29/04/2010

Sandman Edição Definitiva, Vol. 1

Sandman Edição Definitiva, Vol. 1


Parece inacreditável, mas, passaram-se cerca de 20 anos desde que eu li a primeira história de Sandman, até que, finalmente, pudesse ler a segunda. Comprei em 1989 o primeiro número da série editado pela Editora Globo e, misteriosamente, a revista simplesmente não chegou mais em Ibotirama, onde eu residia. Sandman caiu no limbo das coisas esquecidas, suplantadas pela minha crescente empolgação com os super-heróis, ainda mais no ano do cinquentenário do Batman, quando a Editora Abril lotou as bancas com lançamentos de cair o queixo, em quantidade e qualidade.

O momento histórico aconteceu em 2008, quando adquiri o primeiro volume da prometida coleção de 17 volumes em formato paraguaio da Pixel. O que aconteceu com os planos da Pixel (e com as minhas expectativas), todo mundo já está careca de saber. Aquelas quatro histórias, porém, haviam sido suficientes para me fazer perceber que, anos antes, teria valido a pena comprar o Sandman da Globo por qualquer outra via que não a mal abastecida banca local.

Pouco depois do desastre pixeliano, a Panini anuncia a aquisição dos direitos da Vertigo/Wildstorm e, enquanto os catedráticos forenses debatiam os males do monopólio da Panini (francamente, who cares?) e anteviam edições catastróficas, eu só pensava aqui com meus botões: "tomara que eles publiquem Sandman, Planetary e o Homem-Animal de Grant Morrison desde o começo!". Não demorou muito e a edição nacional do luxuoso Sandman Absolute foi anunciada entre os planos da Panini. O problema é que entre este anúncio e a materialização do nosso Sandman Edição Definitiva Vol. 1 passou-se, mais ou menos, um ano inteiro.

Mas, finalmente, saiu.

Deixemos para depois as discussões sobre se a Panini vai lançar os demais álbuns. Estou convencido que será muito bom ler toda a saga, mas, minhas preocupações sobre o futuro dos quadrinhos no Brasil se apequenam diante da masterpiece que é este galalau de 616 páginas de puro sonho. É preciso elogiar o trabalho gráfico impecável, a boa tradução e a ausência de erros de português (ou será que deixei escapar algum?). O cuidado com esta edição foi propocional à sua importância dentro da coleção de qualquer leitor de bons quadrinhos.

Não é simples dizer a um curioso sobre o quê versa Sandman. A resposta que me vem à cabeça agora é dizer que é uma série de contos sobre a condição humana, mesmo que isso soe vago e, certamente, pretensioso, mas não consigo imaginar outro jeito de apresentar a série. Chamá-la de "terror" ou "fantasia" me parece injusto e simplista. Por trás da aparência de quadrinhos comuns e interligados pela ambientação onírica, Neil Gaiman entregou contos fascinantes sobre o amor e o ódio, a vida e a morte, a liberdade, a crueldade, a criatividade e a sabedoria para acolher ou a força para enfrentar o que o destino oferece. Se isso não é a condição humana (facilmente reconhecível e passível de identificação por cada um de nós), não sei o que mais poderia ser.

Não fosse o próprio Sonho (ou Morpheus, ou Sandman) cativante o suficiente, com seu jeitão de Robert Smith (o vocalista do The Cure), a galeria de personagens que permeia a série é composta de tipos totalmente tridimensionais, mesmo quando se trata de criaturas fantásticas ou pessoas conhecidas apenas pelos livros, sobre cuja índole costuma-se apenas conjecturar, como William Shakespeare e os irmão mais famosos da História, Caim e Abel. Cada entidade mágica mostrada na série, seja ela boa ou má, traz consigo uma nuance do comportamento e dos anseios humanos, sem que isso jamais torne a leitura enfadonha. É divertido sem ser superficial. Não é sempre e não é todo mundo que consegue tal mágica.

Gostaria de detalhar um pouco mais sobre as histórias e sobre o trabalho dos desenhistas e do soberbo capista Dave McKean, mas já me alonguei demais. Escolho, então, não mais que três momentos fascinantes do livro: 1) o primeiro capítulo, que se deve ler com a mesma atenção e paciência que Morpheus teve para esperar pela liberdade; 2) a primeira aparição da irmã caçula de Sonho, a Morte, com seu rosto de Winona Ryder (hoje, gosto de pensar que Ellen Page seria uma boa escolha para interpretá-la), numa história cheia de momentos tocantes e que pode levar os mais sensíveis às lágrimas; e, por fim, 3) "Um Sonho de Mil Gatos", metáfora da pequenez humana e de nossa inércia em aceitar o errado como certo.

