28/10/2008

Como ficou a "nova" DC?

A nova DC/Panini
E aí, como ficou?

OK, já ficou pra trás o momento de reclamar pela saída da sua série coadjuvante favorita ou pela permanência daquela que você odeia. Vamos nos concentrar no que temos em mãos – e o que temos em mãos, graças a Deus, vem mantendo um nível satisfatório quase constante.

Parece haver uma campanha contra os esforços da DC Comics que embota o raciocínio das pessoas, fazendo-as limitar-se a repetir o que meia dúzia de “críticos” falou, aqui ou lá fora. Sim, a editora tem errado, mas também acertou bastante nos últimos tempos e, se isso não se traduz em vendas melhores que as da Marvel, paciência. Se, ao invés de adotar a postura da crítica pela crítica, essas pessoas tivessem realmente lido as revistas, veriam que a maioria das séries, mesmo aquelas que andam longe do seu melhor momento, não comprometem a diversão.

Eis, então, o primeiro de uma nova série de Resumões!


Lanterna Verde 1 e 2

Comecemos pelo filé mignon: uma revista 100% aproveitável! Você se lembra da última vez que isso aconteceu? Com a glória da Tropa restaurada, os Lanternas se preparam para enfrentar o maior desafio de sua existência: em A Guerra dos Anéis, uma Tropa de criaturas maléficas dotadas de anéis amarelos, liderada por Sinestro (ainda que o principal artífice da coisa seja alguém bem mais perigoso), investe pesado contra Oa e os guardiões esmeraldas. O nome “guerra” não é exagero: Lanternas morrem às dezenas e as estratégias dos vilões não param de surpreender. Embora não seja fundamental à compreensão da saga (totalmente contida nas cinco primeiras edições da revista), conhecer as contribuições de Alan Moore à mitologia da Tropa (disponíveis no Grandes Clássicos DC 9) torna tudo mais interessante. Nota 10.

Liga da Justiça 70 e 71

Nestas edições, temos o fim de uma era para a LJA e o início de outra. Na edição 70, Brad Meltzer despede-se dos argumentos, depois de restaurar a amizade entre os três maiorais (Batman, Superman e Mulher-Maravilha), dar a liderança da equipe a uma antiga merecedora do posto (Canário Negro, prestes a casar-se com o Arqueiro Verde), tornar os coadjuvantes respeitáveis e trazer de volta Wally West. Já na 71, estréia Dwayne McDuffie (roteirista das séries animadas da Liga), com uma proposta menos cabeça, mais voltada à ação, mas nem por isso menos interessante. Os diálogos são afiados e um enorme desafio se prenuncia. Já quanto à Sociedade da Justiça, Flash e Mulher-Maravilha, as séries seguem medianas, porém divertidas. As maiores chances para o futuro imediato estão com a SJA, já que a saga que vai aproximar do presente alguns elementos do clássico Reino do Amanhã começa na próxima edição. Nota 8,5.


Batman 70 e 71

O Batman escrito por Grant Morrison tem alternado momentos nada-a-ver com outros realmente inspirados, como a reunida nestas duas edições, trazendo de volta e dando sentido a alguma daquelas pirações das Eras de Ouro e Prata – no caso, o Clube dos Heróis, uma agremiação multinacional de vigilantes que teve carreira curta e pouco inspirada. A trama de assassinato é melhorada pelo notável traço de J. H. Williams III. Na edição 71 também há uma boa trama de Royal McGraw. A revista é completada pelo Asa Noturna de Marv Wolfman, em fase enfadonha, mas um pouco melhor que na época do Bruce Jones (qualquer coisa seria melhor que aquilo). Aqui, conhecemos o novo Vigilante – e quem será ele? Já a Mulher-Gato de Will Pfeifer é bem divertida, mas Pfeifer não tem mesmo sorte: Catwoman foi cancelada nos EUA recentemente. Falta cerca de um ano até isso acontecer por aqui – isso se a Panini não se apressar, como fez com Aquaman. Nota 8,0.


