23/11/2008

Leões: novo sorteio!

Justiça seja feita!
Um novo ganhador para Os Leões de Bagdá

Pessoal, o Catapop não oferece presentes porque eu e o Chang somos bonzinhos ou porque não sabemos o que fazer com a fortuna escondida dentro de nossos colchões (quem dera!). A gente pede uma coisa muito simples em troca: comentários!

Como nao podia deixar de ser, muitas pessoas só se sentem animadas o suficiente para deixar uma opinião justamente nesses períodos promocionais. A gente entende e não critica.

Há três semanas, sorteamos a graphic novel Os Leões de Bagdá. O ganhador havia sido Adriano de Souza. Como depois disso ele não deu qualquer sinal de vida para reclamar seu prêmio, nos reservamos o direito de realizar um novo sorteio entre os nomes de todas as pessoas que concorreram anteriormente - exceto, claro, pelo distraído Adriano.

Assim sendo, a ganhadora do mimo passa a ser Juliane Wëlter, que terá até o dia 30 de novembro para enviar seu endereço para o e-mail bat1973@gmail.com. Aguardamos seu contato, Juliane - e mais alguns comentários, é lógico! Após o dia 30, não havendo contato, um terceiro sorteio pode ocorrer.

Obrigado, mais uma vez, a todos que participam comentando.

16/11/2008

Reviewzão Geral

Reviewzão Geral

DVD: Eu Sou a Lenda

Robert Neville (Will Smith) é a única pessoa viva em Nova York, três anos depois que uma variante geneticamente modificada do vírus do sarampo passa a transformar suas cobaias - e, depois, a todas as outras pessoas e até animais - em zumbis raivosos. O vírus se propaga por contato e pelo ar, mas Neville possui uma imunidade natural que o faz permanecer na cidade destruída, para continuar com experimentos que possam levar a uma cura. O único ser com quem ele ainda dialoga é a sua cadela Sam. Até que, um dia, alguém atende às suas constantes mensagens de rádio, em busca de alguém vivo.

Boa ficção científica do diretor Francis Lawrence, apoiada no carisma e na boa performance de Will Smith (cada vez mais um ATOR e menos um negão descolado de filmes de ação), que leva o filme praticamente sozinho nas costas até perto do fim, quando entra em cena a brasileira Alice Braga. Apesar da eficiente construção de um clima de solidão e terror, fica a crítica pela opção por zumbis digitais, cuja inverossimilhança estraga um pouco o realismo apocalíptico do cenário. Nota 8,0.


DVD: Sangue Negro

O Oscar 2008 foi a vitória do hype: Onde Os Fracos Não Têm Vez é um bom filme, mas não é nem o melhor dos Irmãos Coen ou, menos ainda, superior a Sangue Negro. O épico petroleiro de Paul Thomas Anderson é um desses filmões impecáveis que dão gosto de assistir, nos quais absolutamente nada soa falso, deslocado ou medíocre.

No começo do século XX, o ex-garimpeiro Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis, mais uma vez levando queixos ao chão, em atuação que justifica o abandono de sua precoce aposentadoria) constrói um império perfurando petróleo na Califórnia. Ao seu lado, um filho adotivo criado como legítimo e alguns capangas. Plainview logo torna-se respeitado e temido em igual medida. Um dos poucos a ousar confrontá-lo é o nojentinho Eli Sunday, filho de um fazendeiro que hesita em vender suas terras a Plainview. Eli não tem apenas uma carinha bonitinha e nome de profeta: ele é extremamente ambicioso e controla as pessoas por meio de fanatismo religioso, confrontando o magnata constantemente. O ódio entre os dois rende cenas antológicas, inesquecíveis.

A complexidade dos personagens centrais (Plainview, seu filho H.W. e Sunday), a grandiosidade dos cenários quase sempre amplos e a seriedade com que são tratados temas como ganância, corrupção, ateísmo e manipulação religiosa não tornam as duas horas e meia de filme aborrecidas ou mesmo contemplativas, muito pelo contrário: elas passam que a gente nem percebe, de tão bem amarrados os diálogos e situações. Um novo clássico instantâneo. Nota 10.


