26/07/2007

Odeio "antenados"!

Odeio "antenados"!

"Você sabia que a Coca-Cola é usada para desentupir canos e limpar motores?"
Diante desta, só resta perguntar: e o kiko? Ora, o poder de corrosão da Coca-Cola é irrelevante perto do fato de que poucas coisas na vida são melhores do que uma Coca bem gelada. Otário você, que prefere jogá-la ralo abaixo, ao invés de tomá-la!

"Não coma Big Mac, ele é um símbolo do imperialismo americano!"
O cara tem a manha de dizer isso usando uma camisa Adidas e um tênis Nike, enquanto no seu iPod rola Linkin' Park. Além do anacrônico e contraditório ranço comunista, o foco da afirmação é equivocado. O problema do Big Mac não são as conspirações políticas escondidas entre o molho especial e o pão com gergelim: é que sanduíche do McDonald's é ruim mesmo!

"Um copo d'água, não. Um copo COM água!"
Esta me ferve o sangue. É claro, estrupício, que eu sei que não existem copos feitos de água, mas, pedir "um copo d'água" ou de qualquer outro líquido NÃO está errado! Trata-se daquela medida do referido líquido. Ou você vai ao mercado e compra uma "lata com óleo"? Ou chega no bar e pede ao garçom uma "garrafa com cerveja"?

"O que falta às populações carentes é informação"
Mentira. O que falta é interesse pela informação. Todo mundo neste país tem televisão, mas, de que adianta tê-la desligada o dia inteiro, exceto na hora da novela? A TV Cultura e a TVE, por exemplo, transmitem inestimáveis serviços de cidadania, mas, você acha que alguém vai querer perder seu tempo assistindo a um documentário sobre controle da natalidade, justo no dia em que a gêmea boa vai desmascarar a gêmea má?

"As mulheres precisam conquistar o seu espaço!"
O quê? Vocês querem MAIS espaço? Minha senhoras, vocês já são a maioria nas universidades e no mercado de trabalho! Até quando vão reclamar de "falta de espaço"? Homens também precisam trabalhar para comer e pagar as contas (e, não raramente, sustentar as esposas e/ou amantes), sabiam?

"Está faltando homem no mercado!"
Não, o que está faltando é homem com paciência para as novidades trazidas pela tal "conquista do espaço". Muitas mulheres se pavoneiam de serem descoladas o suficiente para trair sem culpa e, contraditoriamente, de não perdoar uma escorregada do namorado. Outras vestem-se com roupas que parecem ser da irmã caçula e nunca olham os homens nos olhos, e sim, entre as pernas, e exigem "respeito". Se lhes parece que os homens estão sumindo ou "virando gays", talvez o problema não esteja neles!

25/07/2007

Batman 56

Batman 56

Batman - "Cara a Cara", partes 5 e 6
Roteiro: James Robinson - Arte: Leonard Kirk (pt 5) e Don Kramer (pt 6)
O tom das histórias de James Robinson para o Batman tem sido bastante agradável e o título tornou-se um dos maiores beneficiados pelo Um Ano Depois, maaaaaasss... além de ter praticamente apagado todo o histórico de quatro anos de Gotham Central (leia detalhes no The Pulse), o cara propõe que Bruce Wayne, depois de todos os problemas que teve com Azrael, cometeria a bizonhice de dar a Harvey Dent o papel de protetor de Gotham em sua ausência! Meu Deus, ele é o Duas-Caras! Será que uma mera plástica o teria feito mudar tanto?

Como eu disse no começo, a história é boa de se ler. A esquizofrenia do vilão é explorada até seu inevitável retorno (e aí eu fico pensando: será que, ao jogar ácido nítrico no rosto, como se fosse hidratante, e ainda passar um bisturi de cima abaixo pra fazer uma divisória legal, Dent não deveria ter sentido um pouquinho de dor, pelo menos? Ele não solta nem um gemidinho, nem um "unnnngghhh!!!"). No front Jason Bard, o detetive descobre uma ligação entre os vilões mortos, mas acaba na mira de um outro. Nota 8,0.