Superman 70 e 71

Herói ultrapassado, o cacete! O que faltava ao Superman eram bons escritores. Há cerca de dois anos, porém, a DC colocou gente inspirada pra tomar conta do kryptoniano: Greg Rucka, Kurt Busiek, Geoff Johns, Darwyn Cooke e o diretor Richard Donner (que volta para mais um arco na edição 72). A saga do Terceiro Kryptoniano (de Mark Waid) tem boa ação e traço de Rick Leonardi. Já as tramas ligadas à Contagem Regressiva (que não tenho acompanhado) estão, também, bastante agitadas e bem-humoradas, com Jimmy Olsen bancando o herói e ajudando Superman contra o chiliquento Homem de Kryptonita. Já a Supergirl, que completa o título, não se encontra nos seus melhores dias, mas já não fede como há alguns meses. O traço de Renato Guedes está bastante desleixado. Apesar disso, Superman é hoje uma das melhores opções nas bancas. Nota 9,0.

24/10/2008

Bota, Brasil II

Bota, Brasil II - A Missão
ou "Como Jogar Seu Voto Fora"

Amigos, apesar do otimismo do meu post anterior sobre as eleições, os brasileiros não se cansam de me provar que é impossível - ou, no mínimo, pouco recomendável - levá-los a sério.

Se o pleito para a prefeitura revelou saudáveis mudanças, o mesmo não se pode ser dito sobre os votos para vereador. Uma tendência, aparentemente inofensiva, mas que pode ter efeitos nefastos, está tomando força entre a população: o voto engraçadinho.

Qualquer um que assista ao horário eleitoral, em qualquer parte do país, sabe que existe uma quantidade imensa de candidatos que usam seus parcos segundos para dar provas cabais de sua incapacidade intelectual, fazer imitações de super-heróis ou usar chapéu com chifres. Admito que seja até engraçado, mas, calma lá, pessoal: estamos falando de uma eleição para pessoas que vão comandar os rumos da cidade e ditar como nosso dinheiro será gasto, não uma votação do Big Brother ou coisa parecida!

Assim, o que a gente vê, principalmente entre os "estreantes" de 16 anos, é uma tendência ao escracho que, ao meu ver, evidencia apenas a indiferença e a inconseqüência típicas de quem já se acha muito dono do próprio nariz, mas é incapaz de avaliar a importância do seu gesto - mas não sejamos injustos, crucificando apenas os teens: tem muito marmanjo calejado fazendo a mesma coisa.

É o tipo de atitude que fez de Clodovil e Frank Aguiar deputados: o cara vê uma figura folclórica fazendo seu comercialzinho e dá um voto a ele, às vezes, por "caridade", achando que ninguém mais vai ter a coragem. O problema é o monte de gente que teve a mesma idéia.

Dessa forma, para ficar só nos exemplos locais, um débil mental que beirava a mendicância aqui em Alagoinhas, chamado Buldogue, foi o verador mais votado da cidade e agora deve presidir a Câmara Municipal, embora não consiga sequer entabular uma conversa coerente por mais de cinco minutos. Em Catu, cidade próxima, um mendigo chamado Bufão esteve muito perto de ser eleito. Em Salvador, o travesti e dançarino de pagode Leo Kret foi o(a) terceiro(a) mais votado(a). Geralmente, quando um homossexual assumido se elege para um cargo, a natural tendência homofóbica da população é dizer que os gays votaram em peso no sujeito. Desta vez, porém, eximo a população GLS da responsabilidade (ou, ao menos, de parte dela): quem elegeu Leo Kret foram os semiletrados fãs do Saiddy Bamba, grupo que o(a) revelou.

Veja bem, não estou dizendo que mendigos não possam ter boas idéias, ou que gente andrógina e rebolativa seja incapaz de levar adiante projetos sérios e benéficos à população. De repente, a gente até se surpreende positivamente e engole a pulso os inevitáveis gracejos que expressam, de forma mais leve do que com palavrões, nossa revolta. O problema é que a eleição dessas pessoas não tem nada a ver com melhores idéias políticas ou sequer simboliza voto de protesto, como alegam alguns. É apenas uma forma que o cara encontra de, mais tarde, ter assunto no bar e dar risadas com os amigos, o que vai acontecer à cidade é o de menos. Não me vem à cabeça algo mais estúpido ou egoísta.

Espero que vocês ainda estejam rindo em 2012.

17/10/2008

A era dos encadernados

Comente e concorra à graphic novel OS LEÕES DE BAGDÁ!
Sorteio em 03/11/08.


Tudo ao mesmo tempo agora!
A nova era dos encadernados.

O mercado brasileiro de quadrinhos de super-heróis está ganhando novos ares. O mercado de encadernados torna-se cada vez mais empolgante para os leitores e, por tabela, também, para editoras como a Panini e a Pixel.

