia” e escreveu duas outras canções que adoro, “Because The Night” (que conheci no MTV Unplugged do 10,000 Maniacs) e “Fire” (com Des’ree e Babyface), além de uma polêmica entre ele e George Michael, circa 1985, sobre quem tinha a bunda mais gostosa (uia...)

AS BANDAS BRASILEIRAS QUE APARECIAM NA BIZZ – Certos nomes não saíam das páginas da Bizz (e, sabe Deus se por sorte ou por azar nosso, nem de lá para qualquer outro lugar): Fellini, Vzyadoq Moe, Violeta de Outono, Angélica (Não Mora Mais Aqui), Cabine C, Muzak... Por que ninguém chama esse pessoal pra animar a Festa Ploc? Ingratidão!

19/06/2007

DC Especial 12

DC Especial 12
Gavião Negro, Vol. 3

Esta edição bateu recordes de atraso, tanto em publicação quanto em redistribuição às praças setorizadas: é datada de dezembro, mas, chegou às bancas de RJ e SP no início de fevereiro e só agora, quatro meses depois, chega à “segunda divisão” de leitores. Mas, reclamar para que? A Panini continua fingindo que a porcaria de trabalho que a Chinaglia faz na distribuição de seu material não é problema dela!

Mas, até que a raiva diminui um pouco, quando vemos que este é o mais interessante dos três encadernados dedicados ao Gavião, com três aventuras distintas, bastante atrasadas em relação ao atual ponto cronológico da DC. Em “Matadores” (desenhos de Ethan Van Sciver e Don Kramer), o passado da Mulher-Gavião vem à tona – e não estamos falando de reencarnação! O Fantasma Fidalgo aparece para lembrar aos Gaviões do sangue em suas mãos, e a tragédia volta a assombrá-los. Nota 8,0.

Em “Thanagariana”, com arte de Rags Morales, Shayera Thal (morta recentemente, durante a Guerra Rann-Thanagar) vem à Terra saber o que aconteceu a Katar Hol durante a fusão (confusão?) dos Gaviões durante a já longínqua Zero Hora. No processo, ela enfrenta um velho inimigo. Aventura bonita e movimentada, com participação do Homem-Animal. Nota 9,0.

“Linhagem” mostra Carter Hall em busca dos vestígios de uma de suas antigas encarnações, numa cidadezinha alemã. José Luis García-Lopez é o artista deste one-shot voltado mais ao humano que ao heróico. Nota 9,0.

O argumento é de Geoff Johns, no topo de sua forma, antes do excesso de revistas sob sua responsabilidade e da pressão de comandar a gigantesca Crise Infinita. Excelente edição. O Gavião voltará ao DC Especial, pela última vez, na edição 15 (setembro em SP e RJ).

BIzz 214

Bizz 214

Se há algo que incomoda na Bizz desde seu retorno, são as sucessivas mudanças de estrutura física. O papel vagabundo foi descartado, retomado, descartado de novo, e agora é a lombada quadrada que perdemos. Uma pena, pois ela deixava a coleção mais bonita na estante e dava um ar mais chique à revista. O bom conteúdo compensa um perrengue assim, mas, que é chato, isso é.

A capa é bastante bonita, mas, parece que qualquer reaproveitamento da célebre capa de Sgt, Pepper’s Lonely Hearts Club Band, mesmo bem-feito como este (engrandecido com justiça no editorial), deixa na gente aquela sensação de “já vi isso antes”. Mas, não dá para reclamar; afinal, exceto por John Lennon, em setembro do ano passado, e por um especial lançado durante o período de “hibernação” da revista, a Bizz nunca havia dado capa aos Beatles. Uma injustiça histórica, agora corrigida.

Os depoimentos de artistas e produtores brasileiros sobre o impacto de Sgt. Pepper’s em suas vidas e carreiras são acompanhados de boxes com detalhes sobre a gravação, as possíveis origens da icônica capa e outras informações interessantes. Um belo trabalho a 28 mãos.

