19/12/2009

Retrospectiva 2009 - Panini/DC

Retrospectiva 2009 - Panini/DC


MENSAIS

As principais revistas mensais da Panini/DC atravessaram uma ótima fase em 2009. Com exceção de Novos Titãs (culpa da instabilidade do título principal, dos altos e baixos de Robin e da ruindade pura e simples de Renegados e dos velhos Titãs) e Superman & Batman (devido ao lamentável declínio da série carro-chefe e do excesso de Arqueiro Verde de Judd Winick - argh!), os outros quatros títulos mensais seguem numa fase excelente, com mixes 100% aproveitáveis, pelo menos, em algumas edições.


Lanterna Verde - A revista caçula da DC tem sido, desde sua estréia, um dos melhores títulos nas bancas. Desde o fim da Guerra dos Anéis, muita coisa aconteceu e o cenário para A Noite Mais Densa vem tomando forma pacientemente, com os habilidosos retcons plantados por Geoff Johns na série que recontou a origem de Hal Jordan e no surgimento dos demais espectros coloridos, regidos por diferentes emoções. Peter J. Tomasi, escritor de Tropa dos Lanternas Verdes, investiu pesado na ação e fez bonito, principalmente na queda de Mongul. Gladiador Dourado esteve bem divertida e, mesmo com o previsível desfecho, foi legal ver o Besouro Azul vivo de novo.

Liga da Justiça - Em 2009, esta revista poderia ter mudado de nome, para Sociedade da Justiça, tamanha a superioridade em relação à assim chamada maior superequipe da DC. O grande destaque do ano foi a saga Reino do Amanhã, que agregou à SJA elementos do clássico de Mark Waid e Alex Ross. Flash e Mulher-Maravilha estiveram inócuos demais para merecer comentários. Já a LJA padece de um mal diferente. Dwayne McDuffie escreve aventuras simpáticas, com bons diálogos, mas que pecam pela falta de impacto. Ou seja, é uma leitura agradável, mas logo depois a gente já esquece. Uma pena.


Batman - Sejamos francos: Grant Morrison pode ser o nome mais hypado do momento, mas o dono incontestável da bola quiróptera se chama Paul Dini. Seus one-shots em Detective Comics têm uma qualidade constante e impressionante. Não que Morrison tenha pisado na bola, pelo contrário: os mistérios (e põe mistério nisso!) que conduziram à esperada Descanse em Paz desafiaram a atenção dos leitores e terminaram de forma espetacular, fazendo a ponte com a Crise Final. A Mulher-Gato, já próxima do fim do seu título, teve histórias bastante interessantes e o Asa Noturna segue irregular. Tudo bem, já vai acabar mesmo...

Superman - Finalmente chegamos ao filé mignon. A revista do Superman, depois de incontáveis anos de maltratos e histórias ridículas, entrou numa escalada de qualidade que parece não ter fim, cortesia de um Geoff Johns inspiradíssimo, demolindo e reconstruindo a mitologia do Superman de uma forma que já supera a incensada fase de John Byrne nos anos 80 e nos faz esquecer dos desmandos de Jeph Loeb em anos mais recentes. Tivemos ao menos três clássicos instantâneos: "Superman e a Legião de Super-Heróis", "Brainiac" e a atual "Novo Krypton", todas com o luxuoso auxílio do fenomenal Gary Frank. Com a chegada de Sterling Gates, até a Supergirl virou uma leitura digna. O que? Você ainda está aí? Vai comprar a revista do Superman, rapá!

PS - Quase esqueci: a malfadada decisão de publicar "A Legião dos 3 Mundos" em Superman & Batman é o que salva a revista do total desastre no ano.


ESPECIAIS

Metade do ano foi desperdiçado com as confusas e desinteressantes Contagem Regressiva e Prelúdio Para a Crise Final, um interminável festival de acontecimentos desimportantes, forçação de barra e arte medíocre. Felizmente, mantive a distância, preservando a sanidade mental e o dinheiro no bolso. Também fiquei com os dois pés atrás com O Planeta dos Condenados, O Manicômio do Coringa, O Submundo de Gotham, a coleção Batman 70 Anos e a maxissérie Trindade, não vendo quaisquer motivos para arrependimento.


Apesar disso, o ano começou muito bem, com o fabuloso especial do Arqueiro Verde - Ano Um, nos moldes do finado DC Especial. Logo em seguida, dose dupla de Coringa: a reedição com novas tintas de A Piada Mortal e o magistral Coringa, de Brian Azzarello e Lee Bermejo. Alguns meses depois, o especial do Sgt. Rock escrito e desenhado por Joe Kubert (ainda na minha fila de leitura).