Claro que isso não acontece porque as editoras são boazinhas e querem nos agradar, dando-nos a chance de ler uma saga do começo ao fim, de uma vez só. É mais sensato acreditar que, embora os custos de impressão sejam maiores (o que torna o preço de alguns álbuns bastante salgado), a perspectiva percentual de venda seja mais atraente do que lançando as histórias em capítulos nas revistas mix que, volta e meia, encalham nas bancas.

A iniciativa já leva alguns leitores a desistir das mensais e aguardar a encadernação dos melhores arcos. É uma decisão arriscada: ainda é impossível prever quando ou mesmo se as editoras vão realmente lançá-los em álbuns. Cadê a continuação dos X-Men de Grant Morrison? Ou o segundo ano dos Supremos? Será que a Sociedade da Justiça já não merece uma coletânea há algum tempo?

Isso sem falar da atrapalhada programação das editoras. Muitos lançamentos atrasam ou são simplesmente cancelados, sem muita explicação. Para piorar, nem Panini nem Pixel garantem o lançamentos dos volumes seguintes de álbuns como Batman Preto & Branco ou A Saga do Monstro do Pântano, que ostentam a inscrição “Volume 1” na capa. Para quem, como eu, investiu na bagaça, resta a esperança no lançamento dos restantes.

Existem ainda os esquisitos critérios que norteiam os lançamentos, principalmente no caso da Pixel. Os leitores que se empolgaram com a Pixel Magazine amargaram uma frustração do capeta quando saíram os primeiros encadernados de Planetary, Fábulas e Astro City, pois era natural sonhar com o relançamento das primeiras histórias. Não foi o que aconteceu. Bola preta para a Pixel, que até hoje parece não saber direito o que fazer com o fabuloso catálogo que tem nas mãos. Vide o recém-anunciado lançamento da saga do Sandman, em reedição que perde de goleada na comparação com os caprichadíssimos álbuns da falida Conrad, eleitos os melhores do mundo pelo próprio Neil Gaiman.

Além do mais, cobrar R$ 29,90 por cerca de 140 páginas de quadrinhos não é exatamente uma política de preços populares. Embora não pareça tão terrível assim, diante da virtual extorsão praticada por editoras como Devir, Brainstore e Opera Graphica em seus preços, vale lembrar que Os Leões de Bagdá, da Panini, tem estrutura semelhante a R$ 19,90 (mas você não precisa gastar nem um centavo: deixe um comentário e concorra ao nosso presente de aniversário, dia 03/11).

Entretanto, a decisão da Panini de lançar a pedida fase de Ed Brubaker e Darwyn Cooke na Mulher-Gato em um álbum (Um Crime Perfeito) com pouco mais de 200 páginas por absurdos R$ 49,00 (e nem é capa dura!) até hoje provoca insônia, com aquele incômodo “por quê?” na mente dos pobres leitores. Segundo a Panini, saiu caro porque ia vender pouco. Ora essa, qualquer jumento nas primeiras lições de matemática financeira usaria a lógica e saberia que, sendo mais barato, talvez vendesse mais. Até hoje, eu aguardo uma promoção decente para adquiri-lo – mas tá difícil!

Os álbuns chegaram para ficar. Como diz o assim chamado Rei, são muitas emoções, bicho – e o melhor: todas de uma vez só!

14/10/2008

Pump it up! A dance music dos anos 90

Comente e concorra à graphic novel OS LEÕES DE BAGDÁ!
Sorteio em 03/11/08.


Pump it up!
A dance music dos anos 90

Os anos 80 já estão gravados no inconsciente coletivo como uma década de grande criatividade na cultura pop. Passadas várias ondas revivalistas de bom e de mau gosto, o saldo geral é bastante positivo. Não há mais necessidade de explicar ou de defender aquele período.

Lá por 2010, estaremos novamente ocupados, fazendo uma triagem semelhante nos anos 90, “a década em que a melodia morreu”, segundo meu amigo Marcelo Borges, de Itumbiara/GO. A facilidade pop dos anos 80 deu lugar a experimentações que testavam a receptividade e, não raramente, a paciência dos ouvintes. Aqui no Brasil, a coisa ficou especialmente indigesta: fazer música simples, de um gênero só, ficou praticamente proibido. Todo mundo tinha que fazer MPopB, skate-metal, manguebit, forrócore e outros bichos esquisitos. Deu alguns bons frutos e gerou uma montanha de coisas horrorosas, algumas das quais se arrastam por aí até hoje.

