26/12/2008

With a little help from my friends

With a little help from my friends

Uma das coisas legais de voltar a um lugar de onde você esteve ausente por muito tempo é observar a reação das pessoas à sua súbita aparição. Obviamente, não há surpresa na alegria daquele grupo especial de amigos, com os quais você compartilhou momentos divertidos, constrangedores ou emocionantes durante os melhores anos da sua vida (no meu caso, não a adolescência, mas os primeiros anos da vida adulta, entre os 19 e os 23).

Curiosa mesmo é a atitude de quem não esteve tão lealmente assim ao seu lado, aquela pessoa que você, talvez, nem valorizasse tanto, e que, de repente, abre um sorriso franco em sua direção, pergunta sobre seu bem-estar e expressa o quanto sua ausência é sentida. Ocorre o oposto, também: pessoas de quem você poderia esperar um pouco mais de entusiasmo com sua volta, mostram-se frias e arredias a mais do que trinta segundos de amenidades protocolares.

A vida é assim mesmo. Como cantou Renato Russo em "Old Friend", "o amor é raro / a vida é estranha / nada dura / as pessoas mudam". Menos ou mais, para melhor ou para pior, as pessoas sempre mudam e, infelizmente, o tempo e a distância podem acabar com coisas muito bonitas que antes existiam. Por outro lado, para cada amigo que se perde na distância ou na memória, surgem outros que preenchem os espaços vazios em seu coração e somam-se aos que ainda estão lá.

Tentar fazer amigos na internet é uma tarefa difícil, também. A gente chega cheio de boas intenções e esbarra em tipos arrogantes, neuróticos ou simplesmente idiotas. É possível, porém, encontrar gente bacana, interessante e verdadeira. Pode demorar, mas a gente encontra. Hoje, em meu MSN, existem alguns quase tão antigos quanto todo o meu tempo como usuário de internet.

Aqui mesmo, no Catapop, alguns leitores e parceiros de blogagem acabaram tornando-se figuras bastante queridas. Isso não quer dizer que a gente pense igual - na verdade, a discordância é mais a regra do que a exceção - e, só para não fugir do que eu disse lá no começo, outros mudaram e hoje simplesmente ignoram o blog que um dia tanto amaram. Tudo bem. A vida é assim.

Meu desejo é que, de agora em diante, você precise cada vez menos remover pessoas de seu coração, para poder colocar outras. Por sorte, ele é bem elástico! Que o Ano Novo traga mais e melhores amigos. Um forte abraço a você que acompanha o Catapop. Feliz 2009!

13/12/2008

Lanterna Verde 3

Lanterna Verde 3

A Guerra dos Anéis continua!

O Conto da Tropa Sinestro dedicado a Parallax é bastante interessante. Primeiro, porque temos o bonito traço da brasileira Adriana Melo. Segundo, porque o argumento de Ron Marz, o criador de Kyle Rayner, trata o personagem (queridíssimo por muitos leitores, apesar da babação com Hal Jordan) com o devido respeito, mostrando-o como alguém capaz de enfrentar a perigosa entidade amarela que dominou seu corpo e o tortura com lembranças de todas as pessoas queridas que ele já viu morrer. Bela abertura. Nota 9,0.

O segundo Conto é protagonizado pelo Superciborgue, torturado pelo desejo e pela sua virtual impossibilidade de morrer. A história da origem de seu poder e de suas motivações - aliás, ele parece ser o único personagem movido por algo diferente do manjado "dominar o universo" - é escrita por Alan Burnett e desenhada por Patrick Blaine. Nela, a Tropa Sinestro alcança a órbita terrestre e já destrói a recém-construída Torre de Vigilância da LJA. Hank Henshaw já era um dos mais perigosos inimigos do Superman. O que dizer de agora, que possui um anel energético amarelo? Nota 7,0.

A expectativa criada pela capa do principal título esmeralda (justamente a que ilustra a edição nacional) fica meio frustrada pelo fato de que, embora a Tropa Sinestro cause estragos, o desenrolar da batalha não passa nem perto do que a imagem sugere. Ao contrário, os Lanternas e demais heróis terrestres conseguem vitórias importantes no episódio. Ivan Reis dá um show em duas imagens de página dupla: a reunião da Tropa Sinestro sobre a Lua e a chegada Tropa dos Lanternas Verdes à Terra. Pena que, logo após vermos Kyle Rayner ganhar forças contra Parallax na primeira história, vejamos ele novamente choroso e dependente da ajuda de Hal Jordan. Geoff Johns, pelo jeito, não quer deixar dúvidas sobre quem é seu Lanterna Verde favorito. Nota 9,0.

Já a história da Tropa dos Lanternas Verdes, escrita por Dave Gibbons, tem uma história com muita ação e violência, prejudicada pela ação de quatro desenhistas! O eficiente titular Patrick Gleason limita-se a desenhar a última página, que mostra a ascensão de Sodam Yat (profetizada por Alan Moore nos anos 80!), enquanto o resto é dividido entre três medíocres: Pascal Alixe, Vicente Fuentes e Dustin Nguyen (este último um mau imitador de Gleason, que é um bom imitador de Doug Mahnke). Uma pena, pois o quebra-pau entre Kilowog e Arkillo tinha tudo para ser memorável. Dividida, também, é a posição dos membros da Tropa em relação ao uso de força letal. A edição termina com a esperada intervenção do Superman Primordial, a desenrolar-se na próxima edição. Nota 8,0.

Lanterna Verde 3 - Panini - 100 páginas - R$ 6,90

Liga da Justiça 72

Liga da Justiça 72

Um por um, os membros da Liga da Justiça vão caindo ante o poder da nova sociedade criminal liderada por Lex Luthor, Coringa e Mulher-Leopardo, uma forçosa inversão da Trindade heróica formada por Superman, Batman e Mulher-Maravilha. Falta à Mulher-Leopardo o cacife para integrar uma cúpula de qualquer coisa. Apesar disso, Dwayne McDuffie lida bem com o grande número de heróis e vilões presentes, jamais perdendo o pique ou o a dimensão da ameça aos heróis. Uma pena que o traço tenha ficado a cargo de um medíocre do porte de Joe Benitez. Nota 7,5.

Na fraca história da Mulher-Maravilha, o único mérito fica para o desenhista Julian Lopez. Não que seu traço seja o fino-do-fino, mas, ao menos, ele consegue desenhar rostos diferentes. Pena que o último quadrinho dê a impressão de que Diana subiu aos céus fazendo um rap! A história de J. Torres ainda é um rescaldo do Ataque das Amazonas e não diz a que veio. Nota 4,0.

Mark Waid escreve uma história veloz e divertida como o próprio Flash. Depois de ajudar a algumas pessoas, seus filhos Iris e Jai ficam à mercê dos monstros marinhos que tomaram Central City e Keystone City e, depois, perdidos numa cidade que não conhecem. Enquanto isso, Wally volta do fundo do rio que separa as duas cidades e descobre os autores e os motivos por trás dos ataques e prepara uma reação. O capista Daniel Acuña revela-se um excelente ilustrador interno, dando o sentido cinético acelerado que o personagem exige e conseguindo a proeza de desenhar crianças que parecem crianças! Nota 8,0.

A história da Sociedade da Justiça é uma calmaria antes da tempestade. Poderosa sonha constantemente com seu primo Kal-L, o Superman da Terra-2, falecido durante a Crise Infinita. Seus sonhos, no entanto, prenunciam a chegada de um outro "estranho visitante", na saga que coloca a SJA na linha de frente dos eventos que parecem conduzir ao Reino do Amanhã. Geoff Johns continua muito à vontade escrevendo esses personagens e Dale Eaglesham faz o que pode, embora falte um certo brilho ao seu desenho. Nota 8,5.

Liga da Justiça 72 - Panini - 100 páginas - R$ 6,90

05/12/2008

O Melhor de 2008 - Música

O Melhor de 2008 - Música

Um ano de fartura, é assim que defino 2008. Gente nova surgindo, jovens talentos seguindo e velhos medalhões retomando o bom caminho. Um ano generoso.