Entre os encadernados, destaque absoluto para Watchmen, em versão motherfucker de capa dura e papel LWC e versão "de pobre", em dois volumes de papel comum. A História do Universo DC reuniu o magistral (e ampliado) trabalho de Wolfman e Perez publicado perto do fim da Crise nas Infinitas Terras à atualização xexelenta de Dan Jurgens, feita depois da Crise Inifinita. O Universo DC Ilutrado por Neal Adams e Lanterna Verde: Crepúsculo Esmeralda (mostrando a queda de Hal Jordan e a chegada de Kyle Rayner) também merecem destaque entre as republicações.

Por fim, de forma surpreendente, a Panini decidiu lançar Lanterna Verde - Crônicas Vol. 1, com as primeíríssimas histórias dos personagem que completou 50 anos e deve reinar em 2010 (com A Noite Mais Densa) e, talvez, em 2011 (com o filme prometido para junho). Isso não exime a editora, porém, da mancada de suspender a publicação de Shazam - A Sociedade dos Monstros, de Jeff Smith, e torcer pra que a gente simplesmente canse de esperar e esqueça. A gente NÃO esquece, viu? Panini feia, boba e cara de melão! =(

Vamos, enfim, ao que interessa: a Crise Final.

Quando foi anunciada, temeu-se que estivéssemos diante de mais uma malfadada cópia da primeira Crise, como foi a segunda, cujo fracassado cadáver nem havia esfriado ainda. A impressão só foi piorando com as indecentemente ruins séries que a precederam, assunto do primeiro parágrafo.


Aí chegou Crise Final 1 e a pergunta mais feita desde então é: "what?". Como de costume, não é fácil decifrar as intenções de Grant Morrison. Ao invés de lidar com catástrofes multidimensionais, Crise Final marca o acelerado retorno de Darkseid e demais deuses de Apokolips e Nova Gênese, vários deles agora habitando corpos terrestres. O plano é, ao menos aparentemente, simples: transformar a Terra em um novo Apokolips. O primeiro passo foi liberar a equação antivida sobre a Terra, o que escravizou metade da população mundial à vontade de Darkseid (renascido de forma aterradora na edição 5).

Mas ainda há muita coisa a esclarecer, como o retorno de Barry Allen, o que é e quem disparou a bala espaço-temporal que matou Órion e o que é aquele desenho que, dizem, garantirá a vitória sobre o mal. Falta pouco agora e embora algumas das próximas emoções já sejam conhecidas por spoilers na internet, estou ansioso para ver como tudo termina. Não decidi ainda se estou maravilhado ou decepcionado, mas estou extremamente feliz por ter tido minhas certezas destruídas por Grant Morrison. Ainda vamos precisar debater tudo isso de novo, num futuro próximo.

Só para concluir, é ótimo que estejamos lendo uma minissérie quase autocontida, cujos tie-ins estão providencialmente reunidos em uma minissérie paralela (Crise Final Especial) de boa qualidade, com destaque para "A Vingança dos Vilões" (Geoff Johns), "O Testamento de um Herói" (Brad Meltzer) e "Submissão" (Grant Morrison).

Que 2010 seja ainda mais excitante para os leitores da DC Comics!

06/12/2009

Meme Cor-de-Rosa

Meme Cor-de-Rosa

Este novo meme foi passado pelo Luwig. Aos intrigados com o termo "meme", as definições encontradas na internet dizem: um elemento cultural passado à frente de forma verbal repetitiva. No fim das contas, é a velha e (nem sempre) boa corrente. Este, porém, é o universo nerd e tudo aqui tem uma razão bacana pra acontecer.

O desafio desta vez era listar cinco mulheres que eu considere importantes no universo nerd, de forma geral ou mais particular. As listas dos outros convocados pipocam em interessante diversidade e eu espero estar dando uma contribuição bacana. Passo a responsabilidade de manter o meme vivo às mãos de
James Gordon, Paranoid Android, Rodrigo Sava, Gustavo Timm e o necessário ponto de vista feminino a cargo de Juliane Wëlter.



Tenente Ellen Ripley - Basta olhar para Sigourney Weaver para saber que ela é uma mulher singular. Primeiro que, com seus 1,83m, ela costuma ser bem mais alta que suas colegas de profissão. Segundo, existe seu rosto anguloso, a um só tempo raivoso e delicado, sério e sarcástico. Por fim, ela é uma excelente atriz, indicada ao Oscar duas vezes, uma das quais por Aliens - O Resgate, obra-prima da ficção científica dirida por James Cameron em 1986, continuação do sucesso de Ridley Scott, lançado sete anos antes. Todo o filme é um libelo feminista, com seus homens bundões e suas mulheres corajosas (a garota órfã Newt, a sargento Vasquez, a própria rainha alien), entre as quais Ripley sobressai com sua mistura de força e fragilidade, dignas de quem já viveu muita coisa e sabe muito bem que existem inimigos piores que um parasita espacial (o caráter falho dos homens, por exemplo). Isso não a impede de pegar nas armas e gritar para a monstrenga: "get away from her, you bitch!".