Batman - "Arquivo Morto", parte 2
Roteiro: Christos N. Gage - Arte: Ron Wagner
Ao visitar o escritor que pretende acusar seu pai de ter sido um serial killer, Batman presencia seu assassinato pelas mãos de um criminoso em uma armadura criogênica. Em busca de respostas, ele procura Leslie Thompkins (e, por um instante, meus cabelos ficaram em pé, esquecendo que este é um momento anterior ao malfadado Batman Anual 1), enquanto o roteirista comete uma furada: durante a luta com o Batman, a armadura do vilão racha com uma simples queda; depois, tiros à queima-roupa sequer a arranham! O Batman já sacou quem é o assassino, e eu, também. Essa pequena alegria não impede o diagnóstico: historinha meia-boca! Nota 5,0.

Asa Noturna: "Dupla Insanidade"
Roteiro: Bruce Jones - Arte: Paco Diaz
Você, fanboy, que implorou à Panini para voltar a publicar Asa Noturna, deve estar, neste momento, ajoelhado no milho e açoitando o próprio lombo. Jesus, que coisa ruim! Bruce Jones chega ao extremo de fazer Dick Grayson participar de um desfile de moda vestido como... Asa Noturna! Também tem Jason Todd. Poxa, o cara matou aquele monte de gente e anda por aí numa boa, sem o Batman no seu encalço? Nem vale a pena avaliar a história (que história?). Nota ZERO!

Batman 56 (Julho/2007) - Panini - 100 páginas - R$ 6,90.

23/07/2007

Transformers

Transformers
por The Batman

Os donos desse site parecem incrivelmente esforçados em esconder a própria empolgação com Transformers, um filme tão ansiosamente aguardado e que justificou plenamente até as mais otimistas expectativas. Como leitor habitual e comentarista eventual, eu quase não acreditei quando vi a nerdice bem-humorada de sempre dar lugar a uma arrogância pseudo-especializada, levando-os ao cúmulo de desrespeitar os que gostaram do filme (“um filme idiota, feito por idiotas e para idiotas”, diz uma resenha por lá). De onde eu vim, quem muito desdenha quer comprar.

Não acredite neles. Transformers não veio para mudar a história do cinema (e se você esperava isso, o problema está em você!). Tudo que o filme pretende é desopilar seu fígado com pouco mais de duas horas de ação incomparável, piadas eficientes, algumas boas interpretações e um roteiro batidaço, claro, que é pra não ficar no caminho da diversão. Quem quer profundidade, que vá ver filmes do Ingmar Bergman!

No filme, Sam Witwicky (o engraçado Shia LaBeouf) pretende descolar grana vendendo velhos objetos de seu avô, um explorador do Círculo Ártico que morreu sem glória. Ele também quer impressionar Mikaela (a gatinha Megan Fox) e ganhar seu primeiro carro. A chance vem quando um detonado Camaro amarelo praticamente se joga em cima dele. A esta altura, todo mundo já sabe: trata-se de Bumblebee. O que Sam não sabe ainda é que seu avô guardou o segredo da localização do Cubo de Energon, um artefato vindo de Cybertron (planeta natal dos robôs) e causa da guerra que se dá entre humanos e Decepticons, e entre estes últimos com os Autobots.

Tudo no filme é planejado para dar o mínimo de trabalho possível ao cérebro. No meio da ação incessante, da manjada participação salvadora dos militares, e da água-com-açúcar que o diretor Michael Bay não tem o menor pudor de derramar aos litros, há lances verdadeiramente engraçados e comoventes envolvendo Sam, sua família, sua paixão e os robôs. Pelo menos, Transformers não foi sucedido pela sensação de promessa não-cumprida, como o (este sim!) decepcionante Homem-Aranha 3 e boa parte dos filmões do verão americano.

