19/12/2007

Las Palabras de Amor

Las Palabras de Amor

O Queen volta à minha vida em ciclos. Durante os primeiros anos da minha juventude (eu sou jovem até hoje, ora!), gostava de ver aqueles vídeos extravagantes, grandiosos, alguns com efeitos especiais bacanas e estava aprendendo a curtir a boa música gringa. Passaram os anos, Freddie Mercury morreu e o Queen saiu da ordem do dia. No começo desta década, fui novamente despertado para a qualidade da música de Freddie & Cia. pelo amigo Alex (aniversariante do dia!), regular leitor e comentarista deste blog, além de fã ferrenho da banda. Agora, perto do fim da década, convivo com outro fã incondicional, meu colega professor Fabiano.

O gosto é uma coisa relativa, mas é fácil entender a adoração que o Queen provoca em seus fãs: todos tocavam muito bem, todos cantavam muito bem e Freddie Mercury provavelmente foi a mais completa criatura de palco que o showbusiness viu nascer. Suas canções são musicalmente refinadas e, ao mesmo tempo, incrivelmente pop. Para quem entende inglês, existe ainda um atrativo extra: muito antes de a auto-ajuda virar a muleta para escritores medíocres que é hoje, o Queen já falava abertamente da necessidade de os seres humanos se amarem. Freddie Mercury gritava sobre e contra o vazio existencial em canções que explodiam em refrãos apaixonantes e sem medo de que parecesse brega fazê-las ostentar títulos como “amigos serão amigos”, “salve-me”, “você é meu melhor amigo” e “amor demais pode te matar”.

Pode soar melodramático, mas artistas como Mercury e (diferenças musicais à parte) Renato Russo tornaram-se objeto de adoração não apenas porque cantavam como poucos, mas porque tinham a capacidade de dar esperança a quem os ouvia. Não deixa de ser irônico que ambos tenham sucumbido à mesma enfermidade (ainda) sem esperança de cura, a AIDS. Ambos também seguiram trabalhando até o limite de suas forças e fizeram de seus últimos trabalhos em vida (Innuendo e A Tempestade) lamentos dolorosos sobre a inevitabilidade do fim.

Artistas assim fazem muito mais falta hoje. Parece não haver tempo para esta nova geração refletir sobre qualquer coisa que não esteja no alcance da órbita do seu próprio umbigo e, quando o fazem, é com a pobreza poética de um Jota Quest, por exemplo. Talvez não haja mais lugar para popstars de caráter messiânico nos tempos que correm. A velocidade com que a produção musical é feita, consumida e descartada deixa pouco espaço para sutilezas líricas ou aprofundamentos psicológicos.

Os grandes males a ser combatidos neste século não são apenas as causas e efeitos da destruição ambiental: o egoísmo, a indiferença e o desrespeito fazem estragos muito mais profundos e duradouros. Pouco vai adiantar preservar o planeta se a gente não descobrir uma maneira de viver juntos. Não faz sentido viver num planeta em que crianças dão gargalhadas sarcásticas quando perguntados se vão à igreja – bem ou mal, lá ainda se aprendem valiosas lições de amor ao próximo. Vamos torcer para que, em 2008, mais gente descubra Freddie Mercury e tenha a coragem de olhar para a pessoa ao lado e dizer: “salve-me / salve-me / eu não consigo enfrentar esta vida sozinho”.

Feliz Natal a todos os que passarem por aqui. Nós os amamos.

“Las Palabras de Amor” é uma canção do Queen que consta do disco Hot Space (1981) e a ilustração do post é a de uma estátua de Freddie Mercury em Montreux, Suíça, à beira do Lago Genebra.

15/12/2007

Resumão Panini/DC - Novembro 2007

Resumão Panini/DC - Novembro 2007

Novembro foi mesmo um mês especial para os decenautas. Não apenas por causa dos belos pôsteres encartados nas edições 60 de Batman, Superman e Liga da Justiça (com arte de Alex Ross), mas, também, porque até mesmo séries chinfrins como Robin, Íon e Batalha Por Blüdhaven tiveram capítulos decentes - e os Titãs de Geoff Johns finalmente reencontraram a trilha da aventura.


As cinco MELHORES histórias do mês:

1 - Batman: "Batman & Filho", parte 3 (roteiro de Grant Morrison, arte de Andy Kubert, publicada em Batman 60)
Um momento bastante esperado: o filho adotivo de Bruce Wayne, Tim Drake, encontra (e enfrenta) o suposto filho biológico, Damian. Não sou a favor de spoilers, mas você precisa saber e, diante disso, indignar-se ou vibrar: o moleque lava o chão com o Robin. Como se fosse pouco, dá provas de que sabe tudo de combate ao crime... lá do jeito dele. Morrison nos diverte colocando o Morceg
o atônito diante da novidade de ter em casa um filho insuportável como Damian. Sem dúvida, o grande momento do Batman em anos.

