31/08/2008

O Procurado

O Procurado

Como eu não li a série escrita por Mark Millar, não vou ficar fazendo comparações. Vou falar de O Procurado apenas como filme.

Ainda estou decidindo se gostei ou não.

No filme, Wesley Gibson é um zé-ninguém que se vê perseguido por assassinos. Um grupo conhecido como a Fraternidade pretende treiná-lo e transformá-lo em um deles, para que possa enfrentar um renegado que deseja matá-lo e acabar com a Fraternidade. Assim, Gibson sai de sua condição de loser irremediável e parte em busca de seu destino como matador infalível.

O que há para se gostar? Boas cenas de ações (apesar do exagero de câmera lenta) e um protagonista carismático (James McAvoy), além de um elenco de apoio vistoso (Angelina Jolie, assustadoramente magra, Morgan Freeman e até o rapper Common, numa ponta monossilábica). Algumas reviravoltas e lances de humor negro também são bem legais.

E para não gostar, o que há? O mais incômodo é o exagero nessa história de curvar balas. Fazê-las descrever um certo ângulo parece até concebível, mas, em certas cenas, as danadas fazem uma trajetória circular! Eram balas ou bumerangues? Ninguém aqui quer cobrar lógica de um filme de ação, mas, devagar com esse andor, né? Outro problema é que, para um filme-pipoca, há violência demais e o filme é muito, muito barulhento. Por fim, o personagem de McAvoy comete uma burrada inacreditável, justo na hora em que qualquer um pensaria, "epa, tem caroço nesse angu!".

O Procurado é, enfim, perfeitamente esquecível, mas, pelo menos, não deixa aquela sensação de que você desperdiçou a grana do ingresso. Há investimentos melhores, porém. Nota 6,0.

27/08/2008

Novos tempos para a DC/Panini... e para mim!

Novos tempos para a DC/Panini... e para mim!

Bem, eu fiz a minha parte. Fiz bem e fiz durante bastante tempo, desde antes da Panini. Sempre tentei prestigiar o trabalho das editoras, fosse bom ou mau, comprando o máximo de títulos que pudesse, principalmente quando se tratava da DC Comics. Só que hoje, passados mais de vinte anos desde que me iniciei neste lazer apaixonante que são os quadrinhos de super-heróis, é hora de puxar o freio e adotar uma postura mais serena.

A bem da verdade, eu vinha comprando certos títulos no piloto automático. Veja o caso de Novos Titãs, por exemplo. A série principal é um fiasco e os Renegados viraram uma tortura. Aves de Rapina e Robin são divertidas, com seus altos e baixos, mas estão longe de serem leitura fundamental. Caso grave, também, é o de Superman & Batman: o título principal virou uma piada (das ruins), Aquaman perdeu o rumo, Arqueiro Verde oscila demais e Tropa dos Lanternas Verdes ia bem, mas agora mudou de casa. Pra que insistir num título desse?

Sim, mudanças de mix estão na agulha pra estrear em Setembro, mas, para mim, chega. Já parei coleções por diversos motivos, que vão desde a falta de grana até o radicalismo decenauta, mas, os tempos são outros, o mercado é outro e, principalmente, eu sou outro.

A partir do mês que vem, os títulos mensais fixos da DC serão seis, mas eu vou continuar com apenas quatro deles: Superman, Batman, Liga da Justiça e a nova Lanterna Verde ("Dimensão DC" é a cabeça do meu p**). A verminose que me faria comprar Contagem Regressiva e Prelúdio Para Crise Final foi domada e eu não pretendo gastar meu suado dinheiro com séries confusas e de qualidade questionável. Pra me fazer sair da linha, vai ter que ser coisa fina.

Felizmente, coisa fina é o que não falta hoje em dia. O mercado de encadernados se transformou num opção muito atraente, tanto para os leitores (que podem comprar edições caprichadas com suas sagas favoritas, sem as máculas que as revistas mix impõem) e para as editoras (que investem cada vez mais no segmento, o que quer dizer que tornou-se um nicho financeiramente compensador). O preço costuma ser relativamente alto, mas é sempre possível encontrar boas promoções ou condições de frete que amenizam a facada.

Pois então... Com a grana economizada nas bancas, eu posso investir ocasionalmente em encadernados ou em qualquer outra coisa. Posso simplesmente guardar a grana, também! Gente, confesso que eu, um gastador profissional e poupador sofrível, quase não me reconheço, dizendo essas coisas! Heheheh!

18/08/2008

Superman 69

Superman 69

As últimas decisões editoriais da Panini Comics me fizeram perder interesse em escrever meus tradicionais Resumões, nos últimos dois meses. Superman 69, entretanto, é um caso muito especial. A edição entra para a História do personagem no Brasil como séria candidata a melhor edição de todos os tempos - afinal, três de seus arcos mais elogiados dos últimos tempos têm sua conclusão aqui! Pena que a Superbitch contamine o sagrado ambiente, com mais um episódio de Malhação!