A seguir, você tem uma série de listas que refletem minha relação com a música produzida durante o ano que se encerra e antes dele. Vocês conhecem bem o esquema: listas são feitas para serem contestadas - até mesmo por quem as faz. Enfim, chega de papo e vamos logo abrir os trabalhos com a parte mais difícil.


As 15 Melhores Canções do Ano

Eu devo ter mudado de opinião umas cinco vezes desde que bolei a primeira versão desta lista, mas acho que, do jeito que está, ela enche um CD meio "frankenstein", mas bem bacaninha. Para baixar as canções, clique aqui!

Adele - "Cold Shoulder" – Você não tem que esperar que Amy Winehouse estique as canelas para encontrar opções interessantes. Adele faz um soul pop mais contemporâneo, com uma voz educada e poderosa.

Al Green - "Lay It Down" - Quando a gente ouve Al Green, descobre que existe não uma linha, mas um abismo separando a sensualidade da vulgaridade. Um mestre do amor adulto e dos trinados arrepiantes.

Duffy - "Mercy" - Um convite irresistível à dança e um testemunho à fé de que, apesar da exploração midiática da desgraça de Amy Winehouse, ainda dá pra crer na força da soul music dos anos 00.

Elvis Costello & The Imposters - "American Gangster Time" - Muitas das melhores canções já escritas começam assim: "one, two, three, four...". Pegada rock irrepreensível e um órgão simplesmente infernal.

Estelle & Kanye West - "American Boy" - Talvez o hit mais gostosamente grudento do ano, esta música revelou o talento da ex-rapper Estelle, protegida de John Legend e cantora de beleza e classe incomuns.

Jason Mraz - "Love For A Child" - Mraz é um pequeno gênio melódico. Esta balada de letra saudosista e amarga nos faz lembrar dos melhores momentos de gente bacana como o Elton John dos anos 70.

John Legend & Estelle - "No Other Love" - O "patrão" chamou e ela atendeu: Estelle faz um rap e backing vocals preciosos sobre um reggae simplesmente arrebatador, de um dos melhores cantores da atual safra soul.

Léo Jaime - "Mesmo Assim" - O disco Interlúdio é bem triste em seu total, mas abre com esta baladinha pop que mostra que Léo Jaime não é grande apenas na circunferência abdominal. No talento, também.

Madonna - "Give It 2 Me" - Enquanto essas franguinhas genéricas que tem por aí sofrem tentando reerguer carreiras que mal começaram, Madonna segue ensinando como manter-se no topo - há 25 anos!

Metallica - "The Day That Never Comes" - Depois daquela porcaria chamada St. Anger, o Metallica voltou à carga com Death Magnetic e gerou um belo monstro de peso e feeling autênticos. Air guitar!!!

Morrissey - "That's How People Grow Up" - Uma das duas faixas inéditas da trocentésima coletânea do Morrissey. O disco em si pode ser picareta, mas este rock é uma pérola de desencanto e humor negro.

Nick Cave & The Bad Seeds - "Jesus Of The Moon" - Nick Cave alterna canções cruéis e sombrias com outras de lirismo emocionante. Este blues assombrado freqüentou meu iPobre durante praticamente o ano inteiro.

Paul Weller - "Invisible" - No peito deste homem de carreira longeva e nada óbvia, bate um coração sensível que se despedaça sobre o teclado de um piano, numa balada capaz de comover até a um poste.

Skank - "Ainda Gosto Dela" - Dois anos depois do irregular Carrossel, esta bonita canção com auxílio vocal de Negra Li mostra que o Skank ainda sabe surpreender. Pegada pop e belos adornos eletrônicos.

The Long Blondes - "The Couples" - Ok, é oficial: Kate Jackson é o mais próximo que temos de uma nova Chrissie Hynde (embora Chrissie esteja viva e bem). Feminismo inteligente, divertido e sem cabelo no sovaco.




Companheiras Fiéis
+ 10 canções que fizeram minhas orelhas fumegar de alegria.

Adele – “Daydreamer”
Coldplay - "Viva La Vida"

Estelle & John Legend – “You Are”
Keane – “Spiralling”
Madonna – She’s Not Me”
Nick Cave & The Bad Seeds – “Dig, Lazarus, Dig!”
R.E.M. – “Accelerate”
The BellRays – “Blue Against The Sky”
The Kooks – “Always Where I Need To Be”
The Verve – “Love Is Noise”



Troféu Cabeça de Bacalhau

Os CDs que me deram mais trabalho para achar na internet este ano foram o disco solo homônimo do ex-vocalista do Fine Young Cannibals, Roland Gift (2002), e um disco de duetos entre Marvin Gaye & Tammi Terrell, You’re All I Need (1968).



Troféu Pudim de Jiló
Gente que chegou, não agradou e o vento levou.



Marcelo D2 - Meu Samba É Assim
Erykah BaduNew Amerykah
Depeche ModeUltra e Exciter



Troféu Anti-social

Sade
, sem gravar há sete anos.




Troféu "Sabia Que Eu Não Tava Louco!"

Sem exagero: eu devo ter passado os últimos 25 anos recitando mentalmente um trecho de uma música do Kraftwerk que era usado num antigo comercial do Telecurso, sem jamais saber qual era. Pois eu finalmente achei a danada: trata-se de “Home Computer”, do disco Computer World, de 1978.


Troféu Filho Pródigo

Lobão, ignorado por uns quinze anos, voltou a ser um dos meus favoritos. Seus discos da segunda metade da década de 90 em diante são ótimos!



Troféu Vitória da Baixaria

Ana Carolina, tradicional música de fundo para churrascarias e outros ambientes familiares, cantando sobre paus grandes e coisas igualmente angelicais. Na Bahia, um pagode convoca as mulheres, com todas as letras, a “esfregar a xana no asfalto”. Uma vez disseram que “longe é um lugar que não existe”. Melhor atualizar para “o fundo do poço é um lugar que não existe”.


Troféu Unhas No Toco

2009 parece longe demais quando lembro que U2, Morrissey e Amy Winehouse vão lançar novos discos. Expectativa, também, pela continuidade do processo de amadurecimento artístico de Justin Timberlake e Christina Aguilera, iniciado com os excelentes Futuresex/Lovesounds e Back To Basics, ambos de 2006.

02/12/2008

Batman 72

Batman 72

Edição atípica de Batman, dividida apenas entre o astro principal e o Asa Noturna.

A primeira metade é uma daquelas sensacionais histórias curtas que Paul Dini escreve tão bem, cuja modéstia e eficiência sobressaem principalmente contras as ambiciosas e irregulares histórias que Grant Morrison tem escrito para o personagem. Dini mostra que não é preciso fazer grandes revoluções para tornar o Batman interessante: ele já é interessante e só precisa de boas tramas.

Nesta aqui, Batman investiga a morte de auxiliares de palco do mágico Ivar Loxias. Acidentes acontecem, mas a freqüência chama a atenção do Morcego. Para ajudá-lo, ele convoca uma amiga: Zatanna, com quem tem contas a ajustar desde Crise de Identidade. Dizer mais sobre a história pode estragar a principal surpresa da trama, então digo apenas que Bat e Zat subestimam o perigo que os aguarda. Don Kramer segura bem as pontas nos desenhos e a bonita capa de Simone Bianchi chama a atenção. Nota 9,0.

Já o Asa Noturna passa por uma fase de amargar. Marv Wolfman não consegue levantar o moral do combalido personagem, metido em tramas cada vez piores. Uma antiga paixão do passado procura por Dick e ele teme ser enganado novamente. Só que ele não é o único interessado em descobrir os motivos da misteriosa Liu: há um novo vigilante atuando e ele não é nem um pouco paciente. O zé-ninguém Jon Bosco desenha sobre os esforços de Wolfman, mas me parece improvável que alguém ligue para o que acontece aqui. Nota 4,0.

Batman 72 – Panini – 100 páginas – R$ 6,90.

Superman 72

Superman 72

Esta edição traz a conclusão do arco “O Terceiro Kryptoniano”. Karsta-Ul foi exposta, o que atraiu a atenção do caçador de recompensas Amalak, determinado a exterminar todos os kryptonianos – o que quer dizer que, além de Karsta e Superman, estão em perigo a Supergirl, a Poderosa e até Krypto. Christopher Kent, o filho de Zod adotado pelo Superman, ainda aparece aqui, embora já tenha voltado à Zona Fantasma na conclusão da saga anterior, "Último Filho". Faltou um aviso da Panini aos distraídos.

