23/09/2007

DVD: Borat

Borat

Cabe um aviso: você não deve alugar este filme achando que vai morrer de rir. Borat não é tão engraçado quanto se pretende ou quanto se anuncia na capa do DVD. O humor das constrangedoras situações em que o repórter se mete (e que impõe a típicos manés americanos) é daquele que gera mais caras de espanto do que sorrisos frouxos - afinal, você dificilmente concebe alguém “normal” com tamanha cara-de-pau pra cometer aquelas insanidades.

Com seu documentário de mentira, Sacha Baron Cohen (o Borat, óbvio) atira para todos os lados, escrachando igualmente com muçulmanos e judeus, homossexuais e homofóbicos, feministas, caubóis, religiosos e políticos. Recebido em festas e programas de TV como legítima celebridade cazaque, confuso com as diferenças de costumes, Borat impõe saias-justas inacreditáveis, como quando corre pelado atrás de seu também pelado assistente Azamat (um homem de corpo indecentemente obeso) pelos corredores de um hotel de luxo, depois de uma briga que mais parecia um acasalamento.

Outro momento impagável é quando é recebido para um jantar num desses carolas estados do sul dos EUA e choca os presentes com revelações sobe sua família e o desfecho de uma prosaica ida ao banheiro. Durante um rodeio, exorta o patriotismo dos caipiras e recebe aplausos entusiasmados, para logo em seguida deixá-los sem graça com pequenas verdades sobre a Guerra do Iraque. E durante todo o filme, a paixão de Borat pela peituda Pamela Anderson rende momentos memoráveis.

Para curtir Borat, enfim, é preciso estar em dia com os noticiários. É uma comédia com prazo de validade e ligeiramente indigesta, não daquelas para reunir a família em volta de uma bacia de pipoca. Vale pelo formato incomum de cinema-mentira e pela capacidade de Sacha Baron Cohen de manter a concentração em situações que fariam qualquer um mais normal soltar o riso e entregar a piada. Nota 7,0.

17/09/2007

Resumão Panini/DC - Agosto 2007

Resumão Panini/DC - Agosto 2007

As cinco MELHORES histórias do mês:

1 - Lanterna Verde: "A Vingança dos Lanternas Verdes", parte 4 (roteiro de Geoff Johns, arte de Ivan Reis, publicada em Liga da Justiça 57)
Pense em quantos escritores você conhece que ressuscitariam uma personagem com uma desculpa tão genialmente esfarrapada, sem parecer ridículo ou forçado, como Johns fez com a lanterna verde Arísia. Sem falar que a série tem ação espacial incomparável. O páreo com Xeque-Mate é duro, mas, o Lanterna ganha por um anel de vantagem.

2 - Xeque-Mate: "Jogo de Reis", parte 3 (roteiro de Greg Rucka, arte de Cliff Richards, publicada em Universo DC 3)

3 - Superman: "Para o Alto e Avante", capítulo 7 (roteiro de Kurt Busiek e Geoff Johns, arte de Pete Woods, publicada em Superman 57)

4 - Batman: "Cara a Cara", parte 7 (roteiro de James Robinson, arte de Leonard Kirk, publicada em Batman 57)

5 - Aquaman: "Bem Fundo" (roteiro de Kurt Busiek, arte de Butch Guice, publicada em Superman & Batman 26)

Menção Honrosa: "Batman e os Homens-Monstros", conclusão (roteiro e arte de Matt Wagner, publicada em Batman Extra 2, setorizada); Superman Confidencial: "Kryptonita", roteiro de Darwyn Cooke, arte de Tim Sale, publicada em Superman 57); Pacto das Sombras: "O (Curto) Ano em que Vivemos Perigosamente" (roteiro de Bill Willingham, arte de Cory Walker, publicada em Universo DC 3).