Os primeiros anos da década de 90 foram marcados pela ascensão da dance music, do underground a gênero “respeitável” e, principalmente, rentável. Desde o fim da era disco, nos primeiros anos da década de 80, a música criada exclusivamente para dançar, sem letras “conscientes” ou cabecismos fora de hora, tinha tanta força. A febre das batidas aceleradas conquistou dois terços do planeta e fez espumar de raiva o terço restante (leiam-se os carrancudos roqueiros da época, metidos a salvar o mundo e remoer existencialismos).

Você, entre 20 e 25 anos, talvez seja novo demais para lembrar, mas houve um tempo em que ir a uma boite para dançar não era, como hoje, sinônimo de logo ver-se cercado de bichas musculosas, suadas e seminuas. Herdando o espólio das famosas danceterias da década passada, sacudir o esqueleto nos clubs noventistas era, até certo ponto, um programa razoavelmente hétero.

Como toda febre musical que se preze, a dance music dos 90 tinha representantes realmente criativos, one-hit wonders azarados e picaretas de primeira grandeza. Mesmo que a house music já começasse a fazer barulho, a ponto de a Bizz dar destaque e até capa para nulidades como Yazz e Bomb The Bass, o primeiro arrasa-quarteirão mundial da dance music era um forte riff de guitarra sampleado e acompanhado de um brado feminino: “I’ve got the power!”. Era "The Power", do projeto alemão Snap, comandado pelo rapper Turbo B. As batidas funky vitaminadas pela eletrônica, os clipes aeróbicos e singles certeiros como “Mary Had a Little Boy” e “Oops Up” transformaram o Snap em um sucesso avassalador. Em 1992, passado o bode da fórmula, eles voltaram mais suaves e legaram ao mundo a então onipresente “Rhythm Is A Dancer” (Clube das Mulheres, alguém?).

Turbo B, o rotundo rapper do Snap

Não muito tempo depois de “The Power”, outro riff sampleado e mais um grito de guerra contaminaram o planeta: “everybody dance now!”, que tornava “Gonna Make You Sweat”, do C+C Music Factory, imediatamente reconhecível. A dupla formada por Robert Clivillés e pelo já falecido David Cole foi um dos primeiros a receber o rótulo de “respeitável” pela imprensa, que se esforçava para não se afogar na maré de nomes e singles que desafiavam critérios e faziam sucesso astronômico da noite para o dia e desapareciam com a mesma velocidade, sem deixar rastro. A “cara” do C+C Music Factory era o bombado e marrento rapper Freedom Williams, que depois achou que era “artista” e meteu-se em carreira solo, logo voltando ao anonimato.

C+C Music Factory (nas extremidades, Clivillés e Cole)

Clivillés e Cole ainda provocaram os roxos fãs do U2, fazendo não apenas uma, mas duas versões do hino “Pride (In The Name Of Love)”. Eu ouvi ambas e aprovei. Outro astronômico sucesso da dupla foi a maconheira “Take a Toke”, que aqui na Burrolândia tem fama de “romântica”. Ah, se os pombinhos que se enroscam ao som dela soubessem...

Dois verdadeiros furacões da dance music foram, também, protagonistas de grandes escândalos, à época. Depois que a dupla Milli Vanilli foi desmascarada como meros dubladores, após terem recebido vários Grammy, o vexame voltou a ocupar os noticiários, desta vez com Black Box e Technotronic.

O Black Box era um fabuloso projeto de italo house (a mais puxada para a disco music, cheia de cordas e pianinhos) cuja imagem pública era a da linda modelo Katrin Quinol. Não demorou até que alguém descobrisse que aquele vocal esplêndido, improvável para alguém tão magra, pertencia à rotunda Martha Wash. Ela buscou na justiça sua fatia da fortuna gerada com singles impecáveis como “I Don’t Know Anybody Else”, “Ride On Time”, “Everybody Everybody” e a cover de “Fantasy”, do Earth, Wind & Fire. Dreamland era, reconhecidamente, um dos poucos LPs de dance music que valiam a pena inteiros.

Katrin Quinol e Martha Wash, dubladora e verdadeira voz do Black Box: se você reparar bem, até que elas se parecem...