A Queda de Camelot (Kurt Busiek e Carlos Pacheco)
Arion veio do passado dizendo que uma grane catástrofe espreita a humanidade e que o Superman não deve intervir, sob pena de piorar as coisas. Logicamente, o Super não engoliu o papo fatalista e o quebra-pau se arrastou bonito durante toda a saga. No grand finale, Arion apela para monstros marinhos (artifício tosco, mas adequado para alguém versado em artes mágicas) e a vitória do Superman não o impede de temer o sombrio presságio, parcialmente confirmado pelo Vingador Fantasma: algo muito ruim deve mesmo acontecer em breve. Assim se conclui uma das sagas mais movimentadas do Superman, com perfeito domínio narrativo de Kurt Busiek e do sempre competente desenhista Carlos Pacheco. Nota 9,0.

Supergirl (Joe Kelly e Ale Garza)
Joe Kelly fez o que pôde para salvar a Supergirl do naufrágio completo e deu-se parcialmente bem, nas duas últimas partes. Na anterior, finalmente saiu uma explicação razoavelmente engolível para a quizumba que havia virado a personagem do avesso. Nesta, fechando sua participação, Kelly amarra as pontas soltas e deixa Kara pronta para o que virá até a Crise Final. Podia ter sido (como já foi) bem pior. Nota 6,0.

Kryptonita (Darwyn Cooke e Tim Sale)
O escritor e o artista que melhor entendem o conceito de vintage na DC se uniram para esta história emocionante, cuja penúltima parte havia sido publicada há oito meses! No princípio de sua carreira heróica e logo depois de haver sido subjugado por Lex Luthor, Superman finalmente faz contato com a entidade dentro do bloco de krytponita que o acompanhou desde a destruição de Krypton e aprende sobre seus pais e seu planeta natal. Ao mesmo tempo, Kal-El aprende ainda mais sobre o que o torna tão próximo dos humanos. Uma história para guardar no coração. Nota 10.

Último Filho (Richard Donner, Geoff Johns e Adam Kubert)

Desde este capítulo final (que a Panini publica em tempo recorde, apenas um mês após sair nos EUA!), a DC não anunciou qualquer novo trabalho com Richard Donner à frente. É uma pena, porque ele demonstrou saber muito sobre como tornar o Superman interessante, aproveitando conceitos de trinta anos antes, quando dirigiu o primeiro superfilme. Com a ajuda de Geoff Johns nos roteiros e a arte espetacular de Adam Kubert (que cria cenas de encher os olhos e deve fazer seu irmão Andy, atual artista do Batman, pensar em abrir uma floricultura), Donner criou uma saga empolgante e relevante, mesmo acabando com o mito do "último filho de Krypton". Como não podia deixar de ser, uma grande saga do Superman precisa de uma grande participação de Lex Luthor, e o falido careca não decepciona, com toda a megalomania que lhe é peculiar. Só não ofusca a comovente atuação de Christopher Kent, o "filho" que Clark jamais poderá ter. Mais um momento para a Eternidade, que põe o Superman no seu devido lugar: o de Maior dos Heróis. Nota 10.

10/08/2008

Para inglês ver e ouvir

Para inglês ver e ouvir

Se a sua resposta à pergunta "do you speak English?" é “não”, já deve saber o óbvio: aos poucos, as portas estão se fechando pra você. A clássica desculpa patriótica de que “sou brasileiro e só preciso falar português” já não cola mais. Se você não fala inglês, seu currículo já perde um pouco do valor. O inglês é a língua da diplomacia, do comércio, da aviação, da tecnologia, da internet. Não dá pra ficar sem.

Deixando de lado as questões de mercado, existe, pelo menos, mais um ótimo motivo para você aprender o idioma da “dominação cultural dos porcos imperialistas ianques” (será que só eu acho esse papo ridículo?): existe uma imensa produção musical em inglês, à espera de ser descoberta e admirada. Não que isso seja novidade, claro. Você pode até me dizer que já curte (e até prefere) música estrangeira, mas, amigo, embora curtir a parte meramente musical seja ótimo, a experiência pode ser bem mais intensa quando a gente entende o que estão cantando.

Se me permitem um breve, mas pertinente, aparte neste assunto, uma das coisas que mais me irritam na mentalidade do brasileiro de cérebro pequeno e visão estreita é quando ouço alguém dizer que “esse cara deve estar xingando a sua mãe e você nem percebe”. Não existe coisa mais retrógrada pra se dizer. O cara quer justificar seu próprio desinteresse pelos estudos e por um tipo de música qualquer que não satisfaça seus exigentes padrões de breguice, acreditando que sua digníssima progenitora seja importante o suficiente para irritar alguém do hemisfério acima. Bem, eu só lamento: eles não estão nem aí pra sua mãe. Ou pra minha. Se acontecer, vou saber, sim.

