22/09/2008

Música: felizes retornos (e uma triste partida)

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Música: felizes retornos
(e uma triste partida)

Eu havia comentado que 2008 seria o ano do retorno de grandes artistas. O prognóstico tem se confirmado apenas parcialmente. Entre os então citados, U2, Morrissey e The Cure, por exemplo, empurraram seus novos discos para 2009. Mesmo assim, há muito que festejar, pois o ano continua bastante feliz em termos musicais. Depois de muitos anos dedicados ao gospel (desde que uma louca enciumada o queimou com água fervente), eis que Al Green, o homem que legou ao mundo a impoluta "Let's Stay Together", volta ao soul romântico. Lay It Down, seu glorioso retorno, é música de gente grande e a garganta de Mr. Green continua eriçando os pelos da nossa nuca.

Outros que não decepcionaram em sua volta foram o Metallica e o The Verve. Death Magnetic é a volta do Metallica à sua melhor forma, com uma bateria insana e solos que inspiram acrobacias em air guitar. Já a banda de Richard Ashcroft voltou menos baladeira em Forth e fez a longa espera de 11 anos, desde o já clássico Urban Hymns, plenamente justificada.

Também baixei recentemente Momofuku, de Elvis Costello & The Imposters. Rock 'n' roll básico, rápido e totalmente excelente. Costello também é co-responsável por outro bom download, o blueseiro The River In Reverse (2006), em parceria com Allen Toussaint. É incrível a capacidade de Costello de "pular a cerca", variando de gênero a cada disco, com absoluta desenvoltura.

Minha biblioteca de música em espanhol ganhou um simpático adendo semana passada: o gostoso MTV Unplugged da mexicana Julieta Venegas, que faz música pop altamente assobiável e conta com a participação de Marisa Monte em "Ilusión".

Do lado brasileiro, estive bastante ocupado reparando uma injustiça, baixando os ótimos discos de Lobão na década de 90, que eu ignorei completamente à época do seu lançamento. Bom de música, de letra e de canto, o velho lobo tornou-se um de meus favoritos recentes.

A nota triste do período fica por conta do falecimento de Richard Wright, tecladista do Pink Floyd. Se os brasileiros ainda tinham esperança de ver a banda (que já não lançava material inédito há 15 anos) ao vivo, elas acabam de ser sepultadas com o simpático Richard. Uma reunião sem ele é bastante improvável.

Passados três semestres, 2008 ainda não consta na lista de meus 10 anos mais prolíficos, com 25,3 horas de música até o momento, mas isso há de mudar. Até o começo de outubro, verão a luz do dia discos novos de Travis, Skank, Keane e James Morrison, entre outros. Veja como ficou o Top 10 da vez:

2007 (45,0 horas)
2006 (37,8 horas)
1994 (34,2 horas)
1998 (32,5 horas)
2004 (31,9 horas)
2005 (31,1 horas)
1996 (30,7 horas)
2001 (29,2 horas)
2003 (28,3 horas)
1999 (27,9 horas)

17/09/2008

Capas: O Luxo e o Lixo, pt. 2

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Capas: O Luxo e o Lixo
Parte 2

Devido ao sucesso do primeiro post e aos pedidos de bis, vamos analisar os erros e acertos de mais seis artistas na hora de embalar seu "peixe"! Lembre-se de comentar e indicar suas possíveis outras escolhas!

METALLICA
O luxo: Death Magnetic (2008)
O lixo: Reload (1997)

Death Magnetic não é apenas a volta do Metallica à grande forma: é um disco embalado em uma capa fenomenal, pertinente ao título e ao conteúdo. Por outro lado, Reload, um disco de sobras de um outro disco que já não era tão bom (Load, 1996), ostentava uma capa inexpressiva, mais um dos nojentos trabalhos do falecido artista plástico Andres Serrano, desta vez com urina e sangue bovino (argh!).


U2
O luxo: Zooropa (1993)
O lixo: October (1982)

Em 1993, o U2 pegou o mundo desprevenido, lançando de supresa um disco absolutamente incomum em sua trajetória. O encarte de Zooropa vinha recheado de imagens que passaram a compor o imaginário visual da banda, como o cosmonauta da capa. Bem diferente de October, lançamento de 1982, que clicava a banda no auge da baranguice pós-adolescente. Ninguém diria que eles se tornariam mestres em auto-imagem, um dia.