O caso do Technotronic foi mais simples. Os vocais e raps que pareciam pertencer à curvilínea Felly nada tinham de espetaculares. Mesmo assim, tratava-se de mais um caso de gato por lebre: quem cantava era a baixinha e andrógina Ya Kid K, que assumiu sem pudor a frente do grupo já no segundo single, “Get Up (Before The Night Is Over)”. Além deste, “This Beat Is Technotronic” e “Move This” fizeram tanto ou mais sucesso que a estréia do grupo, “Pump Up The Jam”, de onde saiu o bordão “pump it up”, que no Brasil ganhou a corruptela “poperô” e passou a designar a dance music que freqüentava as Jovem Pan da vida e os cd players de agroboys e outros tipinhos infelizes.

Capa de Pump Up The Jam, a hoje clássica estréia do Technotronic

Estes são apenas alguns dos nomes mais famosos da época. Seria impossível falar de todo mundo em poucos parágrafos e não cometer injustiças. Por exemplo, como eu poderia deixar de mencionar o trio de produtores ingleses Stock, Aitken & Waterman, que revelaram Rick Astley, Kylie Minogue e ressuscitaram a então defunta carreira de Donna Summer? É gente demais e, infelizmente, não dá mesmo para citar todo mundo – até porque não há muito que falar sobre a maioria deles, exceto que deixaram canções que ainda ecoam pelas boites, rádios e academias mais nostálgicas.

Eis aqui uma seleção de 10 músicas para encher um CD curtinho e bem farofa, mas perfeitamente decente.

Shake that body!

01 – “Gonna Make You Sweat”, C+C Music Factory
02 – “The Power”, Snap
03 – “3 a.m. Eternal”, The KLF
04 – “Get Ready For This”, 2 Unlimited
05 – “I Don’t Know Anybody Else”, Black Box
06 – “Cinema”, Ice MC
07 – “Pump Up The Jam”, Technotronic
08 – “The Hitman”, AB Logic
09 – “Be My Lover”, LaBouche
10 – “It's My Life”, Dr. Alban

06/10/2008

Bota, Brasil

Bota, Brasil

Definitivamente, existe alguma coisa muito diferente e muito boa acontecendo com este país.

Quando um prefeito como Gilberto Kassab, um cara com colhões imensos, capaz de medidas antipáticas, mas necessárias, como a proibição de outdoors, fica em primeiro lugar para o segundo turno em São Paulo, isso mostra que ao menos uma parcela da população está pensando mais no bem comum do que em pequenos favorecimentos individuais.

Quando um notório “bandido de Cristo” como Marcelo Crivella, que se valia da dinheirama da Igreja Universal, fica de fora da disputa do segundo turno no Rio, em favor de um homem decente como Fernando Gabeira, isso contraria uma máxima histórica brasileira, segundo a qual a honestidade é sempre premiada com a derrota. Gabeira enfrentará o jovem Eduardo Paes.

Quando um almofadinha de boca dura como ACM Neto, que já ensaia os primeiros passos na truculência que era peculiar ao seu avô, toma uma bolada nas costas e deixa de disputar a prefeitura da cidade que vê como patrimônio da sua família, isso mostra que o coronelismo hereditário está mesmo fora de moda. O petista Walter Pinheiro disputará a prefeitura de Salvador com o atual prefeito, João Henrique. Detalhe: os primeiros anos de João Henrique na prefeitura foram marcados pelo dinheiro curto. “Mera coincidência”, as coisas só melhoraram depois da morte de ACM.

Quando a imprensa internacional se apressa em admitir que o Brasil (tradicional alvo de chacota e equívocos mundo afora) é uma incontestável liderança mundial dos novos tempos e nos damos ao luxo de resistir, com certa tranqüilidade, à pior crise financeira dos últimos 80 anos, quando, em outros tempos, estaríamos entre os primeiros arruinados, alguma coisa está mesmo muito diferente.

Dizem que o país que Lula pegou para governar não tinha como dar errado. Nossa História, porém, tem provado que, sim, é sempre possível piorar. Mesmo com muito ainda por fazer, principalmente no campo da ética política e da modernização das leis, é preciso dar o braço a torcer: o Brasil está num bom rumo. Guiado pelas bases deixadas por FHC, é verdade. Vejam que ironia: mesmo tendo provocado a ira dos mais vermelhos, Lula provou que estava certo ao apostar que FHC estava certo, mas está sabendo imprimir sua marca. Os históricos 80% de aprovação popular devem, enfim, significar algo mais do que simples empatia com sua origem pobre.

Ainda bastante desconfiado, mas contente, reconheço: este país está, definitivamente, mudando.