O filme tem ainda os mais incríveis efeitos visuais que o dinheiro pode comprar, realizando a fantasia de quem assistia ao desenho na infância e sempre sonhou com uma adaptação live-action, intento alcançado com louvor – exceto para fanboys sem vida própria, que reclamam de coisas como os adesivos em Optimus Prime. As cenas de transformação dos robôs são de encher os olhos e ficam ainda melhores quando a ação passa à luz do dia, numa empolgante batalha que destrói boa parte de Manhattan.

Por enquanto, Transformers e 300 (e possivelmente Ratatouille, que ainda não vi) reinam soberanos como os melhores filmes nerds de 2007, ano em que a concorrência não foi pouca. Tudo, porém, sobrecarregado de fama e ganância e pouco comprometido com a diversão de quem vai ao cinema, lar natural de filmes grandiosos como este. Não seja um geek bitolado, esqueça sua conexão banda larga, a telinha de seu pc e esse papinho de “baixei antes de chegar no cinema!”. Gaste seus suados e amassados reais na bilheteria de um cinema com tela gigantesca e som Dolby Digital. Faz tempo que seu ingresso não é tão valorizado. Nota 9,0.

20/07/2007

Guerra Civil 1

Guerra Civil 1

Estive completamente afastado da Marvel por quase seis meses, mas, simplesmente não poderia deixar passar em branco um dos eventos mais comentados do ano que passou, ainda mais porque, segundo dizem, é uma série que se entende sem que seja preciso comprar dezenas de títulos mensais (apesar do guia de leitura na segunda capa recomendar a insanidade).

A essa altura, até minha avó já deve saber do que trata a história: durante a gravação de seu reality show, os Novos Guerreiros trombam com o Nitro, que provoca uma explosão que vitima centenas de pessoas – crianças, em sua maioria. Reagindo à indignação popular, o governo propõe uma lei de registro para os super-heróis, que passariam, na prática, a ser funcionários públicos, com direito até a salário e férias! Alguns, como o Homem de Ferro, Reed Richards e a Mulher-Hulk são favoráveis à idéia. Já para outros, como o Demolidor, Luke Cage e (surpresa!) o Capitão América, acham que a lei que os obriga a revelar sua identidade é injusta e só tem finalidades políticas. O combate físico e ideológico entre as duas facções é o mote da série.

Belo começo. Steve McNiven chuta bundas com sua arte limpa e precisa, melhorada pela colorização de Morry Hollowell. O argumento de Mark Millar é enxuto e a temática da série é relevante para nossos dias, em que tantas pessoas se submetem, participando e assistindo, a qualquer idiotice proposta em reality shows, e em que nossa indiferença com a violência aumenta a cada dia.

E de coração partido, este decenauta roxo que vos escreve admite que não foi à toa que a Marvel vem dando sucessivos cacetes na DC, em vendas. Enquanto a DC insiste em sucessivas crises (acredite, já vem mais uma aí!) e torna seu universo cada vez mais complicado, a Marvel soube criar polêmica com uma história simples e diferente, ainda que não exatamente original ou brilhante. Tudo bem que agora, nos EUA, o Joe Quesada já armou uma quizumba do tamanho de um trem, com essa história de skrulls infiltrados em toda parte (mico marvete à vista!), mas, o bom momento da editora que acompanhamos agora é bastante justificado. Nota 8,5.

Guerra Civil 1 (de 7) - Panini - 44 páginas em LWC - R$ 4,90

19/07/2007

7 Soldados da Vitória 1

7 Soldados da Vitória 1

Ousadia é isso aí: Grant Morrison convenceu a DC a lançar simultaneamente sete minisséries de quatro partes, sobre uma “equipe” cujos membros nunca trabalham juntos e pouco ou nada tem a ver entre si, exceto por serem todos do segundo escalão da editora para baixo e, portanto, com amplas possibilidades de reinvenção, através de aventuras, dramas e sacrifícios sem precedentes.