Outra lenda corrente entre os detratores da lírica inglesa é aquela que diz que “eles só escrevem bobagens e não têm um Chico, um Caetano”. Duplo engano. Verdade que eles não têm um Chico ou Caetano, mas, isso pode ser visto como uma vantagem, pois Chico e Caetano sabem ser bastante chatos, às vezes. O que não falta no inglês, porém, é bom letrista e, como eles nunca precisaram temer generais megalomaníacos, sabem encantar sendo bastante diretos, abrindo mão de criptografias que exijam “sabedoria” para interpretar (coisa que sempre fez os fãs de MPB se gabarem de possuir inteligência e bom gosto acima de média, uma de suas manias mais irritantes).

Uma outra coisa boa que acontece no meio musical inglês é o desapego. Ao contrário do que ocorre por aqui, onde o mainstream mais parece uma capitania hereditária, de onde só se sai a pontapés, nos EUA e na Inglaterra a renovação é constante e saudável, o que não impede, claro, que “bons velhinhos” permaneçam vivos e ativos. Richard Ashcroft é um dos mais respeitados letristas ingleses de hoje, mas Morrissey, da geração anterior, permanece relevante. Mesma coisa com Elvis Costello, anterior a Morrissey, e Paul McCartney, anterior a Costello.

Confesso que, na atual carência de bons letristas no nosso pop “primeira divisão” (apesar de boas exceções, como Nando Reis e Rodrigo Amarante, além de nomes mais alternativos), fica ainda mais fácil gostar de gente como os citados Morrissey, Costello e Ashcroft, Nick Cave, Stuart Davis (do Belle & Sebastian), Jeff Tweedy (Wilco), Michael Stipe (R.E.M.), finados como John Lennon e Jeff Buckley e, pasme, até novatos como Amy Winehouse e Justin Timberlake. Porque o que não costuma faltar a britânicos e americanos, mesmo quando estão falando de bobagens, é bom humor e a necessária dose de incorreção política, ao contrário dos brasileiros hoje em evidência, tão limpinhos, tão inofensivos, tão sem-graça.

Raul, Cazuza e Renato, tá na hora de reencarnar, meus filhos!

07/08/2008

Só escrevi pra dizer que...

Só escrevi pra dizer que...


...a Panini escolheu o jeito mais esquisito possível para comemorar o aniversário de 70 anos da DC Comics: acabando com duas revistas (Universo DC e Os Melhores do Mundo) e colocando apenas uma no lugar (estupidamente batizada Dimensão DC: Lanterna Verde!), além de mandar outras três na geladeira (Batman Extra, DC Especial e DC Apresenta). Os mixes das revistas que seguem em frente foram modificados, e a partir de setembro, ficamos sem Xeque-Mate, Pacto das Sombras, Legião dos Super-Heróis e Aves de Rapina. Se é que serve de consolo, o editor sênior Fabiano Denardin jura que também não veremos mais os nefastos Confidenciais. Veremos.

...as mais recentes aquisições para minha Estante Encantada incluem as HQs Whiteout (de Greg Rucka e Steve Lieber) Batman Preto & Branco Vol. 1 (a versão capa dura da Panini), X-Men: E de Extinção (o encadernado) e os DVDs I Told You I Was Trouble (de Amy Winehouse ao vivo), Batman: O Cavaleiro de Gotham (com seis curtos animes fazendo a ponte entre os bat-filmes de 2005 e 2008), Kill Bill Vol. 1 (sabe aquele tipo de filme que não cansa? Então...) e a segunda temporada de House (em breve, artigo sobre a série), além do notebook Positivo Z93, que me livrou dos chiliques de meu há muito cansado PC.

...minha lista de desejos ainda inclui o volume 1 de Batman por Neal Adams, Batman Crônicas, A Saga do Monstro do Pântano, Mulher-Gato: Um Crime Perfeito, Superman Crônicas (os dois volumes), Os Leões de Bagdá, o encadernado da Liga da Justiça por Grant Morrison, o luxuoso Batman: O Longo Dia das Bruxas e o aguardadíssimo ano 1 de Surpreendentes X-Men. Aceito doações ou troco por mãe seminova (brincadeira, mãinha!).

...mesmo que a esta altura você já saiba, vale o registro dos três prêmios Eisner recebidos por Gabriel Ba e Fábio Moon, e da vitória de Ivan Reis na eleição dos leitores da Wizard. Éééééé... mais um gol... brasileiro, meu povo!

...2008 será um ano inesquecível na música. Se não, vejamos: este ano, entre o que já saiu e ainda sairá até dezembro, presenciamos retornos de R.E.M., Coldplay, The Cure, Morrissey, U2, The Verve, Madonna, Nick Cave, Portishead, Metallica, Keane e até The B-52’s. Isso sem falar do surgimento de benditas novidades femininas, como Adele, Duffy e Estelle. Aguardem, para o fim do ano, um generoso Top 20, ao invés do tradicional Top 10, pois poucas vezes se viu tanta coisa boa saindo assim, pelo ladrão.

...no Brasil, infelizmente, a mediocridade emo ainda reina.