CRAIG DAVID
O luxo: Trust Me (2007)
O lixo: Slicker Than Your Average (2003)

Primeiro, as apresentações: Craig David é um cantor de R&B com voz bastante agradável, com pelo menos um hit digno de nota, "Seven Days". Agora, preste atenção no sujeito à esquerda, elegantemente desarrumado, com barba por fazer e pinta de machão pegador, e compare-o com a bibinha latina da direita, de cara infeliz, como quem pensa: "Pôxa, nem dei ontem! Que uó!".


BARÃO VERMELHO
O luxo: Carne Crua (1994)
O lixo: Puro Êxtase (1998)

Isso é o que se chama sensação de perigo: a capa de Carne Crua é de uma simplicidade e efeito plástico sensacionais. Quatro anos depois, o Barão desejou pegar carona na cauda do cometa techno. Equivocado, mas, vá lá, Puro Êxtase vendeu até bem. A imagem sugere a banda "mergulhando de cabeça" em um novo som. Está mais para cair de bunda.


EVERYTHING BUT THE GIRL
O luxo: Amplified Heart (1994)
O lixo: Idlewild (1988)

Acredite se quiser: o casal junkie chic do excelente Amplified Heart é o mesmo com pinta de jeca que ilustrava Idlewild, de apenas seis anos antes. É bom ver que o Everything The Girl amadureceu tanto, não apenas no som, mas também na imagem.


R.E.M.
O luxo: Automatic For The People (1992)
O lixo: Murmur (1983)

O disco mais bonito do R.E.M. tem uma capa que explica pouco (o que é aquilo? Uma antena?), mas encanta muito, com simplicidade condizente com a beleza bruta das canções. Na sua estréia, uma capa igualmente enigmática, mas que só me traz à memória o ensaio de Cláudia Ohana na Playboy, nos longínquos anos 80. Haja cabelo (ou moita, dá no mesmo)!

16/09/2008

Surpreendentes X-Men Vol. 1

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Surpreendentes X-Men Vol. 1

Bem que esta coletânea merecia uma edição em capa dura. Afinal, estamos falando de uma das séries mais elogiadas e cultuadas dos tempos recentes. Uma edição graficamente mais caprichada ia valorizar ainda mais as belas histórias de Joss Whedon e emoldurar o excepcional trabalho de John Cassaday para a eternidade. Não rolou, porém, e a galera que aperta cada vez mais seu orçamento para dar conta dos numerosos lançamentos deve ter ficado satisfeita, com as mais de 300 páginas por R$ 38 (ou menos ainda, na internet).

Capa dura ou não, este é um volume obrigatório na coleção de qualquer fã do gênero super-heróico em geral ou dos mutantes da Marvel em particular. O roteirista Joss Whedon promoveu uma volta ao melhor da época áurea de Chris Claremont e John Byrne, do fim dos anos 70 para o começo dos 80: aventuras simples (mas não simplórias), rápidas, divertidas e impactantes. Com diálogos espertos e certeiros, ele deu uma arejada na inflada e complicada fase por que passavam os títulos mutantes até 2004 (e que se estende até hoje, nas outras equipes X). Ao invés de encher a equipe de nulidades coadjuvantes, ele preferiu reduzir a equipe a cinco membros all-star e fazer uma espécie de continuidade natural do trabalho de Grant Morrison em New X-Men, exceto pela ausência de couro preto e milícias mutantes.

O primeiro grande mérito das duas sagas reunidas aqui é o de, finalmente, dar a Kitty Pryde um papel de respeito. Talvez Whedon tenha sido o primeiro a perceber que ela já era adulta e não poderia ser sempre uma chorona ou uma rebelde sem causa, que acredita que cortar os cabelos represente liberdade. Ela chega alerta e desconfiada, principalmente de Emma Frost, mesmo ao saber que entrou para o time a pedido da inglesa.

Como não poderia deixar de ser, são de Emma alguns dos melhores diálogos. Ela é o tipo de anti-heroína que adoramos odiar: insuportável, arrogante, cética e absolutamente divertida, sempre com um comentário ferino na ponta da língua. Além disso, sua relação com Ciclope, ainda sob a sombra da então recente morte de Jean Grey, é de uma dubiedade intrigante: afinal, ela é mesmo uma vilã regenerada ou está ali apenas para manipular Scott Summers em nome de objetivos escusos? A suspeita é reforçada pela fabulosa capa do segundo capítulo (imagem abaixo), mas a verdade está longe de ser tão simples.