O texto de Kurt Busiek merecia um desenhista melhor que Rick Leonardi. Ele pode até gozar de status de lenda viva, mas, particularmente, eu nunca fui fã de seu traço. Nas mãos de um desenhista de estilo mais interessante, a história poderia tornar-se um novo clássico, mas acaba sendo apenas um arco agitado, na boa média que as histórias recentes do Superman têm alcançado. Nota 8,0.

A história da Supergirl tem ramificações com a Contagem Regressiva. Participam dela os legionários Karatê Kid e Una, além dos vilões Orr e Equus. Muito além da pancadaria, o que realmente interessa nela é o reencontro de Kara com Kal-El, depois das burradas que a loirinha cometeu durante O Ataque das Amazonas. A série já foi bem pior, mas Tony Bedard não é nenhum gênio. Renato Guedes desenha uma Supergirl diferente, quase normal demais – mas eu é que não confio numa heroína com aqueles mocotós grossos, típicos de gente preguiçosa! Nota 6,0.

Antes da última história, um histórico de todos os personagens envolvidos na saga “Último Filho”. Desenhos de Stephane Roux.

Aí chega “Fuga do Mundo Bizarro”, nova colaboração entre Geoff Johns e o diretor Richard Donner, que aproveita vários conceitos de seu filme de 1978. Essa, sim, aspira à posteridade, embora numa escala bem mais modesta que Último Filho. Bizarro seqüestra Jonathan Kent e, para salvar seu pai, Superman terá que enfrentar a insanidade do Mundo Bizarro, enquanto passagens marcantes de sua infância vêm à tona. Eric Powell tem um traço nostálgico, bonito e bastante fluido. Tudo indica que ficará ainda melhor. Nota 9,0.

Superman 72 – Panini – 100 páginas – R$ 6,90

23/11/2008

Leões: novo sorteio!

Justiça seja feita!
Um novo ganhador para Os Leões de Bagdá

Pessoal, o Catapop não oferece presentes porque eu e o Chang somos bonzinhos ou porque não sabemos o que fazer com a fortuna escondida dentro de nossos colchões (quem dera!). A gente pede uma coisa muito simples em troca: comentários!

Como nao podia deixar de ser, muitas pessoas só se sentem animadas o suficiente para deixar uma opinião justamente nesses períodos promocionais. A gente entende e não critica.

Há três semanas, sorteamos a graphic novel Os Leões de Bagdá. O ganhador havia sido Adriano de Souza. Como depois disso ele não deu qualquer sinal de vida para reclamar seu prêmio, nos reservamos o direito de realizar um novo sorteio entre os nomes de todas as pessoas que concorreram anteriormente - exceto, claro, pelo distraído Adriano.

Assim sendo, a ganhadora do mimo passa a ser Juliane Wëlter, que terá até o dia 30 de novembro para enviar seu endereço para o e-mail bat1973@gmail.com. Aguardamos seu contato, Juliane - e mais alguns comentários, é lógico! Após o dia 30, não havendo contato, um terceiro sorteio pode ocorrer.

Obrigado, mais uma vez, a todos que participam comentando.

16/11/2008

Reviewzão Geral

Reviewzão Geral

DVD: Eu Sou a Lenda

Robert Neville (Will Smith) é a única pessoa viva em Nova York, três anos depois que uma variante geneticamente modificada do vírus do sarampo passa a transformar suas cobaias - e, depois, a todas as outras pessoas e até animais - em zumbis raivosos. O vírus se propaga por contato e pelo ar, mas Neville possui uma imunidade natural que o faz permanecer na cidade destruída, para continuar com experimentos que possam levar a uma cura. O único ser com quem ele ainda dialoga é a sua cadela Sam. Até que, um dia, alguém atende às suas constantes mensagens de rádio, em busca de alguém vivo.

Boa ficção científica do diretor Francis Lawrence, apoiada no carisma e na boa performance de Will Smith (cada vez mais um ATOR e menos um negão descolado de filmes de ação), que leva o filme praticamente sozinho nas costas até perto do fim, quando entra em cena a brasileira Alice Braga. Apesar da eficiente construção de um clima de solidão e terror, fica a crítica pela opção por zumbis digitais, cuja inverossimilhança estraga um pouco o realismo apocalíptico do cenário. Nota 8,0.


DVD: Sangue Negro

O Oscar 2008 foi a vitória do hype: Onde Os Fracos Não Têm Vez é um bom filme, mas não é nem o melhor dos Irmãos Coen ou, menos ainda, superior a Sangue Negro. O épico petroleiro de Paul Thomas Anderson é um desses filmões impecáveis que dão gosto de assistir, nos quais absolutamente nada soa falso, deslocado ou medíocre.

No começo do século XX, o ex-garimpeiro Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis, mais uma vez levando queixos ao chão, em atuação que justifica o abandono de sua precoce aposentadoria) constrói um império perfurando petróleo na Califórnia. Ao seu lado, um filho adotivo criado como legítimo e alguns capangas. Plainview logo torna-se respeitado e temido em igual medida. Um dos poucos a ousar confrontá-lo é o nojentinho Eli Sunday, filho de um fazendeiro que hesita em vender suas terras a Plainview. Eli não tem apenas uma carinha bonitinha e nome de profeta: ele é extremamente ambicioso e controla as pessoas por meio de fanatismo religioso, confrontando o magnata constantemente. O ódio entre os dois rende cenas antológicas, inesquecíveis.

A complexidade dos personagens centrais (Plainview, seu filho H.W. e Sunday), a grandiosidade dos cenários quase sempre amplos e a seriedade com que são tratados temas como ganância, corrupção, ateísmo e manipulação religiosa não tornam as duas horas e meia de filme aborrecidas ou mesmo contemplativas, muito pelo contrário: elas passam que a gente nem percebe, de tão bem amarrados os diálogos e situações. Um novo clássico instantâneo. Nota 10.


HQ: Sandman - Prelúdios e Noturnos, Vol. 1

Junto com o Monstro do Pântano de Alan Moore, o Sandman de Neil Gaiman foi responsável por definir o status do selo Vertigo e, uma vez que outras séries místicas ficaram a cargo de Gaiman, as bases para todo o mundo mágico adulto da editora. Ao invés de um super-herói com uma máscara de gás, o Sandman de Gaiman é uma entidade branquela com cabelo igual ao de Robert Smith, vocalista do The Cure. No primeiro volume, ele se acha aprisionado e quase sem poder. Seu retorno ao posto de senhor dos sonhos é o mote de Prelúdios e Noturnos, cujos quatro primeiros capítulos se encontram reunidos aqui. Não há muito mais o que dizer que já não se saiba. É um clássico e ponto final.

O que eu posso dizer que, talvez, realmente surpreenda alguém, é isto: eu nunca havia lido Sandman, exceto pelo primeiro capítulo desta saga. Lembro de ter comprado a edição inaugural da Globo, lá por 1990, e depois nada mais. A série depois passou pelas mãos de editoras menos competentes e mais mercenárias, em edições cada vez mais caras, sendo que a única delas que justificava o abuso financeiro foi exatamente a última: a luxuosa série de álbuns em formato maior e capa dura da Conrad, eleita pelo próprio Gaiman como as melhores edições de Sandman em todo o mundo. O preço de cada álbum, em torno de R$ 70, porém, continuou me afastando.

Eis que a Pixel compra os direitos de publicação e resolve fazer diferente: dividir cada arco em duas partes, relançando a saga desde o princípio, em edições trimestrais menos luxuosas, com formato ligeiramente menor que o tradicional, nova colorização, novos extras e um preço mais camarada: Prelúdios e Noturnos Vol. 1, por exemplo, custa R$ 29,90. Depois de alguma hesitação (e de achar a revista em promoção por R$ 19,90), resolvi dar chance ao Sandman. Não há como temer arrependimentos: é leitura de primeira, rica e cheia de referências bacanas. A capa é cartonada, com orelhas, reserva de verniz e o papel interno é couché. Os anunciados 17 volumes da coleção devem ficar bonitos na estante. Nota 10.


