28/08/2007

Top 10 - 1980s (The Batman)

Top 10 - 1980s
por The Batman

Lá vamos nós, mais uma vez. Durante um papo no MSN, o Mestre Chang me jogou nos peitos o desafio: fazer um Top 10 das décadas de 80 e 90. "Louco", pensei aqui, com meus botões... mas, topei a empreitada.

Tarefa inglória, esta, de selecionar apenas 10 músicas entre as centenas ou até milhares que nos chegam aos ouvidos em 10 anos. Cabe, então, aquela velha explicação aos leitores: ausências notórias, idiossincrasias incompreensíveis e injustiças revoltantes são inevitáveis, portanto, relaxem e gozem. Começaremos com os anos 80, a década em que o ridículo era a regra, não a exceção.

Nos próximos dias, o Mestre deve postar sua própria lista. Depois, será a vez dos anos 90. Aos poucos, também vamos colocar no ar links para downloads de todas as canções. Sejam pacientes com estes pobres blogueiros de pouco juízo no quengo. Também pedimos, claro, que nos deixem suas próprias listas nos comentários, ok? Vamos lá!
(sem ordem de preferência)

"Every Breath You Take" - The Police
Qualquer coletânea do Police é garantia de satisfação. A banda acabou no auge e só deixou boas lembranças, como esta que deve ser a sua música mais "coverizada". É tão boa que deve ser "inestragável".

"Back On The Chain Gang"
- Pretenders
Pouco menos de quatro minutos de pura delícia pop, com o frescor vocal de Chrissie Hynde, uma personalidade musical de um tipo raro: as que têm algo a dizer.

"Holiday"
- Madonna
"Festa" talvez fosse uma tradução mais adequada do que "feriado". A mulher que mandava no mundo enfileira hits até hoje, mais de 20 anos depois de lançar este single, cujos primeiros acordes disparam automaticamente a nostalgia dos anos 80.

"Billie Jean"
- Michael Jackson
Que época curiosa, a década de 80: num tempo em que o politicamente correto nem existia, os reis da música eram uma mulher e um negro! Baixo e bateria pulsando, em um single impecável de um artista que foi do céu ao chão em poucos anos.

"The Boy With The Thorn In His Side"
- The Smiths
Johnny Marr não era um guitarrista dado a solos e, por isso, sofria o desprezo de muita gente que não sabia admirar o esmero do seu dedilhado, que emoldurava as lamentações do homem mais triste do mundo, Morrissey. A tristeza poucas vezes foi tão bela.

"The One I Love"
- R.E.M.
Uma introdução inconfundível, uma letra econômica e o primeiro aceno ao Grande Pop Mundial feito por uma banda tida como "excêntrica" (para dizer o mínimo).

"With Or Without You"
- U2
O technopop inconseqüente foi feliz enquanto pôde no trono da música. Em 1987, o U2 desbravou a América e lançou um disco (The Joshua Tree) que botou o rock de novo nas alturas e de onde saiu esta maravilha, que jamais deixou os shows do grupo.

"Sweet Child O' Mine"
- Guns N' Roses
Que atire a primeira pedra quem nunca fez air guitar com a introdução deste clássico do hard rock! Atitude, personalidade e repertório de levantar estádios: o Guns N' Roses era mesmo muito legal. Por isso, tem gente que até hoje espera pela volta de Axl.

"West End Girls"
- Pet Shop Boys
Londres, terra do frio, da chuva, do humor negro e de clássicos do technopop. A estréia do Pet Shop Boys é um desses singles irretocáveis, nos quais os anos 80 foram pródigos.

"Inbetween Days"
- The Cure
Esta canção tornou o Cure popular no Brasil, ao tornar-se tema de abertura do Clip Clip, da Globo. É outra dessas que põem a gente para tentar imitar todos os instrumentos, tantas são as camadas. Melodia alto-astral a embalar letra triste, coisa típica do Cure.

Pixel Magazine 3, 4 e 5

Pixel Magazine 3, 4 e 5

Nada como recobrar a razão, depois de um surto psicótico. Mesmo havendo gostado muito da Pixel Magazine, resolvi interromper a recém-iniciada coleção após a segunda edição. Mas, espere aí, Batman: que raio de economia era essa que eu planejava? Afinal, todo mês eu compro um monte de lixo da DC Comics, anexado às coisas legais que ela sempre tem (um eterno problema das revistas mix). Por que abrir mão de histórias diferentes e encantadoras?

Felizmente, eu mudei de idéia a tempo de ter a sorte de encontrar as edições 3 e 4 simultaneamente na banca. Mesmo com R$ 9,90 a mais no orçamento reservado a HQs, já inchado com os oito títulos Panini/DC, mais especiais e minis, posso dizer que vale o sacrifício. Pixel Magazine é, como se diz, "pule de dez" para o Troféu Catapop 2008.