Ambições nada modestas, como se vê. E como estamos falando de Grant Morrison, a obviedade é logo chutada para escanteio. Na primeira parte da revista (o número zero), vemos o trágico destino da penúltima formação dos Sete Soldados, heróis que, por “sugestão” de misteriosos seres, simplesmente sentem-se impelidos a juntar forças, para combater um mal que eles não sabem exatamente qual é. Tudo acaba terrivelmente e este é o ponto de partida para a formação que vamos testemunhar durante a série.

Na aventura do Cavaleiro Andante, Sir Justin testemunha a destruição de Avalon por invasores extradimensionais (entre eles, Nebulo, dos Ultramarines, visto no arco de Morrison para JLA Confidential), mas, ao libertar-se, atravessa um tipo de portal temporal e vem parar sobre Nova York com seu cavalo alado, Vanguarda. Machucado e sem falar inglês, confundido com algum metaleiro europeu (ou quem sabe, um nerd jogador de RPG), Justin é levado para a prisão.

O Guardião de Manhattan é um herói patrocinado e batizado pelo jornal do mesmo nome, cujas reportagens de teor social são escritas pelos próprios leitores. Desempregado, paranóico e deprimido, o ex-policial Jake Jordan vê no emprego de super-herói (oferecido no jornal a qualquer um disposto a enfrentar a “entrevista”!) a chance de superar um episódio infeliz que acabou com sua carreira. Seu primeiro desafio é enfrentar sanguinários piratas de metrô, que aterrorizam as galerias subterrâneas.

Nos blogs e sites sobre HQ, a queixa era de que a história era incompreensível e de ritmo ruim. De fato, ainda não dá pra saber o que Morrison pretende, mas, lembrem-se: são apenas os primeiros três capítulos de um total de 30! A queixa sobre a falta de ação, porém, não procede. Na verdade, é uma revista daquelas para se ler de um fôlego só, tamanha a sucessão de eventos, sempre com bons diálogos.

Nos lápis, os belos traços de J.H. Williams III, Simone Bianchi e Cameron Stewart, dando um tempo às nossas retinas do manjado estilo de gente como Jim Lee e Michael Turner, esses piolhos de megaeventos. Morrison cercou-se das melhores companhias e nos entrega um gibi surpreendente. Mal posso esperar pelo desenrolar da série! Nota 8,5.

7 Soldados da Vitória 1 (de 8) – Panini – 100 páginas – R$ 6,90.

17/07/2007

Infernum ad aeternum

Infernum ad aeternum

Causa-me desconforto o fato de que sucessivas gerações de alemães tenham que estar eternamente desculpando-se pelo genocídio cometido contra os judeus há mais de sessenta anos. De fato, foi uma monstruosidade que não pode tornar a acontecer, mas, pô, lá se vão seis décadas, quase sete! Como os palestinos sabem muito bem, judeus não são santos. A recíproca é verdadeira, mas, enquanto os islâmicos já gozam de uma fama de intransigentes e beligerantes, os judeus ainda são vistos por muita gente como ovelhinhas, sempre à espera de um lobo mau diferente.

Mas, este post não é sobre judeus, e sim, sobre alemães – melhor dizendo, um alemão em particular, que já causa e ainda há de causar mais embaraço aos seus conterrâneos: Joseph Ratzinger, vulgo Bento XVI, o novo papa pop de Roma. Em sua nova empreitada em busca da polêmica gratuita, o pontífice declarou que a única verdadeira igreja de Cristo é a católica.

Veja só: Jesus era católico e nem sabia! Admito humildemente minhas limitações para discutir Teologia, mas, posso até apostar que Jesus dificilmente elegeria o tentáculo religioso do império que o condenou à morte como legítimo detentor do seu legado, ainda mais se tivesse noção do que estaria por vir nas Cruzadas e na catequização empurrada pela goela dos povos africanos e americanos, da qual o Vaticano só se desculpou há menos de uma década.

