21/07/2008

Batman - O Cavaleiro das Trevas

Batman - O Cavaleiro das Trevas

É hora de responder à fatídica pergunta: Batman - O Cavaleiro das Trevas é o melhor filme de super-heróis de todos os tempos?

Não.

Não é, porque "filme de super-heróis" é extremamente limitador, pior apenas que "adaptação de quadrinhos", termos que parecem ter sido criados para designar filmes que não se devem levar a sério (exceto, claro, pelos milhões que injetam nos estúdios). Assim tem sido e, se você quer saber, é assim que deve ser - mas, por favor, não coloque este filme nessa gaveta, tão estreita e rasa. Ele não cabe aí.

O filme que eu assisti era um senhor drama policial que, por acaso, tem como protagonista um vigilante uniformizado. Não exatamente um herói, porque não é isso que o Batman ambiciona ser (e, ao fim do filme, você vai me entender). Batman sabe apenas que o braço da justiça não é tão longo quanto deveria ser e dispensa o crédito de trazer aqueles mais escorregadios para o raio de alcance da lei. Trata-se apenas de fazer o certo, e a isso não se dá o nome de heroísmo: é apenas o nosso dever moral.

Você já deve saber disso tudo, claro. Muito provavelmente, conhece o Batman de longa data e bem o suficiente para saber que nem a série cômica da década de 60, nem os filmes de Tim Burton e (especialmente) Joel Schumacher faziam jus ao personagem. Batman Begins, de 2005, foi o filme que, finalmente, trouxe dignidade à franquia. Entretanto, o diretor Christopher Nolan estava ligeiramente engessado pela obrigação de gastar boa parte do filme contando a origem do personagem. Mesmo assim, conseguiu agradar à crítica, ao exigente público leitor de quadrinhos e ao povão em geral. Os segredos: fidelidade, inteligência, seriedade e pequenas, mas sábias, transgressões que fizeram muito bem ao espetáculo.

Agora, multiplique aqueles acertos por 10.

Batman - O Cavaleiro das Trevas
é um espetáculo cinematográfico, ponto. Não tem essa de "filme de herói". Trata-se de CINEMA, assim, com todas maiúsculas. A campanha pelo Oscar de Heath Ledger é justa, mas, se a Academia for minimamente imparcial em 2009, não será exagero esperar que o filme arranque indicações para melhor roteiro, melhor diretor (ainda Christopher Nolan) e até melhor filme. Não digo isso como o fã dedicado que tem o Batman como avatar do MSN e do Orkut, mas como alguém apaixonado por cinema e que já viu muitos filmes muito bons. Vou deixar fácil pra você entender: este é um dos três melhores filmes que eu já vi na vida. Nos outros dois, eu penso mais tarde.

Você não deve lembrar a última vez que passou duas horas e meia tão fluidas no cinema. Isto se deve ao fato de que Batman - O Cavaleiro das Trevas não desperdiça um só segundo da sua atenção com cenas desimportantes ou diálogos desnecessários. Tudo que se vê na tela contribui para o andamento da história. Não há descanso e nem clímax fajuto: a sucessão de cenas de tirar o fôlego é impressionante! Eu me lembro de ter soltado um palavrão especialmente cabeludo na cena da captura do Sr. Lau (um empresário safado, laranja de mafiosos, interessado em associar-se às Indústrias Wayne), em Hong Kong, e na famosa cena do caminhão tombado.

Nolan esmerou-se em dar sentido até a uma antiga implicância dos fãs: a de que, por causa do rígido capuz de látex, o Batman não conseguia virar o pescoço ou olhar para cima (o próprio Bruce Wayne queixa-se disso a Lucius Fox). O diretor conseguiu arrancar do elenco interpretações impecáveis, desde Christian Bale (perfeito como o Batman mais experiente, porém incomodado com o custo em vidas da sua missão), passando por Gary Oldman (um Tenente Gordon obstinado e obrigado a nadar entre tubarões), Maggie Gyllenhaal (uma Rachel Dawes bem mais cativante que Katie Holmes) e Aaron Eckhart (brilhante como o correto Harvey Dent, um homem comum que cede ao peso de suas perdas pessoais e profissionais, para tornar-se o Duas-Caras).