2 - Liga da Justiça: "O Rastro do Tornado", parte 2 (roteiro de Brad Meltzer, arte de Ed Benes, publicada em Liga da Justiça 60)

3 - Superman: "A Queda de Camelot", partes 3 e 4 (roteiro de Kurt Busiek, arte de Carlos Pacheco, publicada em Superman 60)


4 - Xeque-Mate: "Esquadrão Paralelo", parte 1 (roteiro de Greg Rucka, Nunzio de Phillips e Christina Weir, arte de Cliff Richards, publicada em Universo DC 6)

5 - Novos Titãs: "Volta Ao Mundo", parte 3 (roteiro de Geoff Johns, arte de Tony S. Daniel, publicada em Novos Titãs 41)




As cinco PIORES histórias do mês:

1 - Renegados: "Cientistas Loucos", parte 1 (roteiro de Judd Winick, arte de Matthew Clark e Ron Randall, publicada em Novos Titãs 41)
No comecinho, os Renegados de Judd Winick tinham aquele jeitão de blockbuster, com ação grandiosa e diálogos rápidos e divertidos. Com o tempo, Winick parece que foi perdendo o tesão de escrever a série, metendo os heróis em conflitos sem-graça e fazendo-os enfrentar seguidamente vilões bananas como Cérebro e Mallah. A engraçada paixão homossexual platônica entre o cientista e o gorila ajuda a aliviar a ruindade com alguns bons diálogos, mas, no geral, Winick perdeu a mão e o rumo.

2 - Asa Noturna: "Resoluções" (roteiro de Bruce Jones, arte de Robert Teranishi, publicada em Batman 60).

3 - Supergirl: "Peixe Fora D'Água" (roteiro de Joe Kelly, arte de Joe Benitez, publicada em Superman 60).

4 - Aves de Rapina: "Caçada", parte 3 (roteiro de Gail Simone, arte de James Raiz, publicada em Novos Titãs 41)

5 - Flash: "Rápido Como Um Raio Engarrafado", parte 5 (roteiro de Danny Bilson e Paul Demeo, arte de Ron Adrian, publicada em Os Melhores do Mundo 5)


Mestres do Lápis: Carlos Pacheco (Superman) e Tim Sale (Superman Confidencial)

Mestres da Foice: Matthew Clark (Renegados, Superman & Batman) e Brad Walker (Sexteto Secreto)


Capa mais bonita do mês: Liga da Justiça 60


Capa mais feia do mês: Superman & Batman 29

14/12/2007

2007 no Retrovisor - Música

2007 no Retrovisor - Música

Você não vai negar: os artistas black dos EUA estão sempre descobrindo novos timbres e batidas impossíveis de se resistir; as mulheres são todas umas gostosonas e sabem disso muito bem; os clipes são convites à lascívia, com todo aquele luxo e aquela galera malhada se pegando sem pudor. Dá pra entender por que eles não arredam pé do alto das paradas – afinal, é isso mesmo que o povo quer ver. Mesmo assim, continuo achando pernicioso e superficial, nada além de uma versão mais endinheirada do gangsta rap, agora endossada por mulheres como Beyoncé, Rihanna e Pussycat Dolls, que fizeram das próprias bundas o centro do seu universo. Por muito menos, a gente crucificou a pobre Carla Perez.

Apesar disso, 2007 é um ano que vai deixar saudade. Como reclamar de um período que foi aberto com o estouro de Amy Winehouse (Back To Black) e a chegada de Mika (Life In Cartoon Motion)? Arctic Monkeys e The Arcade Fire justificaram a adoração da estréia, com segundos álbuns sensacionais (respectivamente, Favourite Worst Nightmare e Neon Bible). Até o antes inofensivo Maroon 5 saiu-se com um trabalho de gente grande (It Won’t Be Soon Before Long), enquanto Norah Jones manteve a classe habitual (com Not Too Late). Como se fosse pouco, o Wilco retomou a trilha folk, abandonada desde Being There (1996), para nos entregar o maravilhoso Sky Blue Sky.

Este também foi o ano em que a indústria sacou que precisa aprender a sobreviver sem vender CD. Dois grandes artistas abriram a pontapés as portas da nova era: Prince e Radiohead. O primeiro liberou três milhões de downloads do seu Planet Earth, além de encartá-lo de brinde em um jornal. O Radiohead foi mais longe e jogou para o ouvinte a responsabilidade de dizer o quanto valia seu trabalho, como naquele velho comercial das Casas Bahia: “quer pagar quanto?”. Como tudo que é bom dura pouco, os downloads gratuitos já foram suspensos e In Rainbows acaba de ganhar plataforma física (ou seja, o CD).