HQ: A Saga do Monstro do Pântano, Vol. 1

Mais um clássico dos anos 80 que volta em boa hora e em bela forma. Lembro com carinho das edições da extinta Superamigos (Abril) que traziam algumas das histórias contidas aqui e que, depois de vender e/ou perder minhas coleções, jamais tive o prazer de reler.

Muito antes de aquecimento global e responsabilidade serem assuntos na ordem do dia, Alan Moore já pegava pesado nesses assuntos, dando conseqüências desastrosas ao desrespeito pela natureza, mas "terror ecológico" não exprime com exatidão o que temos aqui. É terror, puro e simples, com uma premissa ecologicamente combativa. O Monstro do Pântano não é exatamente um ser vivo, mas um monte de plantas dotado de uma consciência única. Não sei se é cômico ou comovente que inspire tanto amor na humana Abigail Cable - uma genuína donzela em perigo, um verdadeiro ímã de encrencas. Aqui está, também, a provavelmente mais significativa e aterrorizante aparição de Etrigan, o demônio rimador, quase sempre encarregado de fazer humor involuntário nas mãos de escritores menos hábeis.

Mesmo não mostrando a sofisticação alcançada com Watchmen e obras posteriores, Moore já mostrava que não queria ser apenas mais um a escrever histórias de super-heróis. Assim como as de Sandman, as histórias do Monstro do Pântano são recheadas de referências pop, devidamente listadas neste encadernado de capa dura, que dava sopa em algumas lojas virtuais por até R$ 25 (o preço normal é R$ 54,00). Altamente recomendável. Nota 10.

28/10/2008

Como ficou a "nova" DC?

A nova DC/Panini
E aí, como ficou?

OK, já ficou pra trás o momento de reclamar pela saída da sua série coadjuvante favorita ou pela permanência daquela que você odeia. Vamos nos concentrar no que temos em mãos – e o que temos em mãos, graças a Deus, vem mantendo um nível satisfatório quase constante.

Parece haver uma campanha contra os esforços da DC Comics que embota o raciocínio das pessoas, fazendo-as limitar-se a repetir o que meia dúzia de “críticos” falou, aqui ou lá fora. Sim, a editora tem errado, mas também acertou bastante nos últimos tempos e, se isso não se traduz em vendas melhores que as da Marvel, paciência. Se, ao invés de adotar a postura da crítica pela crítica, essas pessoas tivessem realmente lido as revistas, veriam que a maioria das séries, mesmo aquelas que andam longe do seu melhor momento, não comprometem a diversão.

Eis, então, o primeiro de uma nova série de Resumões!


Lanterna Verde 1 e 2

Comecemos pelo filé mignon: uma revista 100% aproveitável! Você se lembra da última vez que isso aconteceu? Com a glória da Tropa restaurada, os Lanternas se preparam para enfrentar o maior desafio de sua existência: em A Guerra dos Anéis, uma Tropa de criaturas maléficas dotadas de anéis amarelos, liderada por Sinestro (ainda que o principal artífice da coisa seja alguém bem mais perigoso), investe pesado contra Oa e os guardiões esmeraldas. O nome “guerra” não é exagero: Lanternas morrem às dezenas e as estratégias dos vilões não param de surpreender. Embora não seja fundamental à compreensão da saga (totalmente contida nas cinco primeiras edições da revista), conhecer as contribuições de Alan Moore à mitologia da Tropa (disponíveis no Grandes Clássicos DC 9) torna tudo mais interessante. Nota 10.

Liga da Justiça 70 e 71

Nestas edições, temos o fim de uma era para a LJA e o início de outra. Na edição 70, Brad Meltzer despede-se dos argumentos, depois de restaurar a amizade entre os três maiorais (Batman, Superman e Mulher-Maravilha), dar a liderança da equipe a uma antiga merecedora do posto (Canário Negro, prestes a casar-se com o Arqueiro Verde), tornar os coadjuvantes respeitáveis e trazer de volta Wally West. Já na 71, estréia Dwayne McDuffie (roteirista das séries animadas da Liga), com uma proposta menos cabeça, mais voltada à ação, mas nem por isso menos interessante. Os diálogos são afiados e um enorme desafio se prenuncia. Já quanto à Sociedade da Justiça, Flash e Mulher-Maravilha, as séries seguem medianas, porém divertidas. As maiores chances para o futuro imediato estão com a SJA, já que a saga que vai aproximar do presente alguns elementos do clássico Reino do Amanhã começa na próxima edição. Nota 8,5.


Batman 70 e 71

O Batman escrito por Grant Morrison tem alternado momentos nada-a-ver com outros realmente inspirados, como a reunida nestas duas edições, trazendo de volta e dando sentido a alguma daquelas pirações das Eras de Ouro e Prata – no caso, o Clube dos Heróis, uma agremiação multinacional de vigilantes que teve carreira curta e pouco inspirada. A trama de assassinato é melhorada pelo notável traço de J. H. Williams III. Na edição 71 também há uma boa trama de Royal McGraw. A revista é completada pelo Asa Noturna de Marv Wolfman, em fase enfadonha, mas um pouco melhor que na época do Bruce Jones (qualquer coisa seria melhor que aquilo). Aqui, conhecemos o novo Vigilante – e quem será ele? Já a Mulher-Gato de Will Pfeifer é bem divertida, mas Pfeifer não tem mesmo sorte: Catwoman foi cancelada nos EUA recentemente. Falta cerca de um ano até isso acontecer por aqui – isso se a Panini não se apressar, como fez com Aquaman. Nota 8,0.


Superman 70 e 71

Herói ultrapassado, o cacete! O que faltava ao Superman eram bons escritores. Há cerca de dois anos, porém, a DC colocou gente inspirada pra tomar conta do kryptoniano: Greg Rucka, Kurt Busiek, Geoff Johns, Darwyn Cooke e o diretor Richard Donner (que volta para mais um arco na edição 72). A saga do Terceiro Kryptoniano (de Mark Waid) tem boa ação e traço de Rick Leonardi. Já as tramas ligadas à Contagem Regressiva (que não tenho acompanhado) estão, também, bastante agitadas e bem-humoradas, com Jimmy Olsen bancando o herói e ajudando Superman contra o chiliquento Homem de Kryptonita. Já a Supergirl, que completa o título, não se encontra nos seus melhores dias, mas já não fede como há alguns meses. O traço de Renato Guedes está bastante desleixado. Apesar disso, Superman é hoje uma das melhores opções nas bancas. Nota 9,0.

24/10/2008

Bota, Brasil II

Bota, Brasil II - A Missão
ou "Como Jogar Seu Voto Fora"

Amigos, apesar do otimismo do meu post anterior sobre as eleições, os brasileiros não se cansam de me provar que é impossível - ou, no mínimo, pouco recomendável - levá-los a sério.

Se o pleito para a prefeitura revelou saudáveis mudanças, o mesmo não se pode ser dito sobre os votos para vereador. Uma tendência, aparentemente inofensiva, mas que pode ter efeitos nefastos, está tomando força entre a população: o voto engraçadinho.

Qualquer um que assista ao horário eleitoral, em qualquer parte do país, sabe que existe uma quantidade imensa de candidatos que usam seus parcos segundos para dar provas cabais de sua incapacidade intelectual, fazer imitações de super-heróis ou usar chapéu com chifres. Admito que seja até engraçado, mas, calma lá, pessoal: estamos falando de uma eleição para pessoas que vão comandar os rumos da cidade e ditar como nosso dinheiro será gasto, não uma votação do Big Brother ou coisa parecida!

Assim, o que a gente vê, principalmente entre os "estreantes" de 16 anos, é uma tendência ao escracho que, ao meu ver, evidencia apenas a indiferença e a inconseqüência típicas de quem já se acha muito dono do próprio nariz, mas é incapaz de avaliar a importância do seu gesto - mas não sejamos injustos, crucificando apenas os teens: tem muito marmanjo calejado fazendo a mesma coisa.

É o tipo de atitude que fez de Clodovil e Frank Aguiar deputados: o cara vê uma figura folclórica fazendo seu comercialzinho e dá um voto a ele, às vezes, por "caridade", achando que ninguém mais vai ter a coragem. O problema é o monte de gente que teve a mesma idéia.