Apesar disso, é impossível não prestar especial atenção a Heath Ledger. O último vilão a me esfriar o sangue havia sido Hannibal Lecter, papel de Anthony Hopkins em O Silêncio dos Inocentes (1991) que lhe rendeu um Oscar. Pois bem, é deste nível de interpretação e de maldade que estamos falando aqui - e acima, até. A única diferença é que o Coringa não come carne humana. Foi impossível não "ouvir" o pesado silêncio que tomou conta da sala de cinema onde eu estava, na assustadora primeira cena em que o Coringa conta a origem das cicatrizes em suas bochechas. Apague da sua memória o histrionismo de Jack Nicholson, pois é Ledger o Coringa definitivo: demente, assustador, perigoso e totalmente apaixonado pela missão de infernizar a vida do Batman.

Batman - O Cavaleiro das Trevas, enfim, entregou muito mais do que prometeu em seus empolgantes trailers e em seus magníficos cartazes. Poucas vezes uma expectativa tão alta foi tão gloriosamente recompensada. Se você já viu, vá rever. Se você ainda não viu... Bem, você não viveu de verdade, até este momento. Assim como aconteceu à minissérie O Reino do Amanhã, este filme é digno de um conceito altamente exclusivo. Nota 11.

16/07/2008

Panini mexe na DC

Panini mexe na DC

Pela primeira vez em mais de cinco anos, a Panini Comics decidiu fazer uma faxina na linha DC Comics. As mudanças já foram amplamente divulgadas e estão tirando o sono dos mais xiitas. Ok, nunca é bom termos menos material nas bancas, mas acho que a o inchaço de títulos DC tinha levado a uma situação realmente insustentável. Como se sabe, já faz alguns meses que a editora vem amargando um péssimo momento de crítica e vendas nos EUA, salvo exceções como Superman e Green Lantern. As derrotas para a Marvel ficam cada vez mais vexatórias e nem mesmo a Crise Final, escrita por Grant Morrison, um cara a quem sempre se deve um belo montante de crédito, parece capaz de melhorar a situação. Compreensível, enfim, que a Panini Brasil se acautele.

O problema é com o momento e a forma escolhidos para o evento - com possibilidade de reboot, algo que causa calafrios em colecionadores. Às portas da estréia de um filme (Batman - O Cavaleiro das Trevas) cuja aparentemente inevitável estrondoso sucesso poderia render dividendos aos quadrinhos aqui publicados, uma das primeiras providências da Panini foi suspender Batman Extra. Tudo bem, é um título que publica histórias independentes da cronologia e a Panini até prometeu ressuscitá-lo em 2009 , mas este era o momento de aproveitar TUDO que tivesse Batman no nome.

Ao menos, tivemos o anúncio de dois volumes de luxo que devem levar queixos ao chão e porquinhos à morte: a edição Absolute de O Longo Dia das Bruxas (a premiada minissérie de Jeph Loeb e Tim Sale, já publicada pela Abril) e o primeiro volume do Batman por Neal Adams (reunindo o trabalho do roteirista que limou robôs, ETs e viagens no tempo, praticamente inventando o Batman como o conhecemos hoje). Outro belo lançamento anunciado não diz respeito (só) ao Batman, mas é sensacional: Crise nas Múltiplas Terras, reunindo crossovers entre a Liga e a Sociedade da Justiça, desde o pré-Crise de 1985.

Voltando às mensais, duas revistas que mal nasceram já vão morrer: Universo DC e Os Melhores do Mundo acabam em agosto, respectivamente, nas edições 15 e 14. São casos distintos. Universo DC desde sempre tinha uma imagem de revista "lado B", com boas séries à margem do "circuitão", como a magnífica Xeque-Mate e a divertida Pacto das Sombras. Quando finalmente ganhou uma atração de peso (Sociedade da Justiça) e um logotipo decente, a Panini opta por seu cancelamento. Bola fora 1. Por outro lado, não dá para acreditar em uma revista chamada Os Melhores do Mundo que não tenha Batman e/ou Superman. Exceto pela Mulher-Maravilha, era um monte de histórias legais, mas dispensáveis (Legião dos Super-Heróis) ou simplesmente intragáveis (Íon, Flash). Cancelá-la não faria tanto mal, se a Panini não tivesse cometido a sandice de iniciar uma série ansiosamente aguardada (O Bravo e o Audaz, na edição 12) em uma revista condenada à morte! Bola fora 2!