Tão logo tomou o lugar de João Paulo II, o novo Papa comprou briga com os muçulmanos, ao afirmar que eles têm trazido a guerra ao mundo desde sempre. Deu uma desculpa esfarrapada que não colou e sumiu por um tempo. Depois, pregou a volta das missas em latim e condenou às chamas do inferno os divorciados, os “amigados”, os gays e todo mundo que usa camisinha ou segue outra religião que não a sua. Detalhe: ele nunca chama nenhuma outra de religião, apenas de “seita”.

Ao carimbar Jesus como propriedade da Igreja Católica, o anacrônico e estabanado Bento deu provas inequívocas da mesma intolerância que ele, hipocritamente, ataca em suas encíclicas e viagens mundo afora. Ver defeitos nos outros é sempre mais fácil. Como se fosse a Idade Média, Bento XVI acredita que o medo da danação vai fazer a população obliterar séculos seguidos de inevitáveis transformações sociais, ou, pior, descuidar da própria saúde, apenas para agradá-lo. Não é surpresa que a igreja de Bento, embora ainda bastante numerosa em fiéis, esteja perdendo terreno para outros grupos, mesmo aqui, na Burrolândia, maior nação católica do mundo, onde massa de manobra é o que não lhe falta.

Religiões têm apenas uma coisa em comum a todas elas: são criações dos homens, não de Deus(es). Os princípios de conduta defendidos por elas são conhecidos até por quem não acredita em deus algum. A subjetividade com que tais princípios são interpretados é o que leva às divergências que, aprofundadas, originam as guerras. A Igreja Católica tem muito de bom a oferecer, mas, ao publicar seus quinhões de ignorância, o Papa ajuda a acirrar os ânimos e torna ainda mais difícil a situação dos alemães, que já devem estar se preparando para mais algumas encarnações pedindo perdão pelas desastradas palavras de Bento XVI, como se Hitler tivesse sido pouco. Deve ser alguma coisa na cerveja que se toma por lá.

10/07/2007

Grandes Astros - Superman 6

Grandes Astros - Superman 6

Esta sexta edição é um flashback sobre como o Superman perdeu seu pai, Jonathan, o primeiro e mais marcante lembrete de que nem mesmo o Homem de Aço pode salvar a todos. Ainda bem jovem, Clark vê chegar à fazenda dos Kent três estranhos pedindo trabalho, cujas identidades parecem bem óbvias ao leitor, mas, não são. Tudo segue em aparente tranqüilidade, mas, a presença dos três visitantes em Smallville é sinal de um grande perigo e de uma tragédia que mudará e moldará o Superman para sempre.

Assim como Ben Parker para o Homem-Aranha, são os pais de Clark Kent que mais aproximam o herói do homem, aqueles que fazem as coisas mais simples da sua vida parecerem justamente as mais importantes e pelas quais vale a pena levar a arriscada vida de luta pela verdade e justiça. Muito mais do que nos superpoderes, a verdadeira força do Superman reside em seu caráter inabalável e na perfeita distinção que consegue fazer entre o certo e o errado. Isso não veio de Krypton com ele; foi aprendido aqui, com os Kent.

Embora Grant Morrison tenha preferido fazer deste um capítulo mais emocional do que aventuresco, temos uma seqüência de ação que traz de volta algumas idéias usadas por ele na saga DC Um Milhão, publicada pela Editora Abril há quase dez anos. Frank Quitely nos brinda com sua habitual competência e mais uma capa de encantadora simplicidade. Nota 10.

Grandes Astros - Superman 6 - Panini - 24 páginas - R$ 3,90.

06/07/2007

Do you speak English?

Do you speak English?