As duas únicas séries publicadas em todas as edições, Constantine e Planetary, são de uma regularidade invejável. Não há trama do Constantine que não nos deixe com a pulga atrás da orelha, que não nos cause reflexão. Do mesmo modo, não há aventura do Planetary que deixe de nos surpreender, com a melhor mistura de História e ficção científica disponível no ramo de super-heróis.

A trama de Fábulas publicada na edição 3 foi um bom cartão de boas-vindas aos que, como eu, não tinham conhecimento da série. Colocar as criaturas das fábulas em um contexto de contemporaneidade não é uma idéia exatamente nova, mas, não me lembro de ter visto alguém mais feliz na empreitada do que Bill Willingham. Um arco das Mil e Uma Noites foi publicada em forma de minissérie, recentemente.

Promethea (anunciada como "a nova série de Alan Moore", embora date de 1999) é tudo que se anunciou: diferente, inesperada, grandiosa e cheia de citações históricas e culturais como pouco se vê por aí. O texto do mago de Northampton está afiado e os desenhos de J.H. Williams III, também. Ainda bem, porque se dependesse das historietas de Cobweb, eu julgaria que a fama de Moore é produto de superestimação.

Para as edições 3, 4 e 5 de Pixel Magazine, respectivamente, notas 9, 10 e 10.

17/08/2007

Grandes Clássicos DC 10

Grandes Clássicos DC 10 - Lendas

Lendas foi a primeira grande saga da DC após Crise Nas Infinitas Terras. A trama foi dividida entre Len Wein e John Ostrander, ficando os desenhos a cargo do então superstar John Byrne (antes de começar a colecionar polêmicas baratas) e arte-final de Karl Kesel. O status de clássico da história é discutível: se por um lado ela tem lugar cativo no coração dos decenautas por apresentar personagens que seriam bastante queridos nos anos seguintes (o Esquadrão Suicida e, principalmente, a ainda embrionária Liga da Justiça cômica), por outro, está bem longe de ser um poço de inspiração.

Em Lendas, a comunidade heróica passa por problemas, quando um pretenso psicólogo chamado G. Gordon Godfrey (na verdade, o subalterno de Darkseid, Glorioso Godfrey) passa a insuflar a população contra os heróis, a quem acusa de fazer mais estragos do que bem. Mais do que meramente palavras convincentes, Godfrey possui um poder de sutil manipulação mental, que limita o discernimento das pessoas e as faz perder o controle, até mesmo em situações bem simples. Acuados pela pressão popular e por uma medida do governo que restringe suas atividades (alô, Guerra Civil!), os heróis agora precisam defender-se daqueles que deveriam proteger.

Entre os problemas da história, pode-se falar do broxante fato de a gente já saber, desde o começo, que a revolta popular contra os heróis é instigada por Darkseid e seus asseclas. Melhor seria ter deixado a gente na dúvida se era tudo espontâneo ou não, e só depois revelar as maquinações do soberano de Apokolyps. Como era costume na época, há muitos recordatórios e balões explicativos, mas, os diálogos entre Darkseid e o Vingador Fantasma chegam a cansar, tamanha a superficialidade e a repetição de argumentos.

E, embora a compreensão geral não seja prejudicada, os tie-ins publicados nas revistas de linha fazem certa falta, principalmente os que mostram o fim da Liga da Justiça (fase Detroit) nas mãos do Professor Ivo (Vibro e Gládio morrem em ataques de andróides do professor, e J'onn J'onzz debanda a equipe). Numa hora, a Liga inteira aparentemente sucumbe a um ataque de Enxofre, depois, J'onn aparece sozinho anunciando o fim do grupo. A passagem do Superman por Apokolyps também é apenas sugerida.

Mas, há curiosidades divertidas: primeiro, Jason Todd mostrando que já tinha vocação para saco de pancada antes mesmo de conhecer o Coringa; no contexto pós-Crise, os heróis estão em atividade há relativamente pouco tempo e a Mulher-Maravilha, por exemplo, só então vem a público; a Canário Negro usa o uniforme azul que ela hoje ridiculariza em Aves de Rapina; e o ápice do nonsense é o fato de um guri de 12 anos, Billy Batson (duuhh, o Capitão Marvel!) ter um talk show! Ele entrevista Gordon Godfrey a sério e ninguém vê nada demais nisso!

Pesados os prós e contras, republicar Lendas foi uma boa iniciativa da Panini, já que a Editora Abril publicou a saga (em 1988) mutilada e em formatinho. Nota 8,0.