Mas, vá lá... No lugar das duas, em setembro estréia a revista do Lanterna Verde, finalmente dando início à publicação da Guerra dos Anéis (abortada de Liga da Justiça 68). Uma revista pro Gladiador Esmeralda é pedido antigo dos fãs e justifica-se plenamente, visto que seu título, escrito por Geoff Johns e desenhado pelo nosso Ivan Reis, é um dos melhores (se não o melhor) da DC hoje em dia. Toda a galera verde da DC deve ficar abrigada nela: a nova série Arqueiro Verde & Canário Negro e a Tropa das Lanternas Verdes. Sobra uma vaga, para a qual aposto em Xeque-Mate.

Falando em mixes, é pensando nas revistas mais antigas que vejo que um corte não faz tanto mal assim. Entre saídas e retornos, os mixes de Superman, Batman, Liga da Justiça, Novos Titãs e Superman & Batman devem ficar fortalecidos. Esta última é a que carece mais urgentemente de um novo gás, visto que o carro-chefe virou uma palhaçada, e Aquaman, uma gororoba que foi até gostosa no início, mas já enjoou, depois de tantas pontas soltas e mistérios insolutos. Com a volta de Batman à liderança dos Renegados, a série deve migrar pra cá. Considerando o mix de hoje, sobram duas vagas. Acredito que uma deva ficar com O Bravo e o Audaz e a outra com o Gladiador Dourado.

LJA perde o Lanterna, mas deve ganhar de volta a SJA, além de Flash e, provavelmente, Mulher-Maravilha. Sobra uma vaga, mas só até o momento de publicar a divisão "renegada" da Liga, liderada por Hal Jordan e escrita por James Robinson. Superman deve abrigar as duas séries regulares do herói, mais a intragável Supergirl e a Legião dos Super-Heróis. Novos Titãs praticamente não muda, exceto pela troca dos Renegados por (minha aposta) Pacto das Sombras. Batman também deve ficar como está: duas do Morcego, Asa Noturna (argh!) e Mulher-Gato.

Assim, teremos 600 páginas mensais com praticamente todas as séries que realmente importam (e até algumas que nem importam tanto assim), além do benefício extra de nos livrarmos dos malditos Confidenciais!

(Uma possível volta de Batman Extra como revista de cronologia, em 2009, deve bagunçar alguns mixes mais uma vez. Prepare o seu esperneio desde já.)

Se há algo que se possa criticar nessa reformulação, é o fim da periodicidade regular da trimestral DC Especial e da bimestral DC Apresenta. Segundo o editor-sênior da Panini Comics, Fabiano Denardin (o Oggh), elas só sairão quando houver material "excelente" a publicar - e a pergunta que não quer calar é: "excelente" segundo quem, Figa? Ops, quero dizer, Oggh! Sim, eu entendo que são revistas com propósitos parecidos, de publicar sagas fechadas ou momentos de transição em títulos regulares, mas, embora o cross seja uma coisa hedionda, não posso deixar de questonar: por que a Marvel pode e a DC, não?

Enfim, como eu disse antes, ver revistas canceladas é péssimo, mas, se serve de consolo, ficará mais fácil juntar aquela grana para comprar os cada vez mais numerosos, luxuosos e onerosos encadernados que a Panini e outras editoras jogam nas livrarias todo mês.

09/07/2008

Loki

Loki

Vilões costumam ser bem mais interessante que heróis. Ainda mais quando se fala em Thor, um herói cujo empatia comigo sempre esteve próxima de zero, de modo que até um jumento com seus poderes (Bill Raio Beta) era mais interessante que o original. Por isso, Loki não deixou de me causar curiosidade, quando lançada originalmente pela Panini, em 2005. Infelizmente, não o suficiente para me fazer levá-la pra casa.

Corta para 2008. Estou na Saraiva de Salvador e procuro ansioso por Os Leões de Bagdá. Decepção: não tem. Mas eis que lá está Loki, em pilhas e com uma plaquinha que ressalta o preço convidativo (quantos livros de capa dura a Panini lançou a R$ 19,90?). E lá fui eu, decenauta roxo, pego em mais um de meus arroubos de enrustimento marvético.