O outro grande destaque da edição é a entrevista com Emílio Surita, radialista e comandante do Pânico Na TV. Articulado e inteligente, Emílio concedeu uma das melhores entrevistas da nova fase da Bizz, na qual não esconde seu receio em trabalhar com canais maiores ou ceder à tentação de ampliar a franquia para o cinema. Para alguém que, depois de cerca de 20 anos limitado a programas de clipes e televendas, passou a líder de audiência, o cara é de um surpreendente pé-no-chão.

A maconheira cobertura do Abril Pro Rock, o hilário teste dos “gênios” metaleiros, e os artigos de Ruy Goiaba (sobre a “autenticidade” no meio pop) e André Forastieri (sobre o fim da mídia como a conhecíamos) são outros atrativos da edição, que ficou devendo uma matéria crítica à injustificável censura do “rei” da música brasileira à biografia Roberto Carlos em Detalhes, um gesto de infantil prepotência que a Bizz não pode deixar passar em branco.

A Discoteca Básica homenageia Leo Jaime, cujo Sessão da Tarde (1985), um sacolão de hits, é devidamente reconhecido e dissecado por Fábio Bianchini.

E se a onda é comemorar efemérides, espero que entre na pauta da revista o aniversário de 20 anos do fim dos Smiths, uma das poucas grandes bandas que acabou de verdade e jamais fez uso leviano de seu legado, sendo que Morrissey segue em carreira solo estável e prolífica, sem qualquer ranço de saudosismo. Um caso raro e um belo exemplo, que poderia render uma senhora matéria, com direito a capa e entrevista exclusiva com o topetudo frontman.

15/06/2007

De pernas abertas

De pernas abertas

Antes de qualquer coisa, quero fazer uma pergunta a você, leitor freqüente ou ocasional do Catapop: onde estão seus comentários? Nossa média diária de visitas continua boa, mas, estranhamente, os comentários têm médias abaixo de 10% de nosso total de visitantes – e são sempre os mesmos cinco ou seis sujeitos (nosso comovido “muito obrigado” a estes bravos e fiéis amigos)! Está faltando provocação por aqui? Reviews não despertam seu interesse? Peço desculpas se parecer chantagem emocional, mas, eu realmente gostaria de saber se você se sente tocado (hmm...) pelo que lê aqui. Eu já disse antes, confirmo agora e estou certo de que meu honorável sócio, o Mestre Chang, concorda: a gente faz o blog pra gente mesmo, pelo tesão de escrever. Mas, se há quem goste de ler, tanto melhor. Quem sabe, mudando uma coisinha aqui e ali, a gente deixe tudo mais ao seu gosto.

Pronto, já fiz beicinho. Agora, vamos ao que interessa.

Como todo bom remanescente de uma geração anterior, eu resisti o quanto pude aos novos tempos, mas, finalmente, aconteceu: decidi parar de comprar CDs. Com todo mundo ao meu redor acostumado a não precisar pagar por música, por que eu deveria? Não que mp3 seja novidade para mim, eu faço uso disso desde 1999. Mesmo assim, só usava os arquivos digitais como fonte de pesquisa para minhas próximas compras, ou então, para ter aquele único êxito daqueles fulanos que lançam um single interessante e somem nas brumas do neo-anonimato, os chamados one-hit wonders.

Agora a coisa mudou de figura. Abri as pernas de vez para a música digital. Discos inteiros estão à minha disposição, não apenas nos P2P da vida, mas, também em sites como o Orkut. A comunidade Discografias tem quase tudo de quase todo mundo, com qualidade mais do que razoável, em arquivos seguros (até agora, pelo menos, não tive problemas com vírus). Mesmo com a chateação de ter que dar um tempo de cerca de 45 minutos entre downloads (isto no mais popular dos serviços de “disco virtual”, o Rapidshare), dá para fazer a festa. Por que eu iria querer ficar de fora?