Aliás, Scott Summers já havia ganhado sua encarnação definitiva como líder de campo seguro e inteligente com Grant Morrison. Whedon não mexe muito nisso, apenas plantando pequenos lapsos de insegurança, que podem ter a ver não apenas com uma possível manipulação telepática de Emma, mas, também, com o afastamente do Professor Xavier, após os eventos de Planeta X.

Fera e Wolverine, apesar das óbvias afinidades, ficam em campos opostos na primeira história, Superdotados, em que uma geneticista anuncia que descobriu uma maneira de suprimir o gene mutante. Enquanto Hank vê na notícia uma possibilidade de voltar a ser "normal" e, quem sabe, reconquistar Trish Tilby, Logan desconfia das boas intenções e vê em tudo isso uma limpeza ética disfarça de benevolência. Suas naturezas bestiais seriam ainda mais exploradas no segundo ano da série.

A grande reviravolta da série, entretanto, deu-se na quarta edição, quando um personagem muito querido dos leitores, morto de maneira estúpida anos antes, é ressuscitado de forma triunfal, emocionante e sem muitas explicações. Um segredo mantido a sete chaves, com devida ajuda de pistas que davam a entender que seria a eternamente ressurrecta Jean Grey.

As edições 7 a 12, com a saga Perigoso, mostram que os X-Men mantinham na sua mansão um inimigo silencioso, que os estudou durante longos anos e finalmente parte para o ataque: a própria Sala de Perigo! O grande lance da trama, porém, é a descoberta da sua verdadeira natureza e das razões do seu ódio pelos X-Men e por Xavier, algo que abalará para sempre a confiança do grupo em seu mentor.

Paralela a tudo isso, existe a trama envolvendo um novo inimigo, Ord, que vem à Terra com a missão de acabar com os X-Men e impedir que um deles destrua seu mundo natal, tragédia antecipada em uma antiga profecia.

As qualidades das tramas de Joss Whedon são reforçadas pelo assombroso talento gráfico de John Cassaday, que cria seqüências inesquecíveis a cada edição, num estilo ao mesmo tempo limpo e detalhista, sempre muito eficiente. A tal cena da ressureição, por exemplo, traz uma página sem diálogos que é absolutamente brilhante em seu teor emocional. O trabalho de Cassaday se compara a storyboards de cinema; é como se um filme estivesse se desenvolvendo nas páginas da revista.

Se você ainda não leu, é a sua chance de ter na estante um dos melhores quadrinhos dos últimos anos. Se você comprou as edições mensais de X-Men Extra que continham estas sagas, vai achar o máximo ter estas histórias maravilhosas reunidas, sem a mácula de coisas fedorentas como Excalibur. Um livrão para guardar com carinho. Nota 10.

10/09/2008

Tá entrando areia... na Terra.

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Tá entrando areia... na Terra.

Eu nem sabia que essa profissão existia, mas astrobiólogos são cientistas empenhados na busca de vida extraterrena e de mundos em condições de receber a espécie humana, caso a Terra entre em tilt irreversível. Em entrevista à revista Época de 25 de agosto, um astrobiólogo da Nasa, Chris McKay, fala de uma possível terraformação de Marte, processo que teria duas etapas: a primeira, com o objetivo de tornar o planeta vermelho mais quente, consiste em encher a atmosfera com gases do efeito estufa e levaria cerca de um século; a segunda, destinada a modificar a atmosfera marciana e torná-la respirável, levaria, "apenas" 100 mil anos. Astrobiólogos devem ser, enfim, as pessoas mais otimistas do planeta, pois já se fala em colapso total da Terra para as próximas décadas ou, no máximo, séculos.

Corta, da Nasa para o interior baiano. Pois estava eu caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento, quando reparei na fartura de automóveis nas ruas de Alagoinhas, que nem é uma cidade tão grande (cerca de 150 mil habitantes), mas já enfrenta problemas como lentidão e horas de rush enlouquecedoras (para os padrões locais, é claro). Eu, que não sei dirigir e poucas vezes na vida desejei ter um carro (a menos que motorista fosse acessório de série), fiquei pensando se um dia será possível equilibrar nossas conquistas materiais com o cuidado de que o planeta precisa.

Sim, porque enquanto comemoramos os bons resultados da nossa economia e vibramos com nossa recém-adquirida capacidade de dar vazão a sonhos de consumo (carros, por exemplo), o planeta agoniza e, apesar de todo mundo saber de cor a atual ladainha ecologicamente correta, falando de como devemos nos unir em prol de nosso combalido mundinho, a verdade é que a indústria automobilística, faturando como nunca, está pouco se lixando se o excesso de carros vai levar as cidades ao colapso.