A Panini deveria arriscar o velho slogan: "satisfação garantida ou seu dinheiro de volta". É impossível não gostar de Loki. Primeiro, porque aquele linguajar pomposo é divertido pra caramba. Segundo, porque o chato do Thor mal aparece. Por fim, porque o escritor Robert Rodi promove um dos mais encantadores devassamentos da alma de um vilão que eu já tive o gosto de ler. De uma só tacada, a gente sente raiva, pena e simpatia por Loki, um deus de quinta categoria, filho adotivo, invejoso, mesquinho e ressentido das eternas comparações com o irmão mais bonito e mais poderoso. Quer coisa mais humana que isso?

A história tenta imaginar o que aconteceria se Loki finalmente conseguisse tudo que sempre desejou: derrotar Thor e governar Asgard. Não deixa de ser engraçado vê-lo aborrecido com os afazeres dos soberanos, como conceder audiências a camponeses. Para sua surpresa, sua naturalmente esperada vingança sobre Thor vai sendo sucessivamente adiada, tamanhas a seqüência de surpresas e a confusão de sentimentos que se apodera do novo monarca asgardiano. Mais do que sobre o reino ou sobre seus inimigos, Loki acaba aprendendo muito sobre si próprio.

Não fosse o texto de Rodi um atrativo por si só, ainda existe a fabulosa arte de Esad Ribic, um cara de talento imenso, antes restrito às capas de um gibi vagabundo feito Wolverine. A edição da Panini traz um resumo das lendas nórdicas envolvendo Thor e Loki, mas ficou devendo dados biográficos e entrevistas com os autores. Não seria isso, entretanto, que embaçaria o brilho dessa HQ de gente grande. Um belo álbum. Nota 10.

04/07/2008

Cinema: tirando o atraso!

CINEMA
Tirando o atraso!

Wall-E

Anote estas palavras: Pixar será um nome tão ligado à infância e à magia no século 21 quanto Disney o foi no século 20. Wall-E é um dos filmes mais encantadores e inteligentes do estúdio, fato ainda mais importante quando consideramos que o filme praticamente não tem diálogos durante quase uma hora. A história: num futuro distante (pero no mucho), a vida na Terra tornou-se inviável devido à contaminação por lixo e outros detritos. O solo ficou estéril e os seres humanos deixaram o planeta a bordo de uma gigantesca nave que, na verdade, não passa de um grande shopping resort. A tarefa de juntar, compactar e empilhar o lixo ficou a cargo de pequenos robôs. O único que ainda funciona é justamente o Wall-E do título (que, na verdade, é uma marca, não um nome próprio). Viciado em velhos filmes musicais, ele descobre o amor com a chegada da robô-sonda Eva. Porém, ganhar o coração da ultra-moderna e misteriosa Eva não será fácil. Num filme da Pixar, além dos momentos engraçados e emocionantes, sempre há espaço para crítica social - desta vez, além do óbvio alerta ambiental, sobra chumbo para o consumismo e o sedentarismo. Quantos estúdios de cinema que você conhece estão preocupados em transformar crianças em pequenos cidadãos, enquanto as diverte? Nota 10.

O Incrível Hulk

Sim, eu gostei do filme do Hulk de látex verde-limão, dirigido por Ang Lee, mas tinha que concordar que ele era um produto completamente destoante da recente safra de êxitos da Marvel, iniciada com X-Men, em 2000. A ação e o heroísmo foram deixados de lado, em favor da exploração das angústias interiores de Bruce Banner. Não chegou a ser um fracasso de bilheteria, mas ficou aquém das expectativas, principalmente pros nerds mais roxos, que queriam ver na tela toda a destruição que o bicho poderia causar. Pois bem, aí está. Temos um Banner melhor (Edward Norton), um General Ross mais apropriado (William Hurt) um vilão digno do Hulk (Tim Roth, excelente como o Abominável) e pancadaria das boas. Pena que a Betty Ross atual (Liv Tyler) perca de lavada da anterior (Jennifer Connely), em beleza e talento dramático, e que o Hulk, mesmo melhorado, continue inverossímil. Os brasileiros ainda podem se divertir com a dublagem dos diálogos em português, com "S" em excesso para a galera que costuma falar "dez reau". Como em Homem de Ferro, há mais uma pista da formação dos Vingadores, com aparição de Tony Stark (Robert Downey Jr.). Nota 8,5.

