13/02/2009

Um breve adeus

Um breve adeus

Durante estes últimos dias, eu estive pensando em coisas que poderiam render um post interessante. Falta de assunto não era: tivemos o início brochado do governo Obama, agressões físicas e morais a brasileiros no exterior, desastre ambiental na Austrália, a Ediouro dando uma sonora banana aos estridentes paga-paus da Pixel, lançamentos musicais importantes (Morrissey, Lily Allen, U2, etc.) e o Oscar chegando, com Heath Ledger nas cabeças.

Acontece que simplesmente não me vinha a inspiração, aquela incontinência de idéias que me faz sentar à frente do meu laptop e discorrer sobre o que for. Nada. De repente, mal eu começava as famosas "mal traçadas linhas" e já estava impaciente e descontente com o pouco que saía. De repente, me toquei de que havia algo de estranho no ar, uma espécie de "climão", me deixando ansioso - e eu não sabia para que, nem por que.

Hoje, porém, chego do primeiro dia letivo na universidade, ainda atônito com o volume de trabalho que me aguarda. É tempo de estágio, de muita leitura, de provas constantes e de preparação para a monografia. Somo a tudo isso meu trabalho como professor e chego à conclusão de que, para dar conta de meus lados profissional e universitário, sem "matar" minha faceta nerd (aquela que adora ler comics todo dia, postar neste blog e visitar outros tantos, entrar no Orkut e falar no MSN), precisaria de um dia com, pelo menos, 36 horas.

Como é impossível, venho comunicar a todos os visitantes, habituais ou eventuais, que, ao invés de ficar tentando arrumar justificativas para meu sumiço ou espremendo os miolos pela obrigação de postar, estou anunciando uma espécie de "aposentadoria temporária" do Catapop, até o fim do ano, ou até que eu aprenda a conciliar responsabilidades e lazer nerd. Neste período, espero que o Mestre Chang consiga manter atualizações regulares que justifiquem suas visitas, mas, como sei que a vida dele também anda bastante tumultuada, não chega a ser uma promessa.

Lembrem-se: o blog não acaba! É apenas um período de seca anunciada. Eventualmente, pode ser que eu apareça com o fruto de algum surto de inspiração e disponibilidade.

Até lá, que a sombra do Morcego os proteja.

07/02/2009

Mana Bethânia

Mana Bethânia

Aqui no Catapop, estou sempre falando de música estrangeira, principalmente de rock. Hoje, quero fazer um pouco diferente, aproveitando o humor emepebístico que me acometeu de uns dias pra cá.

"Irmã de Caetano Veloso". Chega a ser engraçado que o nome Maria Bethânia evoque sempre, atrelado a si, esta espécie de subtítulo; trata-se de um epíteto reducionista e injusto, como se sua carreira não pudesse existir sem o apoio do seu irmão mais polêmico.

Polêmica, aliás, é coisa em que Bethânia nunca esteve interessada. Desde o começo de sua carreira, fez questão de dissociar sua imagem de de qualquer onda ou "movimento" da moda: não se via tropicalista, nem cantora de bossa, nem de fossa. Maria Bethânia gosta de cantar o que bem lhe der na telha. Se num momento ela canta bossa, no seguinte já está cantando samba-de-roda. Se num disco presta tributo a Roberto Carlos, no outro convida a cubana Omara Portuondo para ilustrar as nem tão óbvias conexões entre Bahia e Cuba.

Carreira por carreira, Bethânia não deve nada a seu irmão: pode-se considerá-lo mais ousado, mais disposto a riscos, mas ela certamente tem melhores critérios. Caetano busca o novo, o complexo e o chocante. Bethânia prefere o básico, o simples e o tocante. Assumida como mera intérprete, está sempre revelando novos e bons compositores. A estes, reúne um punhado de clássicos, poemas e canções de domínio popular.

Me perdoe, você, que implica com o nariz, o cabelo ou a feiúra conjunta de Bethânia, mas um fato inegável está lhe escapando: ela é uma das maiores cantoras deste país, senão a maior. Se os motivos apresentados nos parágrafos anteriores não bastam, existe a voz. Melhor dizendo: A VOZ. Forte, cristalina e inigualavelmente emotiva, pairando soberana sobre um piano, um violão, um set de cordas, sopros, percussão, ou tudo isso junto. Como poucas, ela sabe dosar a emoção para cantar sobre o amor de forma delicada, quase angelical, ou arrebatadora, quase como uma doença de que não se quer curar.

Não raramente, comete discos praticamente perfeitos, como os temáticos Pirata (sobre a água dos rios) e Mar de Sophia (sobre a água do mar), ambos de 2006. Sendo humana, porém, dá suas pisadas na bola, como gravar a purgante "É O Amor", de Zezé di Camargo & Luciano. Quando um artista de renome grava um canção tida como brega, os críticos costumam dizer que ele deu "dignidade" à música. Algumas, entretanto, estão além de qualquer salvação. Foi o caso. Ela não precisava disso.

Tudo bem, porque Bethânia não liga para o que eu penso. Na verdade, não liga para o que ninguém pensa. Ela faz parte daquele grupo de artistas que dizem sucessivos "não" aos programas de auditório e não fazem a mínima questão de falar com a imprensa. Atitude antipática, talvez, mas que seguramente contribui para evitar o esvaziamento de seu trabalho, como acontece toda vez que Caetano se mete a falar sobre qualquer coisa que dispense sua opinião, ou quando esse jovens artistas deslumbrados de hoje se deixam seduzir pelo lado Caras do showbiz. Bethânia só existe no disco (ou mp3...), que é o lugar de quem faz música.

Como seu irmão, Bethânia, já há alguns anos, vem intercalando trabalhos de estúdio com registros ao vivo. Reclame da repetição do repertório, se quiser, já que alguns de seus clássicos acabam sendo inevitáveis. Só não esqueça de perceber como cada show traz uma emoção nova, um clima diferente, e que, justamente por não ter um rostinho bonitinho ou um belo par de pernas que desviem a atenção do principal (a música), Bethânia merece reverência. Salve, Rainha!

PS: a quantidade de vezes que citei Caetano, para poder falar de Bethânia, parece dar razão à tendenciosa ideia do início do texto. Na verdade, justamente por recusar-se a fazer tudo igual a seu irmão, é que a vale citá-lo, para evidenciar as diferenças entre ambos, já que, de semelhança, basta a "fina estampa" (he he!).