Não importa que eu esteja 20 anos atrasado: nunca é tarde para ler Sandman. Esta é uma daquelas histórias que devemos receber como um verdadeiro presente. Lembra que eu chamo de "Estante Encantada" os itens mais queridos de minha coleção? Pois bem. Mal comparando, é como se a Estante Encantada fosse o Sonhar (o domínio onde acontecem os sonhos e pesadelos) e tivesse passado 20 anos desgovernada. O seu senhor absoluto acabou de voltar pra casa. Bem-vindo de volta, Morpheus.

25/04/2010

Eric Cartman x Allah

Eric Cartman x Allah


Os criadores de South Park, Matt Stone e Trey Parker, foram pouco sutilmente ameaçados de morte, no início da semana passada, no site da organização islâmica Revolution Muslim. No comunicado, os autores do texto diziam que, ao apresentarem um episódio em que o profeta Maomé aparece disfarçado de urso, correriam o risco de acabar como o cineasta holandês Theo Van Gogh, que foi assassinado em 2004, após realizar um documentário que abordava a violência sofrida pelas mulheres nos regimes islâmicos. Embora cinicamente digam que não estariam convocando atos de violência contra Stone e Parker, o site publicou fotos de suas casas, dando a entender que sabem muito bem onde encontrá-los.

Não é de hoje que muçulmanos radicais se comportam feito crianças birrentas. O problema é que eles são crianças birrentas com armas e sem medo de usá-las. Criticar ou satirizar outras religiões pode até gerar protestos ruidosos, mas, enquanto outros grupos contra-atacam com reprimendas públicas e processos, os islâmicos querem resolver tudo na base da bomba, buscando temor, e não respeito, através da intimidação. Zoar com cristãos ou judeus pode. Criticar o Islam, a sério ou com humor, é garantia de atentado a bomba em seu escritório ou na escola de seu filho. Ou seja, não basta indignar-se, é preciso que uma maré de sangue lave a honra de Allah. Muito civilizado, como se vê.

Na França, a choradeira belicosa da comunidade islâmica resultou na remoção de crucifixos das salas de aulas, mas, até aí, o país sempre primou por ser um Estado laico (ou seja, que não apoia oficialmente qualquer religião). No final do ano passado, porém, o primeiro ministro australiano, Kevin Rudd, mostrou que honra as calças que veste e disse, em alto e bom som, aos muçulmanos que protestavam contra o modo de vida cristão do país: os incomodados que se retirem. Leia abaixo.



Kevin Rudd
Primeiro Ministro da Austrália


"SÃO OS IMIGRANTES, E NÃO OS AUSTRALIANOS, OS QUE DEVEM ADAPTAR-SE. É pegar ou largar. Estou farto de que esta nação tenha que se preocupar se estamos ofendendo a outras culturas ou a outros indivíduos. Desde os ataques terroristas em Bali, estamos experimentando um aumento do patriotismo na maioria dos australianos.

"Nossa cultura desenvolveu-se durante dois séculos de lutas, atribulações e vitórias por parte de milhões de homens e mulheres que buscavam a liberdade.

"Falamos INGLÊS, não libanês, árabe, chinês, espanhol, japonês, russo ou qualquer outro idioma. De modo que, se você quer fazer parte de nossa sociedade, aprenda nosso idioma.

"A maioria dos australianos creem em Deus. Esta não é uma posição política ou de extrema direita. Isto é um fato, porque homens e mulheres cristãos, de princípios cristãos, fundaram esta nação. E é certamente apropriado que isto apareça nas paredes de nossas escolas. Se Deus ofende a vocês, sugiro que considerem viver em outra parte do mundo, porque Deus é parte de nossa cultura.

"Aceitamos suas crenças e sem perguntar por que. Tudo o que pedimos é que vocês aceitem as nossas e vivam em harmonia, desfrutando da paz conosco.

"Este é NOSSO PAÍS, NOSSA PÁTRIA e ESTES SÃO NOSSOS COSTUMES E ESTILO DE VIDA e PERMITIREMOS QUE DESFRUTEM DO QUE É NOSSO, mas quando acabarem de queixar-se, de choramingar e de protestar contra nossa bandeira, nossa língua, nosso compromisso nacionalista, nossas crenças cristãs ou nosso modo de vida, nós os convidamos a aproveitar de outra das grandes liberdades australianas, O DIREITO DE IR EMBORA.