Peço desculpas pelo egoísmo deste tópico. Eu não conseguia pensar em nenhum assunto interessante dentro do espectro “catapopesco” (a trindade HQ-Música-Cinema), então, resolvi falar de algo diferente, que interessa a uma parcela ainda pequena dos brasileiros: a língua inglesa. Eu tenho ensinado inglês há quase uma década e este pode ser um trampo ingrato, embora quase sempre seja prazeroso. As escolas de idiomas se multiplicam pelas cidades, entre franquias consagradas e emergentes, além daquelas com os dois pés no amadorismo e na inépcia – e como um pobre incauto que não conhece nada da língua vai saber que está sendo tapeado?

Se existem tantas escolas de inglês, pode-se supor que haja muita gente interessada em aprender o idioma. Por aprender o idioma, entenda que estou falando de vivenciá-lo como se ele fosse parte indispensável da sua vida, habitando seus pensamentos, seus costumes e seus gostos. É isso que os alunos buscam, certo?

Errado. Infelizmente, as escolas de idiomas estão abarrotadas de gente motivada por ambições completamente equivocadas. O que eles querem é incrementar o currículo com um certificado, ficar bem na foto para os seus superiores, satisfazer a vontade de seus pais, estar com amigos ou, simplesmente, passar uma hora diferente fora de casa. Se der para aprender inglês, tanto melhor – mas, no fundo, isso é o de menos.

Não há nada mais broxante do que receber na sua escola alguém que já chega dizendo, “olha, eu detesto inglês e só estou aqui porque minha empresa exige que eu aprenda”. Duas coisas, querido(a): assim, você não vai aprender. Se aprender, um pouco que seja, seu “bloqueio” (um eufemismo com ranço de auto-ajuda para “má vontade”, “preguiça” ou “burrice”) logo dará um jeito de fazê-lo esquecer esse pouco, devido à falta de prática e desatenção aos próprios erros – e aí a culpa pode nem ser sua, porque algumas empresas exigem inglês fluente, mas, muitos empregados entram nelas, fazem carreiras e vão embora, sem jamais precisar dizer um “A” em inglês.

Sejamos honestos: esse papo de que “eu sou capaz de aprender tudo que eu desejar” é lindo em manuais de auto-motivação. A verdade, como diz aquela personagem do Zorra Total, é cascuda e é barra-pesada: tem gente que, simplesmente, não nasceu pra coisa. Chega a parecer sobrenatural o nível de dificuldade enfrentado por alguns alunos, desde as primeiras lições. Atribuo isso a 1) má formação em português; o aluno sabe que “somente” traduz-se como “only”, mas, dê uma frase usando o sinônimo “apenas” e ele vai se embananar todo; 2) a mania de fazer tudo “nas coxas” que é típica do nosso povo; pouca gente se compromete a desenvolver plenamente suas quatro habilidades fundamentais (fluência oral, compreensão auditiva, leitura e escrita); tem gente que só consegue ler, outros que entendem o que se fala, mas, não conseguem falar, e assim por diante; e 3) uma irritante auto-piedade misturada com arrogância, que faz com que alguém tenha o desplante de dizer, diante do fracasso em assimilar conteúdo: “eu sou brasileiro, tenho que falar 'brasileiro' (sic), pra que eu tenho que aprender inglês, né?”

E faz sentido, sabia? Para que aprender inglês, se você prefere ver filmes dublados e dos seus fones de ouvido só saem Chiclete Com Banana, Zeca Pagodinho e Banda Calypso? Será que a música pop internacional não é suficientemente variada para que haja algo que você possa apreciar e investir como ferramenta de aprendizado? Se você pretende pegar uma de minhas palavras favoritas em inglês, o verbo “understand”, e pronunciá-lo como “andéxtêndi”, é melhor economizar o dinheiro do curso pra comprar aquele cobiçado CD pirata de pagode.

Tolice acreditar que alguém possa aprender tudo (eu estudo inglês faz 22 anos e sempre descubro algo novo para aprender) ou que sempre seja possível livrar-se percalços como o sotaque e a tendência de traduzir expressões ao pé-da-letra (você já viu coisas como “chicken to the little bird” ou “I born of new”? Eu já!), mas, é possível não passar muita vergonha, com um mínimo de estudo extra-classe. Há alunos que são convertidos à boa causa e até aderem à profissão. Felizmente, nem tudo são espinhos. Faz uns cinco anos que eu falo em largar o ofício, mas, como diz meu colega Fabiano, “ensinar é uma cachaça” e os sucessos fazem valer muito sapo engolido.