Nada disso é novidade pra você, eu sei. Com maior ou menor freqüência, todo mundo já fez ou fará downloads de música, livros, filmes, séries e até mesmo de nossos amados gibis. Praticamente todas as formas de entretenimento já possuem versão digital, embora eu não concorde com o que diz, por exemplo, o André Forastieri, na Bizz 214, que afirma que bancas e livrarias estão cheias de mídias mortas. Acho que livros e revistas não perderão a serventia tão cedo, como ocorreu com CDs e DVDs.

Minha resistência ao digital não tinha mesmo muita razão de ser. Afinal, imagine uma viagem de ônibus como as que eu fazia entre Goiás e Bahia, com duração média de 24 horas, carregando um chamativo discman e um pesado estojo de CDs. Hoje, além de eu preferir (e a grana permitir) fazer o trajeto de avião em cerca de duas horas, carrego um mp3 player que cabe no bolso e, com sua modesta capacidade de 512 mb, me permite muitas outras horas de prazer auditivo. Não dá mesmo para comparar.

Claro, artigos tecnológicos são como bichos matreiros, e, de repente, sem mais nem menos, meu PC pode travar e meu invejável arquivo musical ir pras cucuias. Por isso, se ainda bater vontade de comprar CDs ou DVDs, comprarei unidades graváveis, para manter cópias de segurança de minhas preciosidades. CD ou DVD original, eu agora só compro se for um item de muito valor sentimental - e, falando francamente, são bem poucos os artistas que ainda evocam em mim tais sentimentos.

Vai parecer uma incoerência e tanto, vindo de um cara que escreveu, neste mesmo blog, artigos exaltando as vantagens da música em formato físico (capas legais, encarte com letras, fotos, dados técnicos), mas, dane-se. Todo este conteúdo também está disponível na internet e com grande fartura, e assim vamos vivendo estes tempos esquisitos, em que, com tanta oferta, os garotos simplesmente não conseguem eleger bandas ou cantores favoritos, enquanto a indústria do showbiz agoniza numa exaustiva repetição de seus erros: coletâneas fuleiras, duvidosos discos ao vivo, acústicos redundantes, novos ídolos de carisma zero, etc. Nisso, o Forastieri tem razão: a mídia é uma puta velha e já deu o que tinha que dar, em troca de generosos bocados de nossa grana. Agora, chega, né?

PS: Voltando à choradeira do primeiro parágrafo e aproveitando o gancho oferecido pelo artigo, convido a galera a baixar nossos mp3. A seleção ainda é pequena, mas, é bacanuda e tende a aumentar. Inclusive, se há algo que você quer e não tempo ou saco de procurar, a gente cuida disso pra você – é só mandar sua sugestão. Clique no banner à esquerda e desbunde-se.

Ídolos de ninguém

Ídolos de ninguém

Você assiste ao Ídolos? Eu assisto, e com gosto. É o tipo de programa que suscita comentários precipitados, do tipo “você perde seu tempo com aquilo?”, mas, que pode ser extremamente divertido. Diga-se, é fácil gostar do escracho da fase das audições, em que o pior do brasileiro aparece em todo o seu esplendor: a falta de noção do ridículo. Inventaram por aí que somos alegres por natureza, então, vai um monte de gente fazer macacada (e o que é pior, a sério), na vã esperança de agradar. Difícil mesmo é continuar dando valor ao programa agora, quando sobraram apenas 10 candidatos, com chances reais de emplacar na preferência dos telespectadores.