"Se vocês não estão contentes aqui, então, VÃO EMBORA. Nós não os obrigamos a vir aqui. Vocês pediram para emigrar para cá, de modo que é hora de aceitar o país que os acolheu."


Veja bem, sem qualquer traço de xenofobia ou intolerância religiosa, Rudd deixou bem claro quem é que manda e como é a lógica das coisas: a visita é que se adapta às regras dos donos da casa, não o contrário. Se mais dirigentes políticos tivessem três testículos, como deve ser o caso do mutante Rudd, talvez cristãos e judeus não precisassem viver amedrontados e os bons muçulmanos não precisassem viver constrangidos.

Num mundo ideal, porém, não haveria religião alguma.

EDITADO: o teor da declaração acima já foi atribuído a várias pessoas e jamais confirmado. Trata-se de algo bem escrito, que diz o que deve ser dito, mas não é confirmado por qualquer agência de notícias. Sim, eu caí como um patinho e quis arrastar vocês junto. Mal aí, galera.

Música em 2010: orelhas carentes

Música em 2010: orelhas carentes

De repente, o problema é comigo, mas, até o momento, 2010 tem sido decepcionante no campo musical. Tudo bem que a gente sempre deposita esperanças em um ano que começa com disco novo da reclusa Sade (Soldier of Love saiu em fevereiro - já maltratou seu coração hoje ao som de "The Moon and the Sky"?) e até que saíram bons trabalhos de outros artistas, mas falta um disco-evento, barulhento e de alta qualidade. A solução pode estar a caminho com Orion, o tal disco "de metal" prometido pelo excelente Ryan Adams, que deve sair mês que vem.

Mas, pô, já estamos praticamente em maio e a biblioteca de meu Windows Media Player acusa que 2010, perto de encerrar seu primeiro quadrimestre, tem pouco mais de 10 horas de música, contra as quase 54 horas totais de 2009. Devo confessar, porém, que no ano passado estive propenso a conhecer e incorporar o repertório de diversas bandas estreantes ou pouco conhecidas, o que aumentou consideravelmente a variedade de meus mp3, coisa a que não ando muito disposto neste último ano da primeira década do século 21.

Um dos males desses tempos de mp3 é que ninguém mais tem paciência de escutar um disco inteiro, incluindo eu. Por isso, vários dos 14 lançamentos de 2010 que baixei acabam subaproveitados. Massive Attack (Heligoland), Rufus Wainwright (All Days Are Nights: Songs For Lulu), Vampire Weekend (Contra), Paul Weller (Wake Up the Nation) e Ocean Colour Scene (Saturday) merecem um pouco mais de consideração. Os latinos, representados pelo Gotan Project (Tango 3.0) e por Julieta Venegas (Otra Cosa), também.

Lulu Santos ainda é o artista com o maior número de álbuns por aqui, 22. Para deleite de alguns e ojeriza de outros, também baixei 15 CDs de Roberto Carlos, entre 1969 e 1983, fase cheia de clássicos incontestáveis. O que vem antes (Jovem Guarda) e depois (pirações religiosas, odes à "beleza interior" e acomodação) não me interessa.

Aguardo confiante pelo retorno de jovens talentos do soul como Amy Winehouse, Adele e Duffy; por novos trabalhos de Justin Timberlake, The Thrills e Belle & Sebastian; e pelo anunciado "disco gêmeo" de No Line On The Horizon, do U2, repetindo a manobra Achtung Baby/Zooropa.

O ranking de volume anual de música, depois de que algumas discografias (como as de Kid Abelha, Midnight Oil, Biquini Cavadão e Eurythmics, entre outros) foram transferidas para um outro HD, está assim:


01 - 2008 (54,1 horas)
02 - 2009 (53,5 horas)
03 - 2007 (48,1 horas)
04 - 2006 (47,3 horas)
05 - 2005 (42,7 horas)
06 - 2004 (39,6 horas)
07 - 1998 (38,7 horas)
08 - 2003 (36,3 horas)
09 - 1994 (35,5 horas)
10 - 1999 (35,3 horas)

O último lugar é do ano de 1957, com os meros 27 minutos da estreia de Little Richard.