Dessa forma, para ficar só nos exemplos locais, um débil mental que beirava a mendicância aqui em Alagoinhas, chamado Buldogue, foi o verador mais votado da cidade e agora deve presidir a Câmara Municipal, embora não consiga sequer entabular uma conversa coerente por mais de cinco minutos. Em Catu, cidade próxima, um mendigo chamado Bufão esteve muito perto de ser eleito. Em Salvador, o travesti e dançarino de pagode Leo Kret foi o(a) terceiro(a) mais votado(a). Geralmente, quando um homossexual assumido se elege para um cargo, a natural tendência homofóbica da população é dizer que os gays votaram em peso no sujeito. Desta vez, porém, eximo a população GLS da responsabilidade (ou, ao menos, de parte dela): quem elegeu Leo Kret foram os semiletrados fãs do Saiddy Bamba, grupo que o(a) revelou.

Veja bem, não estou dizendo que mendigos não possam ter boas idéias, ou que gente andrógina e rebolativa seja incapaz de levar adiante projetos sérios e benéficos à população. De repente, a gente até se surpreende positivamente e engole a pulso os inevitáveis gracejos que expressam, de forma mais leve do que com palavrões, nossa revolta. O problema é que a eleição dessas pessoas não tem nada a ver com melhores idéias políticas ou sequer simboliza voto de protesto, como alegam alguns. É apenas uma forma que o cara encontra de, mais tarde, ter assunto no bar e dar risadas com os amigos, o que vai acontecer à cidade é o de menos. Não me vem à cabeça algo mais estúpido ou egoísta.

Espero que vocês ainda estejam rindo em 2012.

17/10/2008

A era dos encadernados

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Tudo ao mesmo tempo agora!
A nova era dos encadernados.

O mercado brasileiro de quadrinhos de super-heróis está ganhando novos ares. O mercado de encadernados torna-se cada vez mais empolgante para os leitores e, por tabela, também, para editoras como a Panini e a Pixel.

Claro que isso não acontece porque as editoras são boazinhas e querem nos agradar, dando-nos a chance de ler uma saga do começo ao fim, de uma vez só. É mais sensato acreditar que, embora os custos de impressão sejam maiores (o que torna o preço de alguns álbuns bastante salgado), a perspectiva percentual de venda seja mais atraente do que lançando as histórias em capítulos nas revistas mix que, volta e meia, encalham nas bancas.

A iniciativa já leva alguns leitores a desistir das mensais e aguardar a encadernação dos melhores arcos. É uma decisão arriscada: ainda é impossível prever quando ou mesmo se as editoras vão realmente lançá-los em álbuns. Cadê a continuação dos X-Men de Grant Morrison? Ou o segundo ano dos Supremos? Será que a Sociedade da Justiça já não merece uma coletânea há algum tempo?

Isso sem falar da atrapalhada programação das editoras. Muitos lançamentos atrasam ou são simplesmente cancelados, sem muita explicação. Para piorar, nem Panini nem Pixel garantem o lançamentos dos volumes seguintes de álbuns como Batman Preto & Branco ou A Saga do Monstro do Pântano, que ostentam a inscrição “Volume 1” na capa. Para quem, como eu, investiu na bagaça, resta a esperança no lançamento dos restantes.

Existem ainda os esquisitos critérios que norteiam os lançamentos, principalmente no caso da Pixel. Os leitores que se empolgaram com a Pixel Magazine amargaram uma frustração do capeta quando saíram os primeiros encadernados de Planetary, Fábulas e Astro City, pois era natural sonhar com o relançamento das primeiras histórias. Não foi o que aconteceu. Bola preta para a Pixel, que até hoje parece não saber direito o que fazer com o fabuloso catálogo que tem nas mãos. Vide o recém-anunciado lançamento da saga do Sandman, em reedição que perde de goleada na comparação com os caprichadíssimos álbuns da falida Conrad, eleitos os melhores do mundo pelo próprio Neil Gaiman.

Além do mais, cobrar R$ 29,90 por cerca de 140 páginas de quadrinhos não é exatamente uma política de preços populares. Embora não pareça tão terrível assim, diante da virtual extorsão praticada por editoras como Devir, Brainstore e Opera Graphica em seus preços, vale lembrar que Os Leões de Bagdá, da Panini, tem estrutura semelhante a R$ 19,90 (mas você não precisa gastar nem um centavo: deixe um comentário e concorra ao nosso presente de aniversário, dia 03/11).

Entretanto, a decisão da Panini de lançar a pedida fase de Ed Brubaker e Darwyn Cooke na Mulher-Gato em um álbum (Um Crime Perfeito) com pouco mais de 200 páginas por absurdos R$ 49,00 (e nem é capa dura!) até hoje provoca insônia, com aquele incômodo “por quê?” na mente dos pobres leitores. Segundo a Panini, saiu caro porque ia vender pouco. Ora essa, qualquer jumento nas primeiras lições de matemática financeira usaria a lógica e saberia que, sendo mais barato, talvez vendesse mais. Até hoje, eu aguardo uma promoção decente para adquiri-lo – mas tá difícil!

Os álbuns chegaram para ficar. Como diz o assim chamado Rei, são muitas emoções, bicho – e o melhor: todas de uma vez só!

14/10/2008

Pump it up! A dance music dos anos 90

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Pump it up!
A dance music dos anos 90

Os anos 80 já estão gravados no inconsciente coletivo como uma década de grande criatividade na cultura pop. Passadas várias ondas revivalistas de bom e de mau gosto, o saldo geral é bastante positivo. Não há mais necessidade de explicar ou de defender aquele período.

Lá por 2010, estaremos novamente ocupados, fazendo uma triagem semelhante nos anos 90, “a década em que a melodia morreu”, segundo meu amigo Marcelo Borges, de Itumbiara/GO. A facilidade pop dos anos 80 deu lugar a experimentações que testavam a receptividade e, não raramente, a paciência dos ouvintes. Aqui no Brasil, a coisa ficou especialmente indigesta: fazer música simples, de um gênero só, ficou praticamente proibido. Todo mundo tinha que fazer MPopB, skate-metal, manguebit, forrócore e outros bichos esquisitos. Deu alguns bons frutos e gerou uma montanha de coisas horrorosas, algumas das quais se arrastam por aí até hoje.

Os primeiros anos da década de 90 foram marcados pela ascensão da dance music, do underground a gênero “respeitável” e, principalmente, rentável. Desde o fim da era disco, nos primeiros anos da década de 80, a música criada exclusivamente para dançar, sem letras “conscientes” ou cabecismos fora de hora, tinha tanta força. A febre das batidas aceleradas conquistou dois terços do planeta e fez espumar de raiva o terço restante (leiam-se os carrancudos roqueiros da época, metidos a salvar o mundo e remoer existencialismos).

Você, entre 20 e 25 anos, talvez seja novo demais para lembrar, mas houve um tempo em que ir a uma boite para dançar não era, como hoje, sinônimo de logo ver-se cercado de bichas musculosas, suadas e seminuas. Herdando o espólio das famosas danceterias da década passada, sacudir o esqueleto nos clubs noventistas era, até certo ponto, um programa razoavelmente hétero.

Como toda febre musical que se preze, a dance music dos 90 tinha representantes realmente criativos, one-hit wonders azarados e picaretas de primeira grandeza. Mesmo que a house music já começasse a fazer barulho, a ponto de a Bizz dar destaque e até capa para nulidades como Yazz e Bomb The Bass, o primeiro arrasa-quarteirão mundial da dance music era um forte riff de guitarra sampleado e acompanhado de um brado feminino: “I’ve got the power!”. Era "The Power", do projeto alemão Snap, comandado pelo rapper Turbo B. As batidas funky vitaminadas pela eletrônica, os clipes aeróbicos e singles certeiros como “Mary Had a Little Boy” e “Oops Up” transformaram o Snap em um sucesso avassalador. Em 1992, passado o bode da fórmula, eles voltaram mais suaves e legaram ao mundo a então onipresente “Rhythm Is A Dancer” (Clube das Mulheres, alguém?).