E por que, Batman, seria tão difícil valorizar o programa agora, justamente quando ele ganha uma cara mais séria? Porque, meus queridos parceiros-mirins, é neste ponto que o Ídolos começa a contradizer sua idéia central, a de formar um novo ídolo das multidões. Ao longo das etapas classificatórias, os jurados esmeram-se na escolha dos candidatos, justificando seus votos com argumentos que incluem emoção, contemporaneidade, uma identificação com o público majoritariamente jovem que há de consumir esse novo projeto de grande astro. E o que aconteceu, ao final da primeira edição? Pegaram o Leandro Lopes, um cara jovem, simpático, esperto, que gostava de Zé Ramalho e Iron Maiden (nada jovens, mas, carregados de peso e algum senso de transgressão) e o transformaram em apenas mais um caretíssimo cantor de brega romântico.

Formar esse tipo de artista, a meu ver, seria tarefa para o Raul Gil, cujo programa de calouros já tem cara de coisa velha desde o cenário, e de onde saíram coisas medonhas, como o “anjo” Robinson (uma bicha louca com tiques de Whitney Houston). É um horror, um monte de gente empenhada em parecer americana ou em requentar o gelado cadáver de Elis Regina. Toda aquela impostação e excesso de vibrato (para não falar das insuportáveis crianças-prodígios) servem apenas ao autodeclarado propósito do programa, de entreter “a família brasileira”. Por “família”, devemos entender pais sexagenários e avós. Filhos e netos, certamente, preferem mudar de canal ou sair de casa.

Então, mesmo sabendo que desse mato dificilmente sai coelho, eu continuo assistindo e gostando do Ídolos, porque nele, sim, é possível acreditar que existe por aí muita gente bacana, carismática e talentosa. Como a autenticidade será o primeiro traço limado da personalidade do(a) ganhador(a), é neste momento, neste estágio de “pureza virginal” que a gente percebe quanto talento é tolhido e jogado fora pelas nossas espertas gravadoras. Não é à toa que elas estão à míngua. Como pode uma cantora do nível daquela Shirley precisar concorrer a um contrato? Como não dar vez a soulmen de voz calorosa como Dan Barros e Davi Lins? O que afasta da mídia um artista pronto para o pop, como João Calaça? Até aquela garota paraense fã de Calypso (argh!), Lenny Bellard, um furacão, encantadora com sua beleza invulgar. É gente antenada com o que se faz de bom na música, com o que dá certo em cima de um palco, mas, a julgar pelo destino do pobre Leandro, estará condenada a ser estrela de feiras agropecuárias, de shows gratuitos na periferia ou, quando muito, fazer figuração de luxo nos cafoníssimos programas do canal do Seu Sílvio.

Aproveite, portanto, o Ídolos, enquanto ele dura. A esperança de renovação do nosso combalido mainstream que vem em seu rastro é muito fugaz. Essa gente bonita e interessante, que hoje anima as noites de quarta e quinta, logo voltará ao anonimato e à ralação nos barzinhos da vida, enquanto a caretice voltará a reinar soberana em todos as frentes do showbiz nacional.

07/06/2007

Superman 54

Um Ano Depois
Superman 54

Superman: “Para o Alto e Avante!”, partes 1 e 2
Roteiro: Kurt Busiek e Geoff Johns – Arte: Pete Woods
Um ano depois do fim da Crise Infinita, Lex Luthor é, mais uma vez, absolvido de inúmeros crimes e tenta voltar ao seu papel de “benfeitor” de Metrópolis, mas, o povo já não é mais tão ingênuo (alô, brasileiros!?). Sem poderes, Clark Kent recuperou seu prestígio no Planeta Diário e tornou-se alvo de Luthor. Surge um novo Homem de Kryptonita – isto é um trabalho para... Supergirl! História bastante ágil de Busiek e Johns, um dos melhores recomeços do Um Ano Depois, com um ex-Homem de Aço bem trabalhado e perfeitamente crível (repare na tocante seqüência em que a miopia de Clark se manifesta). A arte de Pete Woods lembra a de Leynil Francis Yu, em O Legado das Estrelas e as boas participações de Hal Jordan e Moça-Gavião (sim, agora é assim mesmo) garantem interesse extra. Nota 9,0.