18/04/2010

Rapidinhas

Rapidinhas

- Não foi à toa que "Juno" teve tanto hype e papou o Oscar de Melhor Roteiro Original (escrito pela ex-stripper Diablo Cody). O filme é mesmo muito competente, irreverente e simpático ao abordar um tema espinhoso, a gravidez na adolescência. Nada de fornecer modelos de comportamento, nem de finais felizes medíocres: o filme é uma sucessão de agradáveis surpresas e diálogos memoráveis, com Ellen Page encarnando à perfeição a adolescente que se pretende adulta, mas que acaba entendendo que é pouco mais que uma criança - com toda a confusão de sentimentos, o pragmatismo de mentirinha e a ingenuidade romântica, típicos da idade. Se ainda não viu, veja!

- Álvaro Garnero é apresentador
de um dos programas mais interessantes e agradáveis da tv aberta (50 por 1) e também é um twitteiro incansável e dedicado, respondendo com cuidado e educação a todas as mensagens. Lição de tratamento aos fãs para celebridades e subcelebridades que acham que boas maneiras custam caro demais pra valer a pena (e se custam, que bom que ele pode pagar).

- O que?
Eu nunca disse que tenho Twitter? Pois tenho. Não entro todo dia e nem posto feito louco, mas tô lá. Siga:
www.twitter.com/blogcatapop

- Sou obrigado a concordar
com o leitor Alexandre Melo: o comercial da Brahma estrelado por Dunga, Júlio César e Luís Fabiano é uma coisa lamentável. O Dunga é quase tão ruim para a publicidade quanto o Parreira (que escreveu o livro "Formando Equipes Vencedoras" em 2006, quando conduziu o fiasco brasileiro na Alemanha). Além disso, de onde veio a questionável noção da agência responsável de que consumidores de álcool são guerreiros? Guerreiro que toma Brahma tem reflexos comprometidos e leva espada no bucho.

- Momento "oh, dúvida cruel".
Aproveitei descontos maternais da Saraiva e do Walmart e fiz uma festa de encadernados: Sandman Definitivo, Frequência Global, Transmetropolitan (review logo abaixo), Whiteout e um livro do Greg Rucka, À Queima-Roupa. O problema agora é escolher o que ler primeiro!

- Ninguém se deu conta
(ou a galera foi educada demais para apontar o equívoco) de que, num desses posts de "volta à vida blogueira" que escrevi, anunciei que o Catapop tinha feito cinco anos. Na verdade, o blog fez quatro anos em novembro do ano passado. Sorry pelo migué, não foi com má fé. Abraços a todos.

Mortos e feridos da Revolução Panini

Mortos e feridos da Revolução Panini


Bem, a propalada "revolução" da Panini ganhou forma. Era o que todo mundo já previa: alguns cancelamentos e mudança no número de páginas. Só que, enquanto quase todo mundo apostava que as revistas mensais passariam a ter 132 páginas a R$ 9,90, como a Vertigo, os principais títulos encolheram para 76 páginas, com apenas 3 histórias por edição, a R$ 6,50 - na ponta do lápis, o preço aumentou, mas a a editora espera que essa redução cosmética empolgue novos leitores, com o atrativo extra de que todos os títulos começam novos arcos.

Foram canceladas as revistas Superman & Batman, Novos Titãs, Marvel Max e Marvel Millenium. Esta última será substituída por Ultimate Marvel, seguindo a renovação da linha ocorrida nos EUA. O Homem de Ferro ganha título mensal em maio e Avante, Vingadores passa ser um almanaque bimestral de 148 páginas por R$ 14,90. X-Men Extra também terá 148 páginas, assim como a ressuscitada Universo DC e a nova A Sombra do Batman (ambas estreando em julho).

Como eu só compro títulos mensais da DC, minhas despesas com HQ devem quase dobrar. Se, até hoje, eu gasto R$ 31,80 (em meses normais, sem títulos com páginas extras), a partir de julho, a depender do interesse suscitado pelo mix de Universo DC, passarei a precisar de R$ 55,80.

Em
entrevista ao Universo HQ, o editor Hélcio de Carvalho, da Mythos (responsável pelas edições da Panini), disse que os títulos com mais páginas privilegiarão arcos completos e servirão para desovar títulos importantes para o desenvolvimento de grandes sagas, como A Noite Mais Densa (que começa em julho como minissérie, e não na mensal do Lanterna Verde, como divulgado anteriormente). Resta saber como isso afetará o andamento de séries desabrigadas, como Novos Titãs, Mulher-Maravilha e Sociedade da Justiça.