Turbo B, o rotundo rapper do Snap

Não muito tempo depois de “The Power”, outro riff sampleado e mais um grito de guerra contaminaram o planeta: “everybody dance now!”, que tornava “Gonna Make You Sweat”, do C+C Music Factory, imediatamente reconhecível. A dupla formada por Robert Clivillés e pelo já falecido David Cole foi um dos primeiros a receber o rótulo de “respeitável” pela imprensa, que se esforçava para não se afogar na maré de nomes e singles que desafiavam critérios e faziam sucesso astronômico da noite para o dia e desapareciam com a mesma velocidade, sem deixar rastro. A “cara” do C+C Music Factory era o bombado e marrento rapper Freedom Williams, que depois achou que era “artista” e meteu-se em carreira solo, logo voltando ao anonimato.

C+C Music Factory (nas extremidades, Clivillés e Cole)

Clivillés e Cole ainda provocaram os roxos fãs do U2, fazendo não apenas uma, mas duas versões do hino “Pride (In The Name Of Love)”. Eu ouvi ambas e aprovei. Outro astronômico sucesso da dupla foi a maconheira “Take a Toke”, que aqui na Burrolândia tem fama de “romântica”. Ah, se os pombinhos que se enroscam ao som dela soubessem...

Dois verdadeiros furacões da dance music foram, também, protagonistas de grandes escândalos, à época. Depois que a dupla Milli Vanilli foi desmascarada como meros dubladores, após terem recebido vários Grammy, o vexame voltou a ocupar os noticiários, desta vez com Black Box e Technotronic.

O Black Box era um fabuloso projeto de italo house (a mais puxada para a disco music, cheia de cordas e pianinhos) cuja imagem pública era a da linda modelo Katrin Quinol. Não demorou até que alguém descobrisse que aquele vocal esplêndido, improvável para alguém tão magra, pertencia à rotunda Martha Wash. Ela buscou na justiça sua fatia da fortuna gerada com singles impecáveis como “I Don’t Know Anybody Else”, “Ride On Time”, “Everybody Everybody” e a cover de “Fantasy”, do Earth, Wind & Fire. Dreamland era, reconhecidamente, um dos poucos LPs de dance music que valiam a pena inteiros.

Katrin Quinol e Martha Wash, dubladora e verdadeira voz do Black Box: se você reparar bem, até que elas se parecem...

O caso do Technotronic foi mais simples. Os vocais e raps que pareciam pertencer à curvilínea Felly nada tinham de espetaculares. Mesmo assim, tratava-se de mais um caso de gato por lebre: quem cantava era a baixinha e andrógina Ya Kid K, que assumiu sem pudor a frente do grupo já no segundo single, “Get Up (Before The Night Is Over)”. Além deste, “This Beat Is Technotronic” e “Move This” fizeram tanto ou mais sucesso que a estréia do grupo, “Pump Up The Jam”, de onde saiu o bordão “pump it up”, que no Brasil ganhou a corruptela “poperô” e passou a designar a dance music que freqüentava as Jovem Pan da vida e os cd players de agroboys e outros tipinhos infelizes.

Capa de Pump Up The Jam, a hoje clássica estréia do Technotronic

Estes são apenas alguns dos nomes mais famosos da época. Seria impossível falar de todo mundo em poucos parágrafos e não cometer injustiças. Por exemplo, como eu poderia deixar de mencionar o trio de produtores ingleses Stock, Aitken & Waterman, que revelaram Rick Astley, Kylie Minogue e ressuscitaram a então defunta carreira de Donna Summer? É gente demais e, infelizmente, não dá mesmo para citar todo mundo – até porque não há muito que falar sobre a maioria deles, exceto que deixaram canções que ainda ecoam pelas boites, rádios e academias mais nostálgicas.

Eis aqui uma seleção de 10 músicas para encher um CD curtinho e bem farofa, mas perfeitamente decente.

Shake that body!

01 – “Gonna Make You Sweat”, C+C Music Factory
02 – “The Power”, Snap
03 – “3 a.m. Eternal”, The KLF
04 – “Get Ready For This”, 2 Unlimited
05 – “I Don’t Know Anybody Else”, Black Box
06 – “Cinema”, Ice MC
07 – “Pump Up The Jam”, Technotronic
08 – “The Hitman”, AB Logic
09 – “Be My Lover”, LaBouche
10 – “It's My Life”, Dr. Alban

06/10/2008

Bota, Brasil

Bota, Brasil

Definitivamente, existe alguma coisa muito diferente e muito boa acontecendo com este país.

Quando um prefeito como Gilberto Kassab, um cara com colhões imensos, capaz de medidas antipáticas, mas necessárias, como a proibição de outdoors, fica em primeiro lugar para o segundo turno em São Paulo, isso mostra que ao menos uma parcela da população está pensando mais no bem comum do que em pequenos favorecimentos individuais.

Quando um notório “bandido de Cristo” como Marcelo Crivella, que se valia da dinheirama da Igreja Universal, fica de fora da disputa do segundo turno no Rio, em favor de um homem decente como Fernando Gabeira, isso contraria uma máxima histórica brasileira, segundo a qual a honestidade é sempre premiada com a derrota. Gabeira enfrentará o jovem Eduardo Paes.

Quando um almofadinha de boca dura como ACM Neto, que já ensaia os primeiros passos na truculência que era peculiar ao seu avô, toma uma bolada nas costas e deixa de disputar a prefeitura da cidade que vê como patrimônio da sua família, isso mostra que o coronelismo hereditário está mesmo fora de moda. O petista Walter Pinheiro disputará a prefeitura de Salvador com o atual prefeito, João Henrique. Detalhe: os primeiros anos de João Henrique na prefeitura foram marcados pelo dinheiro curto. “Mera coincidência”, as coisas só melhoraram depois da morte de ACM.

Quando a imprensa internacional se apressa em admitir que o Brasil (tradicional alvo de chacota e equívocos mundo afora) é uma incontestável liderança mundial dos novos tempos e nos damos ao luxo de resistir, com certa tranqüilidade, à pior crise financeira dos últimos 80 anos, quando, em outros tempos, estaríamos entre os primeiros arruinados, alguma coisa está mesmo muito diferente.

Dizem que o país que Lula pegou para governar não tinha como dar errado. Nossa História, porém, tem provado que, sim, é sempre possível piorar. Mesmo com muito ainda por fazer, principalmente no campo da ética política e da modernização das leis, é preciso dar o braço a torcer: o Brasil está num bom rumo. Guiado pelas bases deixadas por FHC, é verdade. Vejam que ironia: mesmo tendo provocado a ira dos mais vermelhos, Lula provou que estava certo ao apostar que FHC estava certo, mas está sabendo imprimir sua marca. Os históricos 80% de aprovação popular devem, enfim, significar algo mais do que simples empatia com sua origem pobre.

Ainda bastante desconfiado, mas contente, reconheço: este país está, definitivamente, mudando.

22/09/2008

Música: felizes retornos (e uma triste partida)

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Música: felizes retornos
(e uma triste partida)

Eu havia comentado que 2008 seria o ano do retorno de grandes artistas. O prognóstico tem se confirmado apenas parcialmente. Entre os então citados, U2, Morrissey e The Cure, por exemplo, empurraram seus novos discos para 2009. Mesmo assim, há muito que festejar, pois o ano continua bastante feliz em termos musicais. Depois de muitos anos dedicados ao gospel (desde que uma louca enciumada o queimou com água fervente), eis que Al Green, o homem que legou ao mundo a impoluta "Let's Stay Together", volta ao soul romântico. Lay It Down, seu glorioso retorno, é música de gente grande e a garganta de Mr. Green continua eriçando os pelos da nossa nuca.

Outros que não decepcionaram em sua volta foram o Metallica e o The Verve. Death Magnetic é a volta do Metallica à sua melhor forma, com uma bateria insana e solos que inspiram acrobacias em air guitar. Já a banda de Richard Ashcroft voltou menos baladeira em Forth e fez a longa espera de 11 anos, desde o já clássico Urban Hymns, plenamente justificada.

Também baixei recentemente Momofuku, de Elvis Costello & The Imposters. Rock 'n' roll básico, rápido e totalmente excelente. Costello também é co-responsável por outro bom download, o blueseiro The River In Reverse (2006), em parceria com Allen Toussaint. É incrível a capacidade de Costello de "pular a cerca", variando de gênero a cada disco, com absoluta desenvoltura.