Supergirl:
“Candor”, parte 1
Roteiro: Greg Rucka – Arte: Ed Benes
Difícil acreditar que o autor desta baboseira é o mesmo gênio de Projeto OMAC! Greg Rucka está irreconhecível, no nível de um Jeph Loeb com diarréia mental. Metidas na cidade engarrafada de Kandor, Supergirl e Poderosa arranjaram para si novos codinomes e armaduras ridículas, lutando contra a tirania de um suposto Kal-El. Pancadaria sem sentido e rebeldia sem causa, coisas típicas deste título. Kara pretende encontrar o caminho de volta para seu mundo natal. Que Deus a ajude e a leve de uma vez! Nem as bundas e peitos que Benes desenha impedem o veredito: lixo!
Nota ZERO!

Liga da Justiça Confidencial: “Novos Mapas do Inferno”, parte 4
Roteiro:
Warren Ellis – Arte: Butch Guice
A LJA tem hoje TRÊS Arquivos Confidenciais simultâneos sendo publicados, aqui, em LJA e em S&B! O problema não é nem tanto a onipresença (Wolverine, alguém?), e sim, a baixa qualidade geral das tramas, esforçadas, mas, sem impacto. Esta (sem ligação com o 1AD) ia até bem, mas, o presente capítulo é fraco, fraquinho. A Liga é levada até o que parece ser o inferno, para confrontar uma entidade que se diz a arma viva suprema, pronta para testar a humanidade e decidir por seu extermínio ou salvação. Sim, você já leu isso antes, e foi melhor daquela vez. Nota 4,0.

Superman 54 (Maio 2007) – Panini – 100 páginas – R$ 6,90

03/06/2007

Batman 54

Um Ano Depois
Batman 54

Batman: "Cara a Cara", partes 1 e 2
Roteiro: James Robinson - Arte: Leonard Kirk, Don Kramer
É um ano depois, e muita coisa está de volta ao seu lugar em Gotham: Batman e Robin voltam à atividade e James Gordon, mais, uma vez, é comissário de polícia. Apagado durante quase toda a gestão de Michael Akins (e o que aconteceu com ele só deve ser mostrado em 52), o batsinal volta a iluminar os céus noturnos. O primeiro desafio da Dupla Dinâmica é a Hera Venenosa (de volta dos mortos, sabe-se lá como), mas, há um novo vigilante nas ruas de Gotham, sem a menor piedade. Ele detona a KGBesta e a Magpie, e, a julgar pelo título da história, não dá para se enganar: é Harvey Dent, com o Duas-Caras prestes a aflorar novamente. Um bom recomeço para o Batman, numa boa trama de James Robinson e desenhos dos ex-JSA Don Kramer e Leonard Kirk. Nota 8,0.

Asa Noturna: "Gangues Por Toda Parte"
Roteiro: Bruce Jones - Arte: Joe Dodd
Há um segundo Asa Noturna atuando em Nova York, e ele não tem os escrúpulos de Dick Grayson, matando bandidos sem cerimônia. Nesta nova vida, um ano depois do fim da Crise Infinita, Dick não está casado com Bárbara Gordon e deixou Blüdhaven para trás. Enquanto se instala na capital do mundo, tem que lidar com as ações do impostor e bater de frente com uma dupla de mafiosos meta-humanos gêmeos. A trama de Bruce Jones (Hulk) não é das piores, mas, o desenhista Joe Dodd (hm?) não é dos mais competentes. Nota 6,0.