Permita-me um pequeno veredito.

A Panini padece de uma grave crise gerencial ou é vítima da crise alheia. O que dá pra perceber, levando-se em consideração a frequência de erros de revisão, a desorganização dos títulos (como a lambança que se desenha na mensal do Superman, no meio de um de seus arcos mais empolgantes), os constantes atrasos, cancelamentos e promessas não cumpridas, é que a Panini precisa de um choque de gestão. Pode falar o que quiser da Editora Abril, mas, ela entregava seus gibis religiosamente no mesmo dia, todos os meses. Já a Panini tem o adiamento como regra. Com a "janela" (tempo entre a publicação nos EUA e no Brasil) de, em média, um ano para planejamento e edição, chega a ser vergonhoso que não se consiga respeitar prazos.

Entretanto, não é com boicote que alguma coisa vai melhorar. Temos todo o direito de reclamar, mas nesses tempos de livre expressão pela internet, tem gente que perde a noção das coisas. Uma voltinha pelos fóruns sobre HQ mostra que muitos leitores, que já dizem haver abandonado os títulos da Panini em detrimento dos scans digitais, são os críticos mais ferrenhos da mudança. "Ainda bem que eu parei de comprar mensais!" é um comentário recorrente. Ora, se o cara não compra gibis, por que se incomoda? Tudo bem que a editora bem merece um certo descrédito, devido às suas pisadas na bola, mas, merece igualmente um voto de confiança. Até porque a alternativa parece ser o fim da publicação desse material no Brasil - ou você enxerga, hoje, alguma editora com potencial para fazer um trabalho melhor que o da Panini? Pixel? Cruz-credo! Abril? Talvez, mas, lembre-se de duas palavrinhas: Diet. Premium.

Os americanos costumam dizer: "ignorance is bliss" (a ignorância é uma benção). Será este meu lema, de agora em diante, no que diz respeito a HQs. Vou acompanhar com interesse as notícias sobre o que está rolando lá fora, mas vou me abster de ficar lendo fóruns sobre o que sai lá ou aqui. Esses lugares estão cheios de vampiros psíquicos: eles não se divertem, nem querem que você se divirta. Quadrinhos, para mim, têm que ser fontes de LAZER e PRAZER. Ainda vejo graça em ir à banca, comprar minhas revistas e voltar pra casa ansioso por começar a leitura. Seguirei com a Panini, enquanto ela for a dona da bola, simplesmente porque quero que o "jogo" aconteça.

Transmetropolitan, Vol. 1

Transmetropolitan, Vol. 1
De Volta Às Ruas


Quem dera todos os lançamentos da Panini fossem assim: anunciados de surpresa e logo colocados no mercado. Transmetropolitan volta às lojas desde o comecinho, depois de ter 15 edições publicadas pela Brainstore.

Na visão de Warren Ellis (um escritor absolutamente apaixonado pela ficção científica e que, aqui, escreve praticamente sem amarras), o século 23 não é muito diferente do 21: os políticos continuam muito safados, a mídia mantém o público cativo com conteúdo idiotizante e estelionatários fazem fortuna explorando a fé alheia. Longe de tudo isso, nas montanhas, o escritor Spider Jerusalém leva uma vida de ermitão, andando pelado e se drogando, supostamente em busca de sossego e inspiração para os livros cujos prazo não consegue cumprir.

Spider é desbocado, antissocial e sutil feito uma carreta. Ele odeia as pessoas comuns e as incomuns, também. Goza de reputação nada invejável entre gente com muito a esconder, tamanha a virulência de sua escrita. Mesmo assim, ele ainda precisa respeitar contratos e, muito a contragosto, decide voltar para a cidade. Seu primeiro trabalho como jornalista: cobrir um foco de insurgência entre os "transientes", humanos que, em nome da moda, misturaram seu DNA com o de alienígenas. Narrando a brutalidade policial ao vivo para a "internet", ele não poupa ninguém - inclusive as vítimas e a audiência.

E assim, Spider vai comprando briga com absolutamente todo mundo - e, mesmo sendo um cara tão difícil, até chato, é impossível não simpatizar com ele. Spider é o instrumento de Warren Ellis para meter o dedo na cara da polícia, da imprensa, dos políticos, dos religiosos e de todos aqueles que levam uma vida medíocre e acham isso normal. Concordando ou discordando, a cena em que Spider banca Jesus no templo dos vendilhões é memorável! O artista Darick Robertson é acostumado a desenhar ação com humor (lembre-se que ele desenhava a Liga da Justiça Europa, um dos títulos da fase cômica do final dos anos 80 - a diferença é que ele está muito melhor aqui).