Minha biblioteca de música em espanhol ganhou um simpático adendo semana passada: o gostoso MTV Unplugged da mexicana Julieta Venegas, que faz música pop altamente assobiável e conta com a participação de Marisa Monte em "Ilusión".

Do lado brasileiro, estive bastante ocupado reparando uma injustiça, baixando os ótimos discos de Lobão na década de 90, que eu ignorei completamente à época do seu lançamento. Bom de música, de letra e de canto, o velho lobo tornou-se um de meus favoritos recentes.

A nota triste do período fica por conta do falecimento de Richard Wright, tecladista do Pink Floyd. Se os brasileiros ainda tinham esperança de ver a banda (que já não lançava material inédito há 15 anos) ao vivo, elas acabam de ser sepultadas com o simpático Richard. Uma reunião sem ele é bastante improvável.

Passados três semestres, 2008 ainda não consta na lista de meus 10 anos mais prolíficos, com 25,3 horas de música até o momento, mas isso há de mudar. Até o começo de outubro, verão a luz do dia discos novos de Travis, Skank, Keane e James Morrison, entre outros. Veja como ficou o Top 10 da vez:

2007 (45,0 horas)
2006 (37,8 horas)
1994 (34,2 horas)
1998 (32,5 horas)
2004 (31,9 horas)
2005 (31,1 horas)
1996 (30,7 horas)
2001 (29,2 horas)
2003 (28,3 horas)
1999 (27,9 horas)

17/09/2008

Capas: O Luxo e o Lixo, pt. 2

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Capas: O Luxo e o Lixo
Parte 2

Devido ao sucesso do primeiro post e aos pedidos de bis, vamos analisar os erros e acertos de mais seis artistas na hora de embalar seu "peixe"! Lembre-se de comentar e indicar suas possíveis outras escolhas!

METALLICA
O luxo: Death Magnetic (2008)
O lixo: Reload (1997)

Death Magnetic não é apenas a volta do Metallica à grande forma: é um disco embalado em uma capa fenomenal, pertinente ao título e ao conteúdo. Por outro lado, Reload, um disco de sobras de um outro disco que já não era tão bom (Load, 1996), ostentava uma capa inexpressiva, mais um dos nojentos trabalhos do falecido artista plástico Andres Serrano, desta vez com urina e sangue bovino (argh!).


U2
O luxo: Zooropa (1993)
O lixo: October (1982)

Em 1993, o U2 pegou o mundo desprevenido, lançando de supresa um disco absolutamente incomum em sua trajetória. O encarte de Zooropa vinha recheado de imagens que passaram a compor o imaginário visual da banda, como o cosmonauta da capa. Bem diferente de October, lançamento de 1982, que clicava a banda no auge da baranguice pós-adolescente. Ninguém diria que eles se tornariam mestres em auto-imagem, um dia.


CRAIG DAVID
O luxo: Trust Me (2007)
O lixo: Slicker Than Your Average (2003)

Primeiro, as apresentações: Craig David é um cantor de R&B com voz bastante agradável, com pelo menos um hit digno de nota, "Seven Days". Agora, preste atenção no sujeito à esquerda, elegantemente desarrumado, com barba por fazer e pinta de machão pegador, e compare-o com a bibinha latina da direita, de cara infeliz, como quem pensa: "Pôxa, nem dei ontem! Que uó!".


BARÃO VERMELHO
O luxo: Carne Crua (1994)
O lixo: Puro Êxtase (1998)

Isso é o que se chama sensação de perigo: a capa de Carne Crua é de uma simplicidade e efeito plástico sensacionais. Quatro anos depois, o Barão desejou pegar carona na cauda do cometa techno. Equivocado, mas, vá lá, Puro Êxtase vendeu até bem. A imagem sugere a banda "mergulhando de cabeça" em um novo som. Está mais para cair de bunda.


EVERYTHING BUT THE GIRL
O luxo: Amplified Heart (1994)
O lixo: Idlewild (1988)

Acredite se quiser: o casal junkie chic do excelente Amplified Heart é o mesmo com pinta de jeca que ilustrava Idlewild, de apenas seis anos antes. É bom ver que o Everything The Girl amadureceu tanto, não apenas no som, mas também na imagem.


R.E.M.
O luxo: Automatic For The People (1992)
O lixo: Murmur (1983)

O disco mais bonito do R.E.M. tem uma capa que explica pouco (o que é aquilo? Uma antena?), mas encanta muito, com simplicidade condizente com a beleza bruta das canções. Na sua estréia, uma capa igualmente enigmática, mas que só me traz à memória o ensaio de Cláudia Ohana na Playboy, nos longínquos anos 80. Haja cabelo (ou moita, dá no mesmo)!

16/09/2008

Surpreendentes X-Men Vol. 1

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Surpreendentes X-Men Vol. 1

Bem que esta coletânea merecia uma edição em capa dura. Afinal, estamos falando de uma das séries mais elogiadas e cultuadas dos tempos recentes. Uma edição graficamente mais caprichada ia valorizar ainda mais as belas histórias de Joss Whedon e emoldurar o excepcional trabalho de John Cassaday para a eternidade. Não rolou, porém, e a galera que aperta cada vez mais seu orçamento para dar conta dos numerosos lançamentos deve ter ficado satisfeita, com as mais de 300 páginas por R$ 38 (ou menos ainda, na internet).

Capa dura ou não, este é um volume obrigatório na coleção de qualquer fã do gênero super-heróico em geral ou dos mutantes da Marvel em particular. O roteirista Joss Whedon promoveu uma volta ao melhor da época áurea de Chris Claremont e John Byrne, do fim dos anos 70 para o começo dos 80: aventuras simples (mas não simplórias), rápidas, divertidas e impactantes. Com diálogos espertos e certeiros, ele deu uma arejada na inflada e complicada fase por que passavam os títulos mutantes até 2004 (e que se estende até hoje, nas outras equipes X). Ao invés de encher a equipe de nulidades coadjuvantes, ele preferiu reduzir a equipe a cinco membros all-star e fazer uma espécie de continuidade natural do trabalho de Grant Morrison em New X-Men, exceto pela ausência de couro preto e milícias mutantes.

O primeiro grande mérito das duas sagas reunidas aqui é o de, finalmente, dar a Kitty Pryde um papel de respeito. Talvez Whedon tenha sido o primeiro a perceber que ela já era adulta e não poderia ser sempre uma chorona ou uma rebelde sem causa, que acredita que cortar os cabelos represente liberdade. Ela chega alerta e desconfiada, principalmente de Emma Frost, mesmo ao saber que entrou para o time a pedido da inglesa.

Como não poderia deixar de ser, são de Emma alguns dos melhores diálogos. Ela é o tipo de anti-heroína que adoramos odiar: insuportável, arrogante, cética e absolutamente divertida, sempre com um comentário ferino na ponta da língua. Além disso, sua relação com Ciclope, ainda sob a sombra da então recente morte de Jean Grey, é de uma dubiedade intrigante: afinal, ela é mesmo uma vilã regenerada ou está ali apenas para manipular Scott Summers em nome de objetivos escusos? A suspeita é reforçada pela fabulosa capa do segundo capítulo (imagem abaixo), mas a verdade está longe de ser tão simples.

Aliás, Scott Summers já havia ganhado sua encarnação definitiva como líder de campo seguro e inteligente com Grant Morrison. Whedon não mexe muito nisso, apenas plantando pequenos lapsos de insegurança, que podem ter a ver não apenas com uma possível manipulação telepática de Emma, mas, também, com o afastamente do Professor Xavier, após os eventos de Planeta X.

Fera e Wolverine, apesar das óbvias afinidades, ficam em campos opostos na primeira história, Superdotados, em que uma geneticista anuncia que descobriu uma maneira de suprimir o gene mutante. Enquanto Hank vê na notícia uma possibilidade de voltar a ser "normal" e, quem sabe, reconquistar Trish Tilby, Logan desconfia das boas intenções e vê em tudo isso uma limpeza ética disfarça de benevolência. Suas naturezas bestiais seriam ainda mais exploradas no segundo ano da série.