Grandes Clássicos DC 10: Lendas - Panini - 164 páginas em LWC - R$ 18,50

14/08/2007

Resumão Panini/DC Julho 2007

Resumão Panini/DC Julho 2007

Como reviews de HQs costumam ter baixo impacto junto aos nossos leitores, resolvi juntar meus comentários sobre as edições mensais em um único post, numa lista de melhores e piores, comentando apenas os primeiros colocados em cada categoria. Reviews individuais, agora, só para minisséries e especiais.


As cinco MELHORES histórias do mês:

#1 - Xeque-Mate: "Jogo de Reis", parte 2 (roteiro de Greg Rucka, arte de Jesus Saiz, publicada em Universo DC 2)
Quem escrevia as histórias da Supergirl era um skrull. Este aqui, sim, é o Greg Rucka que amamos, capaz de nos envolver em intrigas inteligentes e diálogos primorosos. Foi assim em Gotham Central e Projeto OMAC, e é assim agora em Xeque-Mate. Política suja, conflitos ideológicos, um vilão ressuscitado (o Kobra) e a tara de Sasha Bordeaux por gênios: sai o Batman, entra (e sai, e entra, e sai...) o Sr. Incrível.

#2 - Lanterna Verde: "A Vingança Dos Lanternas Verdes", parte 3 (roteiro de Geoff Johns, arte de Ivan Reis, publicada em Liga da Justiça 56)

#3 - Superman: "Para o Alto e Avante!", parte 5 (roteiro de Kurt Busiek e Geoff Johns, arte de Pete Woods, publicada em Superman 56)

#4 - Aves de Rapina: "Descendência", parte 3 (roteiro de Gail Simone, arte de Paulo Siqueira, publicada em Novos Titãs 37)

#5 - Arqueiro Verde: "Rastejando em Meio aos Destroços", parte 3 (roteiro de Judd Winick, arte de Scott McDaniel, publicada em Superman & Batman 25)

Menção Honrosa - "Quem é a Mulher-Maravilha?" (roteiro de Allan Heinberg, arte de Terry Dodson, publicada em Os Melhores do Mundo 1) e "Batman e os Homens-Monstros" (roteiro e arte de Matt Wagner, publicada em Batman Extra 1, setorizada)


As cinco PIORES histórias do mês:

#1 - Asa Noturna: "Dupla Insanidade" (roteiro de Bruce Jones, arte de Paco Diaz, publicada em Batman 56)
Ok, o retorno de Jason Todd foi uma idéia de jegue da DC, mas, não deve ser impossível fazer algo interessante com ele. O que não dá pra agüentar é essa fixação com Dick Grayson (que ele mal conhecia) e ver o pobre Dick desfilando com uma roupa "inspirada" em seu próprio traje de vigilante. Aposto que Bruce Jones anda tomando água da privada.

#2 - Superman & Batman: "Esqueça" (roteiro de Mark Verheiden, arte de Kevin Maguire, publicada em Superman & Batman 25)

#3 - Sociedade da Justiça: "Os Vivos Devem Pagar?", roteiro de Paul Levitz, arte de Rags Morales e Luke Ross, publicada em Liga da Justiça 56)

#4 - Íon: "O Herdeiro", parte 1 (roteiro de Ron Marz, arte de Greg Tocchini, publicada em Os Melhores do Mundo 1)

#5 - Robin: "Respostas Difíceis" (roteiro de Adam Beechen, arte de Freddie E. Williams II, publicada em Novos Titãs 37)

Menção Desonrosa - Renegados: "Lutando Por Uma Boa Causa", parte 3 (roteiro de Judd Winick, arte de Matthew Clark, publicada em Novos Titãs 37) e "Batalha Por Blüdhaven", parte 2 (roteiro de Justin Gray e Jimmy Palmiotti, arte de Dan Jurgens, publicada em Universo DC 2).

Surpresas do mês: Joe Kelly salvando a insuportável trama da Supermoça em Kandor (Superman 56). Não restou muito para salvar, contudo. O Aquaman de Kurt Busiek e Butch Guice (Superman & Batman 25) também foi bem melhor este mês.

Não cheirou, nem fedeu: Novos Titãs, apesar do interessante atrito psicológico com Niles Caulder, o chefão da Patrulha do Destino. O arco de James Robinson para o Batman também entra aqui, pelos equívocos dos capítulos 5 e 6 (veja aqui review de Batman 56).