Agora, torçamos pelo lançamento de um volume 2 sem muita demora.

09/04/2010

Urbanidade Consciente JÁ!

Urbanidade Consciente JÁ!


As inundações no Rio de Janeiro não deixam mais dúvida: precisamos reorganizar nossas cidades e reaprender a viver nelas. É claro que as chuvas torrenciais seriam suficientes para provocar estragos de qualquer maneira, mas alguém ainda duvida que a dimensão da tragédia nada mais foi do que a lei de ação e reação demonstrada na prática? Décadas de lixo jogado nas ruas e nos rios estão finalmente cobrando seu troco. Com uma maior capacidade de escoamento dos bueiros, entre outras possibilidades, talvez não precisássemos estar chorando tantos mortos e contando tantos prejuízos.

Apesar disso, é pouco provável que uma parcela significativa da população enxergue razões suficientes para mudar de atitude. Como eu já disse em outras ocasiões, o brasileiro médio simplesmente não sabe o que é viver em comunidade e não aceita as limitações que isso lhe traz. Por isso, é utopia acreditar que, de repente, as pessoas que sempre jogaram lixo nas ruas vão deixar de fazê-lo. Umas poucas, talvez.

Mas, espere, isso não é tudo! Antes de ligar para o CVV com a faca ao pulso, o Catapop trouxe para você uma listinha de atitudes já bem conhecidas pelos pregadores da urbanidade consciente, mas que podem muito bem ser aproveitadas por você, egoísta incorrigível, que está pouco se lixando para o restante da sociedade. Se você não quer fazer o bem pelo planeta ou pelas outras pessoas, faça-o por si e viva melhor. (Se bem que, na sua cabeça, esse negócio de "viver melhor" deve ser a maior frescura).


DEIXE O CARRO EM CASA.

A gente já sabe: você não está nem aí para a camada de ozônio, a inversão térmica ou os pulmões alheios. Gostoso mesmo é estar ao volante. Tudo bem, é compreensível, mas, pense um pouco. Se você decidir deixar o carro em casa e pegar ônibus ou metrô, talvez passe algum aperto e tenha que aturar outros mal-educados, mas também pode dar belas risadas da fauna humana ali reunida e divertir-se encoxando a bunda de sua preferência (ou deixando-se encoxar, se for o caso), o que pode render mais diversão ainda depois do expediente. Se muita gente pensar igual, possivelmente haverá mais gente bonita a bordo e menos carros nas ruas, o que diminuirá o tempo do seu trajeto. Se optar pela bicicleta, melhor ainda: em pouco tempo, você vai poder tirar a maior onda na praia.


ECONOMIZE ÁGUA.

Se você acha que um futuro em que a água vai valer mais que o petróleo é delírio da galera que anda por aí como camisetas da "Mãe Gaia" e recicla até peido, talvez precise de motivos menos altruístas para motivar-se a maneirar nas torneiras, então, aqui vai o melhor deles: a grana. Se sua conta baixar de R$ 70 para R$ 50, sobram R$ 20 para comprar umas brejas no bar da esquina, ou ir ao cinema do shopping sem dar a impressão de que o ingresso lhe custou um rim, ou alugar vários DVDs, ou comprar uns gibis legais. Melhor ainda: pode pagar a hora em um motelzinho barato, pra curtir com sua vítima do ônibus/metrô!


GASTE MENOS ELETRICIDADE.

Aqui no Brasil, por tabela, isso também significa poupar água - e dinheiro, não se esqueça. O ideal seria dispensar o chuveiro elétrico, já que o choque térmico é maior após um banho quente, mas parece que mesmo os mais machões choram feito menininhas diante de uma quedinha na temperatura. Já que o chuveiro é intocável, vamos às lâmpadas. Depois de algum tempo frequentando o motel de R$ 20 e alcançado um certo grau de confiança, é hora de abater a criatura do busão no conforto da sua cama box! Nada de som ligado ou filminho romântico (nem pornô!) no DVD. Com a desculpa do romantismo, capriche na iluminação com velas. Lembre-se que os R$ 20 que pagavam o motelzinho ainda vão servir pra comprar a cerveja do churrasco em que você vai contar TUDO sobre a noite anterior pra sua galera!