HQ: Sandman - Prelúdios e Noturnos, Vol. 1

Junto com o Monstro do Pântano de Alan Moore, o Sandman de Neil Gaiman foi responsável por definir o status do selo Vertigo e, uma vez que outras séries místicas ficaram a cargo de Gaiman, as bases para todo o mundo mágico adulto da editora. Ao invés de um super-herói com uma máscara de gás, o Sandman de Gaiman é uma entidade branquela com cabelo igual ao de Robert Smith, vocalista do The Cure. No primeiro volume, ele se acha aprisionado e quase sem poder. Seu retorno ao posto de senhor dos sonhos é o mote de Prelúdios e Noturnos, cujos quatro primeiros capítulos se encontram reunidos aqui. Não há muito mais o que dizer que já não se saiba. É um clássico e ponto final.

O que eu posso dizer que, talvez, realmente surpreenda alguém, é isto: eu nunca havia lido Sandman, exceto pelo primeiro capítulo desta saga. Lembro de ter comprado a edição inaugural da Globo, lá por 1990, e depois nada mais. A série depois passou pelas mãos de editoras menos competentes e mais mercenárias, em edições cada vez mais caras, sendo que a única delas que justificava o abuso financeiro foi exatamente a última: a luxuosa série de álbuns em formato maior e capa dura da Conrad, eleita pelo próprio Gaiman como as melhores edições de Sandman em todo o mundo. O preço de cada álbum, em torno de R$ 70, porém, continuou me afastando.

Eis que a Pixel compra os direitos de publicação e resolve fazer diferente: dividir cada arco em duas partes, relançando a saga desde o princípio, em edições trimestrais menos luxuosas, com formato ligeiramente menor que o tradicional, nova colorização, novos extras e um preço mais camarada: Prelúdios e Noturnos Vol. 1, por exemplo, custa R$ 29,90. Depois de alguma hesitação (e de achar a revista em promoção por R$ 19,90), resolvi dar chance ao Sandman. Não há como temer arrependimentos: é leitura de primeira, rica e cheia de referências bacanas. A capa é cartonada, com orelhas, reserva de verniz e o papel interno é couché. Os anunciados 17 volumes da coleção devem ficar bonitos na estante. Nota 10.


HQ: A Saga do Monstro do Pântano, Vol. 1

Mais um clássico dos anos 80 que volta em boa hora e em bela forma. Lembro com carinho das edições da extinta Superamigos (Abril) que traziam algumas das histórias contidas aqui e que, depois de vender e/ou perder minhas coleções, jamais tive o prazer de reler.

Muito antes de aquecimento global e responsabilidade serem assuntos na ordem do dia, Alan Moore já pegava pesado nesses assuntos, dando conseqüências desastrosas ao desrespeito pela natureza, mas "terror ecológico" não exprime com exatidão o que temos aqui. É terror, puro e simples, com uma premissa ecologicamente combativa. O Monstro do Pântano não é exatamente um ser vivo, mas um monte de plantas dotado de uma consciência única. Não sei se é cômico ou comovente que inspire tanto amor na humana Abigail Cable - uma genuína donzela em perigo, um verdadeiro ímã de encrencas. Aqui está, também, a provavelmente mais significativa e aterrorizante aparição de Etrigan, o demônio rimador, quase sempre encarregado de fazer humor involuntário nas mãos de escritores menos hábeis.

Mesmo não mostrando a sofisticação alcançada com Watchmen e obras posteriores, Moore já mostrava que não queria ser apenas mais um a escrever histórias de super-heróis. Assim como as de Sandman, as histórias do Monstro do Pântano são recheadas de referências pop, devidamente listadas neste encadernado de capa dura, que dava sopa em algumas lojas virtuais por até R$ 25 (o preço normal é R$ 54,00). Altamente recomendável. Nota 10.