01/07/2007

Universo DC 1

Universo DC 1

A Panini deu um salto no escuro, ao lançar uma revista composta exclusivamente de “lados B” da DC Comics, mas, a coisa saiu melhor que o esperado. Universo DC já nasce como uma das mais interessantes revistas mensais da casa, ainda que não seja perfeita. O lançamento não foi setorizado “por engano”, como ocorreu com Novos Titãs, Marvel Max e Avante Vingadores e, segundo os donos de bancas aqui de Salvador, pelo menos, a revista está vendendo muito bem! Vamos ao review!

“A Batalha Por Blüdhaven”, parte 1
Roteiro: Justin Gray e Jimmy Palmiotti – Arte: Dan Jurgens e Jimmy Palmiotti
Blüdhaven foi quase totalmente destruída quando a Sociedade de Alex Luthor jogou Químio sobre ela, em represália às ações de Asa Noturna. Um ano depois, a cidade encontra-se abandonada pelo governo, exceto por uma milícia super-humana, a Aliança da Liberdade, que tenta manter a segurança numa área sem lei. Mas, a cidade ainda esconde segredos que interessam a muita gente – inclusive à própria Sociedade. Uma penca de completos desconhecidos em uma minissérie bastante movimentada. Bacana! Nota 7,5.

Pacto das Sombras: “Morte Em Uma Cidadezinha”
Roteiro e Arte: Bill Willingham
Quando um escudo místico envolve toda uma cidadezinha, Superman chama o mais novo grupo de especialistas em magia da DC, o Pacto das Sombras (formado em Dia de Vingança). Lá dentro, um grupo prepara um sacrifício em massa. O Pacto consegue entrar, mas, um ano depois, ainda não saiu de lá. A história mostra o que aconteceu logo após a entrada do Pacto, mas, infelizmente, não começou tão interessante quanto foi Dia de Vingança, ou mesmo o especial publicado durante a Crise. Vamos esperar que Willingham recupere o tom de humor e aventura. Nota 4,0.

Sexteto Secreto: “Seis Graus de Devastação”, parte 1
Roteiro: Gail Simone – Arte: Brad Walker
Os bandidos insurgentes da mini Vilões Unidos continuam atuando como mercenários, mas, passado um ano desde o fim da Crise Infinita, a Sociedade ainda segue em seu encalço. Num aparente momento de tranqüilidade, o grupo sofre um pesado ataque e sofre uma baixa. Para retaliar, eles procuram alguém que a Sociedade também teme e persegue e propõe um acordo. Mostrar as relações (boas ou más) entre os bandidos não é mais novidade, mas, Gail Simone não perdeu a mão e as aventuras seguem agitadas. Nota 7,5.

Xeque-Mate: “Jogo de Reis”, parte 1
Roteiro:
Greg Rucka – Arte: Jesus Saíz
Greg Rucka deve ser forçado a escrever Supergirl, já que nela não há sombra do talento exibido em Projeto OMAC e, agora, em Xeque-Mate (derivada diretamente da primeira). A agência está em fase de reorganização (sempre com um agente humano e outro meta-humano em posição correspondente, entre os quais Amanda Waller, Sasha Bordeaux, o Sr. Incrível e o Lanterna Verde da SJA) e aguarda uma decisão da ONU para tornar-se uma polícia secreta permanente. Uma missão pretende provar a origem de um gás fatal e ligá-la a possíveis opositores da agência, mas, no mundo da política e dos espiões, nem tudo é o que parece. Traições e uma baixa, no filé da revista. Nota 8,5.


Universo DC #1 (Junho 2007) – Panini – 100 páginas – R$ 6,90.