Batman: "Dédalo e Ícaro - O Retorno de Jason Todd"
Roteiro: Judd Winick - Arte: Shane Davis
Esta história de Judd Winick desvenda o mistério da volta do Robin que morreu - e, como muita gente já suspeitava, está tudo intimamente ligado à bagunça cósmica que conduziu à Crise Infinita. Você pode até detestar a volta do Jason, a falta de propósito de suas ações e a previsibilidade do argumento para seu retorno, mas, a história flui bem melhor do que "Por Trás Do Capuz", que perdeu-se em círculos. Shane Davis desenha direitinho, homenageando Jim Aparo (A Morte de Robin) e Jim Lee (Silêncio) em certas passagens. O que aconteceu com Jason após voltar dos mortos está condizente com sua nova condição de vilão. Trazê-lo de volta foi um erro da DC, mas, pelo menos, agora é um erro bem explicado. Nota 8,0.

Batman 54 (Maio 2007) - Panini - 116 páginas - R$ 8,00

Grandes Astros: Superman 4 e 5

Grandes Astros: Superman 4 e 5

A melhor revista de 2007 continua insuperável no quesito diversão. Grant Morrison escreve e Frank Quitely desenha com sintonia perfeita. Na quarta parte, Jimmy Olsen é convidado a chefiar, por um dia, o Projeto DNA. Durante uma pesquisa interdimensional, um acidente requer a presença do Superman e um fragmento de kryptonita negra é revelado, fazendo de Jimmy alvo de um Superman maligno! A solução é desesperada e inusitada: Apocalypse! Além de movimentada, a trama enfatiza a desinteressada amizade de Jimmy pelo herói.

Na parte 5, Clark Kent vai entrevistar Lex Luthor na Ilha Stryker e descobre muito mais do que espera. Para seu azar, o Parasita também está na prisão e a mera presença do disfarçado Superman é suficiente para deixar o monstrão incontrolável. Clark precisa de muita cratividade e esperteza para para não revelar seu segredo diante de Lex, e chega a ser cômico seu pretenso desespero! Para o grande personagem que é Luthor, Morrison deu diálogos memoráveis, carregados de fina ironia e motivações autênticas.

Duas edições geniais, para variar. Elogiar de novo a dupla criativa (poucos merecem tanto este adjetivo) é chover no molhado. Nota 10.

Grandes Astros: Superman 4 e 5 (Abril e Maio 2007) - Panini - 28 páginas cada - R$ 3,90 cada.

02/06/2007

Rapidinhas

Rapidinhas


- A Panini divulgou, na Wizmania de maio, as novidades da DC Comics para o segundo semestre - e elas são de deixar nerds babando de ansiedade!

Julho: nova revista mensal, Melhores do Mundo, com Flash, Mulher-Maravilha, Legião dos Super-Heróis e Íon! Também neste mês começa a maxissérie mensal 52, em 13 edições, mostrando o ano "pulado" nas revistas de linha, após Crise Infinita. Para terminar, DC Apresenta 4 trará um arco da Mulher-Gato.

Setembro: DC Especial 15 trará mais um arco do Gavião Negro (enquanto isso, nós, vítimas da distribuição discriminatória, aguardamos pacientes pela edição 12!!!). DC Apresenta 5 será estrelado pelo Espectro, agora no corpo do policial Crispus Allen. Superman - Crônicas 1 trará os primórdios do Homem de Aço.

Sem data definida: Grandes Clássicos DC 11 trará a saudosa e raríssima Batman - O Messias! Séries badaladas ganham encadernados, a safada Pelo Amanhã, do Superman (Azzarello/Lee) e a fenomenal Crise de Identidade. A LJA ganha seu Arquivo DC, com suas clássicas primeiras histórias.

- Este que vos escreve passou ao seleto rol de acertadores da Lotomania. Sim, é verdade. Infelizmente, ainda não foi o suficiente para me deixar rico. Acertei 17 dos 20 números do concurso 727 e ganhei a "bolada" de R$ 95. Nada grandioso, mas, visto como um investimento de R$ 1, que rentabilidade, hein?

- Perdoem minha recente falta de inspiração/disposição. Na volta do fim de semana, reviews caprichados do Um Ano Depois da DC e da Bizz 214.