Fim dos Tempos

Numa dia comum, um estranho fenômeno atinge o Central Park, em Nova York: sem qualquer explicação ou hesitação, as pessoas começam a se matar. Pensando tratar-se de um ataque terrorista, as pessoas começam a fugir da cidade, acreditando que os alvos sejam apenas grandes centros, mas o evento passa a acontecer em cidades cada vez menores - e terrorismo logo vira tese descartada. Enquanto tenta sobreviver e entender o cataclismo, um professor de biologia (Mark Wahlberg) ainda precisa resolver uma crise com a esposa relutante (Zooey Deschanel) e proteger a filha de um amigo. Este violento libelo ecológico do diretor M. Night Shyamalan não tem o brilho de O Sexto Sentido ou A Vila, mas traz cenas dignas de figurar em pesadelos, como a chuva de operários de um prédio em construção. A crueza visual tomou o lugar do clima sobrenatural dos filmes de antes, mas Fim dos Tempos prende a atenção, mesmo com a notada ausência de um inimigo visível. Nota 7,5.

E ainda, em DVD...

Os Sem-Floresta - Um pequeno e impactante trecho sobre o consumismo humano, durante uma aula na faculdade, foi o que me chamou a atenção para esta animação da Dreamworks. É bem divertida e traz boas lições para a petizada - como a de que aquele amigo esperto, engraçado e descolado pode não ser a melhor das companhias. Elenco estelar na dublagem original. Nota 7,5.

A Maldição da Flor Dourada - Ok, Zhang Yimou, já sabemos que os chineses são altamente esmerados na composição visual de seus filmes. Agora, que tal investir mais em roteiros melhores? O que este filme enche os olhos com tantas cores e luxo, em igual medida enche o saco pelo tom excessivamente contemplativo e melodramático. Quem gosta de finais felizes deve manter distância. Fãs de artes marciais também ficarão decepcionados com as lutas pífias, exceto pela "chuva" de ninjas. Nota 5,0.

A Dama Na Água - Você leu por aí que este filme é uma porcaria, certo? Pois é, eu também li e estava relutante em arriscar, mas não é que ele é uma grata surpresa? O sinistro conto de fadas realizado de M. Night Shyamalan tem Paul Giamatti em grande atuação e Bryce Dallas-Howard em perfeita fragilidade. A bronca deve ser (hm... com certeza, é) porque ele mostra um crítico de cinema como alguém que parece saber muito, mas que acaba se revelando equivocado e inconseqüente - e ainda o mata. Entre críticos e Shyamalan, não tenha dúvidas: escolha o diretor. Nota 8,0.


SuperSize Me
- Se você é daqueles que não passam um dia sequer sem atracar-se com um Big Mac, terá bons motivos para mudar de hábitos. Por 30 dias, Morgan Spurlock submeteu-se a uma dieta exclusiva de McDonald's e, claro, estrepou-se. Parece absurdo, mas existe gente que toma café, almoça e janta no Mac, sem saber (ou sem ligar para) o mal que isso faz. Você nunca mais vai olhar para o palhaço Ronald do mesmo jeito. Este documentário deveria entrar na grade curricular das escolas. Nota 9,0.

Marcas da Violência - Esse foi dica do Luwig, mas eu já estava de olho nele há algum tempo. Tom Stall (Viggo Mortensen) vive uma vida pacata, numa cidade mais pacata ainda, com esposa e dois filhos. Reagindo a um assalto a seu restaurante, ele executa dois criminosos e torna-se celebridade local. Mesmo famoso, tenta seguir uma vida normal, até que um mafioso (Ed Harris), que diz conhecê-lo por outro nome, começa a roubar sua paz. Muita violência e segredos sujos neste drama enxuto e contundente, dirigido por David Cronenberg (de A Mosca). William Hurt está ótimo em uma ponta de luxo. Nota 9,0.

24 Horas, 6ª Temporada - Dos seis discos, vi apenas três, até o momento. Na ânsia de chocar, houve um aumento da crueldade que beira o pastelão. Não há episódio sem ao menos uma cena nauseante de tortura: facadas no joelho, furadeira no ombro... coisas assim, cândidas. Isso sem falar em familiares e amigos se matando, e de certa dubiedade entre apologia e denúncia da xenofobia. O elenco é competente como sempre, mas as ameaças e conspirações já estão repetitivas e, não à toa, a audiência caiu e acendeu-se a luz amarela para a sétima temporada. Nota 7,0.