As cinco PIORES histórias do mês:

1 - Asa Noturna: "Desculpe por Tocar no Assunto" (roteiro de Bruce Jones, arte de Paco Diaz, publicada em Batman 57)
Bicampeão! Esta série nem merece comentários, mas, preciso fazer meu trabalho sujo. De herdeiro do maior detetive do mundo, o Asa caiu à condição de inimigo de ex-mortos, transmorfos e vilões mequetrefes como os Irmãos Pierce, além de enfrentar um inacreditável ataque de pelanca de sua nova namorada! Triste sina, a de Dick Grayson. Alguém sabe se isso um dia melhora?

2 - Sociedade da Justiça: "A Estrada dos Salteadores" (roteiro de Paul Levitz, arte de Jerry Ordway e Luke Ross, publicada em Liga da Justiça 57)

3 - Supergirl: "Grande Garota, Mundo Pequeno" (roteiro de Joe Kelly, arte de Ian Churchill, publicada em Superman 57)

4 - Renegados: "Cinza e Prata", parte 1 (roteiro de Judd Winick, arte de Tom Grindberg e Matthew Clark, publicada em Novos Titãs 38)

5 - "A Batalha por Blüdhaven", parte 3 (roteiro de Justin Gray e Jimmy Palmiotti, arte de Dan Jurgens, publicada em Universo DC 3)

Menção Desonrosa: Sexteto Secreto: "Seis Graus de Devastação", parte 3 (roteiro de Gail Simone, arte de Brad Walker, publicada em Universo DC 3); Flash: "Rápido Como um Raio Engarrafado" (roteiro de Danny Bilson e Paul Demeo, arte de Ken Lashley, publicada em Os Melhores do Mundo 2); Aves de Rapina - "Descendência", final (roteiro de Gail Simone, arte de Joe Prado, publicada em Novos Titãs 38)

Surpresa do Mês: depois de um começo pavoroso, Mark Verheiden escreve uma história de Superman & Batman que é, pelo menos, divertida. A LJA Confidencial de Howard Chaykin (Liga da Justiça 57) também teve dois capítulos bem interessantes este mês.

Não fedeu, nem cheirou: a conclusão de "Cara a Cara" (Batman 57). As motivações do Duas-Caras parecem confusas demais, assim como vai-e-vem da história. Pelo menos, a adoção de Tim Drake por Bruce Wayne garantiu alguma emoção.


Capa mais bonita do mês: Batman 57


Capa mais feia do mês: Superman & Batman 26

08/09/2007

Top 10 Brasil - Anos 80 (The Batman)

Top 10 Brasil - Anos 80
por The Batman

Atendendo a pedidos, está na hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor! Um Top 10 nacional dos anos 80 era até inevitável, pois foi quando o pop/rock do Brasil viveu seu maior boom. A produção da época freqüenta as rádios e o repertório alheio até hoje, além de ajudar a pagar as contas atrasadas de velhos artistas que querem sempre pegar uma beiradinha dessa onda nostálgica que não cessa.

Vai faltar muito coisa boa, claro; mas, dane-se. Minha lista, sem ordem de preferência, ficou assim:

"Quase Sem Querer" - Legião Urbana
Putz, como é difícil escolher UMA canção inesquecível entre as dezenas de obras-primas legadas por Renato Russo, principalmente nos primeiros anos da Legião Urbana. Esta (de 1986) ganhou de escolhas mais óbvias, como "Será" ou "Tempo Perdido", porque é um raro momento de alegria do normalmente melancólico Renato. O cara ainda faz miséria com o violão, no longo final instrumental.

"Diversão" - Titãs
Os Titãs de hoje, desfalcados de Arnaldo Antunes, Nando Reis e do falecido Marcelo Fromer, são pouco mais do que patéticos. Difícil acreditar que já foram caras capazes de alta combustão. Cabeça Dinossauro é o maior clássico da banda, mas, esta faixa de Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas (1987) combina peso rock e eletrônica criativa com perfeição, e Paulo Miklos tem um de seus momentos mais felizes no vocal.

"Você Não Soube Me Amar" - Blitz
Não dava pra deixar a galera do "rock de bermuda" sem representação, e quem melhor do que a Blitz pra isso? Este single histórico, de 1982, mudou a cara do pop nacional, ao peitar a bundona MPB e sua "inteligência", com uma linguagem feita por e para os jovens. Humor nonsense e tino pop, sem as apelações escatológicas que fizeram a fama, por exemplo, dos Mamonas Assassinas.