Vale a pena citar o excelente diálogo entre o medroso soldado Hudson e a masculinizada sargento Vasquez, um dos melhores da década de 80:

- Hey, Vasquez, você já foi confundida com um homem?
- Eu, não. Você, já?



Madonna - OK, você vai me achar o Rei do Óbvio por incluí-la aqui, mas eu fui adolescente nos anos 80 e era virtualmente impossível escapar de sua sombra. Madonna tornou-se uma gigante, a mulher mais poderosa da música pop, não apenas por saber provocar aos pecadores e chocar aos moralistas, com suas declarações e atitudes desafiadoras. Ela o fez tomando as rédeas da própria carreira, evoluindo como compositora e intérprete (notadamente a partir de Like A Prayer, 1989) e desfrutando do inegável fato de que aos popstars se perdoa quase tudo. Ao contrário do que se pensa, Madonna é um modelo de virtude - se não moral, pelo menos estratégica. Se você não gosta dela, mostre-me outra cantora pop com quase 30 anos de carreira, que ainda seja prestigiada e relevante, e voltamos a discutir o assunto.



A Mulher-Maravilha de George Pérez - Ouso dizer que esta é a mais interessante entre as três histórias de origens mais marcantes do pós-Crise nas Infinitas Terras, sendo as outras duas o Batman de Frank Miller e o Superman de John Byrne. Até então, Pérez só era conhecido como o fabuloso desenhista de Novos Titãs e da própria Crise. Com a Mulher-Maravilha, ele revelou-se um roteirista habilidoso, mesclando mitologia, história, drama e aventura de forma magistral. Acima disso tudo, está sua Diana, a mais bela das heroínas já desenhadas. Diana não apenas é inocente, como parece inocente - e você sabe como isso é raro nesta mídia em que não basta desenhar mulheres bonitas: elas têm que ser sensuais, provocantes e vistas por ângulos ginecológicos. Seu processo de adaptação ao mundo do patriarcado foi um dos mais pacientes e cuidadosos que já tive o prazer de ler. Uma autêntica aula de quadrinhos e um inequívoco exemplo de respeito e carinho para com as mulheres.



Emma Frost - Não existe coisa mais irritante do que gente boazinha. Boa parte dos leitores de quadrinhos compartilha da minha opinião e é por isso que tanta gente prefere Jean Grey morta. Afinal, ela é um saco de mulher, com sua eterna disposição em discutir a relação com o pobre Scott Summers. Grant Morrison, em sua revolucionária passagem pelo universo X, foi o primeiro a investir em um fim definitivo para essa relação doentia, matando Jean mais uma vez (justamente quando ela começava a ficar menos chorona!) e metendo Emma Frost na cabeça e na cama de Ciclope. Foi Joss Whedon, porém, que fez de Emma a verdadeira mulher da vida de Scott: uma mulher bonita, gostosa e inteligente que, ao invés de afogá-lo em dramas e culpa, faz emergir seu imenso potencial e o transforma em um homem de verdade. Não é isso que todo homem busca? Isso sem falar que da sua boca sai a mais preciosa coleção de pérolas de ironia, sarcasmo e incorreção política dos quadrinhos. Emma rules. Seriamente.



As atrizes da Rede Globo - Talvez este seja um agrupamento genérico demais, visto que, entre elas, existe uma boa quantidade de atrizes medianas e medíocres. Um fato, porém, é inescapável: a Globo é um celeiro de atrizes fabulosas e é preciso, sim, defini-las como "atrizes da Globo" porque parece que, quando elas se aventuram em outros canais, simplesmente desaprendem o que sabem! Se isso é falta de bons personagens ou de uma boa direção de atores, que se dê o mérito à Globo, então. As novelas das oito (que começam às nove), talvez por seus enredos mais adultos, são pródigas em grandes atuações e é sempre um prazer ver gente do calibre de Eva Wilma, Nívea Maria, Glória Pires e (meu Deus!) Lília Cabral entregando-se de corpo e alma aos seus personagens. O mais legal é que não apenas as veteranas dão caldo, mas novas e boas (e boazudas) atrizes estão sempre sendo formadas no Projac, como Camila Pitanga, Juliana Paes, Geovanna Antonelli e Grazi Massafera.