Aqui no Brasil, não houve muito a comemorar, mas, pelo menos, o cenário não foi desolador como em 2006. Se, por um lado, o filme Tropa de Elite trouxe de volta um nefasto canto de guerra dos pitboys (“Tropa de Elite”, a canção do Tihuana) e transformou em febre um funk proibidão (“Funk das Armas”, MCs Júnior e Leonardo), por outro, tivemos a volta do eternamente contradiório Lobão às grandes gravadoras, depois de anos de guerra – mas, diante da beleza pungente do seu Acústico MTV, quem há de censurá-lo? Fazendo o caminho inverso, o Pato Fu lançou o delicado Daqui Pro Futuro, enquanto Sim transformou Vanessa da Mata em superstar da MPB, derrubando Ivete Sangalo do alto das paradas, com seu dueto com Ben Harper (“Boa Sorte/Good Luck”). Perto do fim do ano, a Nação Zumbi se reinventa e lança mais um manifesto contra a mediocridade, Fome de Tudo.

Mais um motivo para estourar o champagne: em 2007, não fuçaram nos restos da obra de Renato Russo, em busca de gravações tecnicamente pífias e com vocais decadentes. Melhor assim.


Top 5 2007 - Músicas Internacionais

Amy Winehouse - "Rehab"
Arctic Monkeys - "Brianstorm"
Maroon 5 - "Makes Me Wonder"
Mika - "Grace Kelly"
Wilco - "Impossible Germany"

Vade Retro: Rihanna & Jay-Z - "Umbrella"


Top 5 2007 - Músicas Nacionais

Capital Inicial - "Aqui"
Carlinhos Brown - "Te Amo Família"
Lobão - "Vou Te Levar"
Nando Reis - "Espatódea"
Vanessa da Mata - "Você Vai Me Destruir"

Vade Retro: MCs Júnior e Leonardo - "Rap das Armas"

Cartazes de The Dark Knight

Cartazes de The Dark Knight

Dois ótimos motivos para você roer as unhas e desejar o fim de 2007:



Atualizando: TRÊS motivos!

11/12/2007

Resultado da Promoção Will Eisner

Resultado da Promoção Will Eisner

O rabudo ganhador da primeira grande promoção do Catapop é o leitor Thiago Messias! Nosso amigo vai receber em casa o livro Um Contrato Com Deus, a primeira graphic novel da história, em edição da Devir com luxuoso acabamento!

O método de sorteio foi o mais cientificamente comprovado de todos: papéis com os nomes dos 23 comentaristas do período da promoção, dobrados e jogados para o alto com precisão zero. O que caísse na minha mão seria o ganhador, e assim foi.

Parabéns ao Thiago! Quanto a você que não ganhou, não desista! O Catapop tem boas surpresas reservadas para 2008! Continue visitando e comentando!

04/12/2007

DVD: Dreamgirls

DVD: Dreamgirls

Filmes sobre a época de ouro da soul music sempre valem a pena. Afinal, mesmo quando a história é uma droga, a música costuma ser uma maravilha. Não é diferente com Dreamgirls, musical de Bill Condon (Chicago), estrelado por Eddie Murphy, Jamie Foxx, Beyoncé Knowles e a vencedora do Oscar 2007, Jennifer Hudson. O filme é baseado em um musical homônimo da Broadway.

A história das Dreamettes, trio formado por Effie White (Hudson), Deena Jones (Beyoncé) e Lorrell Robinson (Ainka Noni Rose) é livremente inspirada na trajetória das Supremes, girl group de onde saiu Diana Ross. Cobrindo cerca de 20 anos de história, o filme tem origem na fase áurea do R&B (quando cantores de fato cantavam, ao invés de fazer rap e dizer 'ahn, ahn'), lá pela metade dos anos 60. Depois de anos de tentativas frustradas em concursos e festivais, a chance de sucesso das Dreamettes chega com Jimmy Early (Eddie Murphy), um cantor que se acha muito maior do que realmente é. Contratadas como backing singers, elas logo descobrem que o showbiz é cheio de traições, drogas, armadilhas, e que nem tudo que se combina é o que se cumpre.


Não bastasse este clichê-mor, ainda há o para lá de óbvio conflito entre a talentosa e problemática Effie e suas colegas, regado a ciúmes artísticos e pessoais, principalmente em relação a Deena Jones, com voz menos educada, mas muito mais bonita, e que logo torna-se a preferida dos empresários e do público. Na vida real, foi assim com Diana Ross, a menos talentosa das três Supremes, mas que subiu a um nível de estrelato só imaginado pelas outras duas (Mary Wilson e Florence Ballard), graças à sua beleza e sensualidade.


Conforme o filme avança no tempo e aquela soul music alto astral vai dando lugar à baba açucarada do fim dos anos 70 e início dos 80, os números musicais (usados também para contar a história) vão se tornando cada vez mais longos e melosos, chegando a níveis insuportáveis na seqüência que culmina no desligamento de Effie White do grupo. É um suplício de exibicionismo vocal, daqueles de deixar Whitney Houston com urticária. Se você estiver num bom dia e superar o tédio avassalador de passagens como esta, há de se divertir, pois o elenco está todo muito bem - embora indicar Beyoncé a qualquer prêmio tenha sido um exagero - e, como eu disse no início, boa parte das canções originais compensa certos deslizes. Nota 7,0.