Dar a esta complicada equação uma solução justa para todas as partes é trabalho difícil, nas raias do impossível. Afinal, quando a economia acelera, as indústrias crescem, os postos de emprego aumentam e o povão compra cada vez mais (e comprar é gostoso demais, como bem sabemos). Se todo mundo fosse acometido de uma súbita consciência ecológica, compraríamos menos ou simplesmente não compraríamos carros, além de usar menos os que já estão nas ruas. Com isso, a economia daria uma freada, as indústrias cortariam custos (leia-se "demitiriam em massa") e o povão teria que se contentar, de novo, em apenas sonhar.

Como ninguém quer sair perdendo, precisamos decidir se vamos pensar mais no próximo, tanto de hoje quanto do futuro, olhando para fora de nosso nossos vidros peliculados, descruzando os braços e lutando por um sistema de transporte coletivo eficiente, limpo, confortável e de preço justo; ou se vamos assumir que somos um bando de egoístas filhos-da-mãe e entulhar as ruas com cada vez mais automóveis, mesmo sem poder circular acima de 20 km/h e com plena consciência de estar contribuindo para o caos urbano e para o efeito estufa.

Pensando bem, deve ser mais fácil descobrir vida em outros mundos do que mudar as cabeças aqui neste planeta. Continue com seu trabalho, caro McKay.

02/09/2008

Promoção: Os Leões de Bagdá

OS LEÕES DE BAGDÁ
vão rugir na sua casa!

- Vocês querem bacalhau?
- Nããããão!
- Vocês querem a mandioca da Maria Bethânia?
-
Nããããão!
- Vocês querem Os Leões de Bagdá, na faixa?
- Siiiiim!

É chegada, mais uma vez, aquele momento mágico no Catapop, em que até o mais ectoplásmico dos leitores-fantasmas dá o ar de sua graça em nossos comentários. Afinal, quem não gosta de ganhar presente? Ainda mais quando se trata de um presente deste nível: Os Leões de Bagdá, magistralmente escrita por Brian K. Vaughan e desenhada por Niko Henrichon, é uma das graphic novels mais elogiadas e premiadas dos últimos tempos! (review logo abaixo)

Para concorrer, o esquema é simples e bem conhecido: basta você marcar presença assídua nos comentários de nossos posts, entre os dias 03 de Setembro e 03 de Novembro, data em que o Catapop completará três anos de atividade! Nesse dia, um sortudo leitor do nosso amado blog será contemplado com esta genial obra da DC/Vertigo!

A brincadeira começa agora! Mãos à obra, galera - e boa sorte!

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Os Leões de Bagdá


A emocionante saga dos quatro leões fugitivos do zoológico de uma Bagdá destruída pela segunda Guerra do Golfo presta-se a diversas analogias: com a situação dos iraquianos simpáticos à presença dos americanos, com os imigrantes ilegais em uma terra estranha, com a dificuldade em relacionar-se com o próximo, principalmente quando este próximo é diferente, e com a nossa eterna busca por uma felicidade cada vez mais intangível e uma liberdade cada vez mais restrita.

Claro, haverá aqueles que verão apenas quatro leões famintos, tentando sobreviver em uma terra devastada. É um ponto-de-vista válido, também, e que não deixa a leitura menos impactante.

O fato, porém, é que Brian K. Vaughan (autor de Ex-Machina e Y: O Último Homem) fez de seus leões seres como nós, que sofrem com a violência, a fome, a desconfiança, o medo do desconhecido e a total falta de controle sobre os próprios destinos. Praticamente não há humanos em cena, mas é impossível não haver identificação e empatia com as quatro feras. Durante a árdua jornada, pipocam críticas ao intervencionismo norte-americano, à hipocrisia das razões dadas para o conflito e, mais sutilmente, à nossa própria inabilidade de viver com nosso semelhante.

O traço delicado e marcante de Niko Henrichon, complementado por sua eficiente colorização digital, empresta mais brilho à narrativa, com passagens inesquecíveis, especialmente nas cenas abertas. As páginas duplas, principalmente quando fazem uso da arruinada arquitetura da capital iraquiana, colam em nossas retinas e em nossa memória para sempre.

Prepare-se para um final corajoso, poético e brutal, quando a realidade nos arranca do sonho de andar com os leões que queriam ser livres e simplesmente não sabiam como. Você vai querer mostrar isso pro seus netos, tenho certeza. Nota 10.