Capa mais bonita de Julho: Os Melhores do Mundo 1


Capa mais feia de Julho: Universo DC 2

08/08/2007

Duro de Matar 4.0

Duro de Matar 4.0
por The Batman

Sem muita enrolação: Duro de Matar 4.0 é um filmaço e você deve ir ao cinema assisti-lo. O roteiro é profundo feito um pires e as leis da lógica e da física são constantemente desafiadas por John McClane (Bruce Willis, de volta ao papel que o consagrou há quase 20 anos). Tudo bem, pois a história, afinal, não passa de mero recheio entre as cenas de ação, e o que a gente quer mesmo ver em um filme dessa série? McClane detonando bandidos de formas criativas, explodindo prédios e realizando proezas dignas de um Superman!

No dia em que volta à ação, McClane está tendo problemas com a filha rebelde sem causa, Lucy (Mary Elisabeth Winstead), e recebe instrução de proteger o hacker Matthew Farrell (justin Long), que pode tornar-se a próxima vítima, num dia em que sete outros hackers já haviam morrido misteriosamente. Durante a visita, claro, o rapaz é violentamente atacado e McClane é arrastado para dentro de uma conspiração para detonar toda a infra-estrutura dos Estados Unidos, usando programas "inocentemente" criados pelos hackers mortos ou por morrer.

O caos criado é tão intenso e demora tanto a ser explicado, que a gente fica pensando se existe, afinal, um motivo para tudo aquilo. Existe, sim, o motivo de sempre: um gênio incompreendido e injustiçado quer vingança e uma montanha de dinheiro. Thomas Gabriel (Timothy Olyphant) não tem o carisma de um Hans Gruber (aliás, quem tem?), mas, dá bastante trabalho a McClane, que se mete a fazer loucuras como meter um carro no poço do elevador, usar outro para derrubar um helicóptero e saltar da cauda de um avião descontrolado!

Dizer que Duro de Matar 4.0 atualiza a franquia para o século 21 é besteira: não há nada de atual neste filme! Ele é um monstro oitentista, um típico filme do gênero exército-de-um-homem-só, na linha Rambo e Comando Para Matar, só que agora com mais retoques digitais, ritmo ainda mais acelerado e sem o ranço patriótico obrigatório à época. E, meu Deus, como Bruce Willis precisava de um filme empolgante assim, para colocar sua carreira nos eixos! A gente também precisava, pois o verão americano de 2007 foi pródigo em filmes fracos e este é um dos poucos que realmente valem o ingresso. Nota 9,0.

52 #1

52 #1

Crise Infinita foi uma tremenda decepção, tanto no propósito (trazer de volta a bagunça dos multiversos) quanto na realização (ritmo irregular, conflitos desinteressantes e desenhistas tapa-buracos quebrando a uniformidade da coisa). A cronologia das revistas de linha deu um salto de um ano (esta, sim, uma jogada inteligente da DC), período no qual muitas mudanças ocorreram, deixando os leitores curiosos. Agora, 52 chega para mostrar o que aconteceu durante este ano "perdido", em que o mundo não pôde contar com a proteção de Superman, Batman e Mulher-Maravilha.

O ritmo da história é bastante acelerado, focando em cinco personagens principais: o Homem-Elástico (ainda deprimido com a morte de Sue Dibny e às voltas com uma pichação em kryptoniano sobre seu túmulo), Aço (tentando controlar a rebeldia da sobrinha Natasha), Questão (buscando a ajuda de Renée Montoya na proteção de Gotham), Gladiador Dourado (preocupado com "erros" na história que indicam problemas no tempo - e, claro, acenam para uma nova Crise) e Adão Negro.

O caso do Adão Negro é o mais interessante. Vilão particular de um herói (o Capitão Marvel) que nunca deu sorte em uma série contínua, Adão poderia ter caído no esquecimento junto com ele. No entanto, desde que passou a integrar a Sociedade da Justiça, em busca de "recuperação", ele foi ganhando mais e mais importância dentro do universo DC, tornando-se o mais próximo que a editora tem hoje de um Magneto: um vilão temível e fabuloso, que os leitores adoram odiar. Em 52, o Adão abre uma embaixada do Kahndaq nos EUA e, no seu discurso inaugural, em frente às câmeras, deixa bem claro que não vai tolerar abusos meta-humanos, na ausência do trio de maiorais.

Os roteiros da revista foram divididos entre gente grande da DC: Grant Morrison, Mark Waid, Geoff Johns e Greg Rucka. A arte é do brazuca Joe Bennett, exceto por um chato epílogo estrelado pela chata Tróia, escrito pelo chato Dan Jurgens e desenhado por Art Thibert. Ele não é chato, mas, seus desenhos também não têm o menor encanto. Nota 8,0.

52 #1 (de 13) - Panini - 100 páginas - R$ 6,90.