"Tempos Modernos" - Lulu Santos
Se eu não estivesse tão determinado a não repetir artistas, provavelmente teria que ocupar umas cinco posições desta lista com músicas de Lulu Santos. "Tempos Modernos", de 1982, é séria sem ser carrancuda, sua letra é profunda sem ser complicada e deve ser o único hino de esperança no futuro que não é uma maletagem-cabeça presente em 10 entre 10 rodinhas de violão.

"Tudo Que Eu Quero (Tranqüilo)" - Ritchie
Foi preciso chegar um inglês que cantava com português cheio de sotaque para elevar o nível das produções nacionais, presa a timbres pífios e soluções baratas. Ninguém se lembra dos discos de Ritchie que sucederam Vôo De Coração (1983), mas, este é um verdadeiro pacotão de hits. Esta balada inteligente, delicada e emocionante fecha o clássico disco com chave de ouro.

"Nós Vamos Invadir Sua Praia" - Ultraje A Rigor
Roger Moreira é famoso por seu QI altíssimo. Para nossa sorte, ele sempre foi generoso o suficiente para compartilhar sua inteligência conosco, em punk rocks e rockabillies alucinados. Esta faixa, de 1985, celebra a invasão paulista no BRock, até entáo dominada por cariocas. Dá até pra perdoar o constrangedor (em todos os aspectos) ensaio para a G Magazine.

"Corações Psicodélicos" - Lobão & Os Ronaldos
Lobão teve uma trajetória cheia de altos e baixos. Suas canções são ora contundentes ("Vida Bandida", "Revanche", "A Vida É Doce"), ora doces e tranqüilas ("Chorando No Campo", "Essa Noite Não" e esta canção que escolhi). Esta simpática balada de 1984 ganhou até versão bossa nova, pelas mãos do pai da criança, João Gilberto (argh!).

"Meu Erro" - Os Paralamas Do Sucesso
Em seus dois primeiros discos, Herbert, Bi e Barone nada mais faziam do que imitar o Police - mas, Deus, como eles faziam isso bem! Praticamente todas as faixas de O Passo Do Lui (1985) viraram hits e esta já dava pistas do soberbo baladeiro que Herbet Vianna viria a revelar-se, disputado até por estrelas da MPB.

"Dias De Luta" - Ira!
Depois que baixei In The City, do Jam, descobri que a banda de Paul Weller era o "Police do Ira!". A semelhança chega a ser assustadora. Mesmo assim, não dá para negar o brilho de Vivendo E Não Aprendendo (1986), de onde saiu esta faixa de delicada ingenuidade adolescente.

"Obrigado" (Por Ter Se Mandado)" - Cazuza
Ok, confesso: esta é uma escolha absolutamente pessoal e questionável, tirada de Ideologia (1988). O Barão até merecia mais, o próprio Cazuza tem canções melhores em sua carreira solo, mas, esta é uma cacetada de primeira grandeza no ego de algum desafeto. É tão forte que eu tenho que postar a letra, para você, que não a conhece, poder acreditar.

Obrigado por ter se mandado / Ter me condenado a tanta liberdade / Pelas tardes, nunca foi tão tarde/ Teus abraços, tuas ameaças

Obrigado por eu ter te amado / Com a fidelidade de um bicho amestrado / Pelas vezes que eu chorei sem vontade / Pra te impressionar, causar piedade

Obrigado por ter se mandado / Ter me acordado pra realidade / Das pessoas que eu já nem lembrava / Pareciam todas ter a tua cara

Obrigado por não ter voltado / Pra buscar as coisas que se acabaram / E também por não ter dito obrigado / Ter levado a ingratidão bem guardada

Pelos dias de cão, muito obrigado / Pela frase feita / Por esculhambar meu coração / Antiquado e careta / Me trair, me dar inspiração / Pra eu ganhar dinheiro