08/09/2009

Up - Altas Aventuras

Up - Altas Aventuras


A história de um velhote ranzinza que reboca sua casa dos EUA à Venezuela, usando balões de hélio, dificilmente motivaria alguém a sair de casa e encarar uma fila de cinema. A presença de um garoto sapeca e de um cachorro falante normalmente espantariam de vez os espectadores minimamente mais exigentes, mas a marca Disney/Pixar faz toda a diferença e, ainda que Up - Altas Aventuras não esteja no meu Top 5 particular do estúdio de John Lasseter, ele está ali, coladinho, na emboladíssima sexta posição. Afinal, os níveis de adrenalina, deleite visual e emoção são altos, como de praxe.

A viagem de Carl Fredericksen não é uma decisão repentina de um velho recluso e sem muito o que fazer: é fruto de uma promessa feita à esposa que conheceu na infância e partiu desta vida sem realizar o sonho de chegar ao "paraíso das cachoeiras" (na verdade, o planalto venezuelano onde está o Salto Angel, a queda d'água mais alta do mundo, a assustadores 979 m do solo). Sua decolagem também é apressada pela ameaça de perder a casa onde viveu seu grande amor. Porém, o velho Carl acaba levando junto, sem querer, o garoto Russell, com quem compartilha o gosto por aventuras e por quem, inevitavelmente, acaba se afeiçoando.

Russell não é apenas inteligente e corajoso: também é um garoto sensível, fruto de um lar desfeito e com carências que afligem boa parte das crianças de hoje, o que gera uma imediata identificação, seja você filho ou pai. O encanto é completado pelo pássaro Kevin e pelo estabanado cão "falante" Dug, que protagonizam alguns dos momentos mais ternos e engraçados. No lado negro da força, temos um outro velho explorador (obcecado por décadas em capturar Kevin) e suas ameaçadoras matilhas. O maior inimigo de Carl, porém, é o tempo: conforme passam as horas, seus balões se esvaziam, se soltam ou simplesmente estouram e ele precisa se apressar se quiser colocar sua casa no exato lugar onde havia prometido à esposa.

Assisti ao filme em cópia 3D. Imagine que meu último contato com a tecnologia havia sido há quase dez anos, num curta-metragem exibido em uma atração do parque Hopi Hari, protagonizado pela peituda bruxa Elvira. Peitos à parte, nada muito auspicioso, como se vê. A experiência continua interessante e foi aperfeiçoada, mas trata-se de um mero detalhe técnico que, como os outros, agregam interesse, mas são secundários. O que realmente conta um um filme Disney/Pixar são a diversão e a emoção. Up - Altas Aventuras tem tudo isso de sobra.


A quem possa interessar: meu Top 5 da Pixar é, em ordem cronológica: Toy Story, Vida de Inseto, Procurando Nemo, Os Incríveis e Wall-e.