A grande reviravolta da série, entretanto, deu-se na quarta edição, quando um personagem muito querido dos leitores, morto de maneira estúpida anos antes, é ressuscitado de forma triunfal, emocionante e sem muitas explicações. Um segredo mantido a sete chaves, com devida ajuda de pistas que davam a entender que seria a eternamente ressurrecta Jean Grey.

As edições 7 a 12, com a saga Perigoso, mostram que os X-Men mantinham na sua mansão um inimigo silencioso, que os estudou durante longos anos e finalmente parte para o ataque: a própria Sala de Perigo! O grande lance da trama, porém, é a descoberta da sua verdadeira natureza e das razões do seu ódio pelos X-Men e por Xavier, algo que abalará para sempre a confiança do grupo em seu mentor.

Paralela a tudo isso, existe a trama envolvendo um novo inimigo, Ord, que vem à Terra com a missão de acabar com os X-Men e impedir que um deles destrua seu mundo natal, tragédia antecipada em uma antiga profecia.

As qualidades das tramas de Joss Whedon são reforçadas pelo assombroso talento gráfico de John Cassaday, que cria seqüências inesquecíveis a cada edição, num estilo ao mesmo tempo limpo e detalhista, sempre muito eficiente. A tal cena da ressureição, por exemplo, traz uma página sem diálogos que é absolutamente brilhante em seu teor emocional. O trabalho de Cassaday se compara a storyboards de cinema; é como se um filme estivesse se desenvolvendo nas páginas da revista.

Se você ainda não leu, é a sua chance de ter na estante um dos melhores quadrinhos dos últimos anos. Se você comprou as edições mensais de X-Men Extra que continham estas sagas, vai achar o máximo ter estas histórias maravilhosas reunidas, sem a mácula de coisas fedorentas como Excalibur. Um livrão para guardar com carinho. Nota 10.

10/09/2008

Tá entrando areia... na Terra.

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Tá entrando areia... na Terra.

Eu nem sabia que essa profissão existia, mas astrobiólogos são cientistas empenhados na busca de vida extraterrena e de mundos em condições de receber a espécie humana, caso a Terra entre em tilt irreversível. Em entrevista à revista Época de 25 de agosto, um astrobiólogo da Nasa, Chris McKay, fala de uma possível terraformação de Marte, processo que teria duas etapas: a primeira, com o objetivo de tornar o planeta vermelho mais quente, consiste em encher a atmosfera com gases do efeito estufa e levaria cerca de um século; a segunda, destinada a modificar a atmosfera marciana e torná-la respirável, levaria, "apenas" 100 mil anos. Astrobiólogos devem ser, enfim, as pessoas mais otimistas do planeta, pois já se fala em colapso total da Terra para as próximas décadas ou, no máximo, séculos.

Corta, da Nasa para o interior baiano. Pois estava eu caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento, quando reparei na fartura de automóveis nas ruas de Alagoinhas, que nem é uma cidade tão grande (cerca de 150 mil habitantes), mas já enfrenta problemas como lentidão e horas de rush enlouquecedoras (para os padrões locais, é claro). Eu, que não sei dirigir e poucas vezes na vida desejei ter um carro (a menos que motorista fosse acessório de série), fiquei pensando se um dia será possível equilibrar nossas conquistas materiais com o cuidado de que o planeta precisa.

Sim, porque enquanto comemoramos os bons resultados da nossa economia e vibramos com nossa recém-adquirida capacidade de dar vazão a sonhos de consumo (carros, por exemplo), o planeta agoniza e, apesar de todo mundo saber de cor a atual ladainha ecologicamente correta, falando de como devemos nos unir em prol de nosso combalido mundinho, a verdade é que a indústria automobilística, faturando como nunca, está pouco se lixando se o excesso de carros vai levar as cidades ao colapso.

Dar a esta complicada equação uma solução justa para todas as partes é trabalho difícil, nas raias do impossível. Afinal, quando a economia acelera, as indústrias crescem, os postos de emprego aumentam e o povão compra cada vez mais (e comprar é gostoso demais, como bem sabemos). Se todo mundo fosse acometido de uma súbita consciência ecológica, compraríamos menos ou simplesmente não compraríamos carros, além de usar menos os que já estão nas ruas. Com isso, a economia daria uma freada, as indústrias cortariam custos (leia-se "demitiriam em massa") e o povão teria que se contentar, de novo, em apenas sonhar.

Como ninguém quer sair perdendo, precisamos decidir se vamos pensar mais no próximo, tanto de hoje quanto do futuro, olhando para fora de nosso nossos vidros peliculados, descruzando os braços e lutando por um sistema de transporte coletivo eficiente, limpo, confortável e de preço justo; ou se vamos assumir que somos um bando de egoístas filhos-da-mãe e entulhar as ruas com cada vez mais automóveis, mesmo sem poder circular acima de 20 km/h e com plena consciência de estar contribuindo para o caos urbano e para o efeito estufa.

Pensando bem, deve ser mais fácil descobrir vida em outros mundos do que mudar as cabeças aqui neste planeta. Continue com seu trabalho, caro McKay.

02/09/2008

Promoção: Os Leões de Bagdá

OS LEÕES DE BAGDÁ
vão rugir na sua casa!

- Vocês querem bacalhau?
- Nããããão!
- Vocês querem a mandioca da Maria Bethânia?
-
Nããããão!
- Vocês querem Os Leões de Bagdá, na faixa?
- Siiiiim!

É chegada, mais uma vez, aquele momento mágico no Catapop, em que até o mais ectoplásmico dos leitores-fantasmas dá o ar de sua graça em nossos comentários. Afinal, quem não gosta de ganhar presente? Ainda mais quando se trata de um presente deste nível: Os Leões de Bagdá, magistralmente escrita por Brian K. Vaughan e desenhada por Niko Henrichon, é uma das graphic novels mais elogiadas e premiadas dos últimos tempos! (review logo abaixo)

Para concorrer, o esquema é simples e bem conhecido: basta você marcar presença assídua nos comentários de nossos posts, entre os dias 03 de Setembro e 03 de Novembro, data em que o Catapop completará três anos de atividade! Nesse dia, um sortudo leitor do nosso amado blog será contemplado com esta genial obra da DC/Vertigo!

A brincadeira começa agora! Mãos à obra, galera - e boa sorte!

=============== X ================


Os Leões de Bagdá


A emocionante saga dos quatro leões fugitivos do zoológico de uma Bagdá destruída pela segunda Guerra do Golfo presta-se a diversas analogias: com a situação dos iraquianos simpáticos à presença dos americanos, com os imigrantes ilegais em uma terra estranha, com a dificuldade em relacionar-se com o próximo, principalmente quando este próximo é diferente, e com a nossa eterna busca por uma felicidade cada vez mais intangível e uma liberdade cada vez mais restrita.

Claro, haverá aqueles que verão apenas quatro leões famintos, tentando sobreviver em uma terra devastada. É um ponto-de-vista válido, também, e que não deixa a leitura menos impactante.

O fato, porém, é que Brian K. Vaughan (autor de Ex-Machina e Y: O Último Homem) fez de seus leões seres como nós, que sofrem com a violência, a fome, a desconfiança, o medo do desconhecido e a total falta de controle sobre os próprios destinos. Praticamente não há humanos em cena, mas é impossível não haver identificação e empatia com as quatro feras. Durante a árdua jornada, pipocam críticas ao intervencionismo norte-americano, à hipocrisia das razões dadas para o conflito e, mais sutilmente, à nossa própria inabilidade de viver com nosso semelhante.

O traço delicado e marcante de Niko Henrichon, complementado por sua eficiente colorização digital, empresta mais brilho à narrativa, com passagens inesquecíveis, especialmente nas cenas abertas. As páginas duplas, principalmente quando fazem uso da arruinada arquitetura da capital iraquiana, colam em nossas retinas e em nossa memória para sempre.

Prepare-se para um final corajoso, poético e brutal, quando a realidade nos arranca do sonho de andar com os leões que queriam ser livres e simplesmente não sabiam como. Você vai querer mostrar isso pro seus netos, tenho certeza. Nota 10.