27/07/2010

And the winner is...

And the winner is...


...Alberto Silva! O pernambucano, residente em Jaboatão dos Guararapes e de casamento marcado para o próximo ano, venceu a vantagem dos que concorriam com chances dobradas e faturou o bat-neoclássico Guerra Ao Crime, escrito por Paul Dini e ilustrado por Alex Ross.

Parabéns, Alberto! Se ouvir um tumulto na sua festa de casamento, provavelmente é um arrastão da nerdaiada nordestina, reunida para te dar um abraço - e aproveitar dos comes e bebes, claro! Que sua união com Sabina seja feliz e que seu filho seja um pequeno batmaníaco! =)

Aos demais participantes, meus agradecimentos. Espero que continuem por aí, comentando sempre. Abraços a todos!


Concorreram: Adailton, Alberto Slva, Alex, Alexandre Melo, Caesius Maxi, Do Vale, Douglas Bonifácio, Gabi, Ícaro, Mauro Sampaio, Paranoid Android e Rodrigo Sava.

24/07/2010

Você não pode falar assim comigo!

Você não pode falar assim comigo!


A típica mistura de coitadismo com patriotismo de quinta e hipocrisia de primeira que acomete boa parte dos brasileiros atingiu uma espécie de ápice na semana que se encerra, quando uma turba de twitteiros locais registrou com um "CALA BOCA SYLVESTER STALLONE" sua indignação com uma declaração do astro, em resposta à pergunta de um fã, durante a apresentação do filme Os Mercenários, na San Diego Comic Con. Segundo Stallone, aqui eles podiam quebrar tudo, atirar nas pessoas, destruir o país inteiro, e os brasileiros ainda diziam "muito obrigado, e aqui está um macaco para você levar pro seu país!"

Diante das reações inflamadas no Twitter, ao pobre Stallone só restou desculpar-se, expressando carinho e admiração pelo Brasil e pelos brasileiros, afirmando que expressou-se mal ao tentar dar uma resposta bem-humorada. Não é difícil acreditar nisso. Talvez ele estivesse, inclusive, tentando debochar de uma possível visão estereotipada sobre o nosso país, por parte do rapaz que lhe fez a pergunta. Acontece que, ainda que estivesse sendo inocentemente sincero em seu preconceito, Stallone teria todo o direito de dizer o que disse - e nós teríamos que ouvir tudo caladinhos.

Sabe por quê? Porque quando um argentino residente em Belo Horizonte solicitou a proibição, devida a preconceito, do comercial das latas falantes da Skol, que chamava a seus conterrâneos de "maricón", muita gente ficou triste (afinal, todo mundo achava o comercial o máximo) e disse que era "frescura de argentino". Argentinos, aliás, são vítimas de todo tipo de deselegância por parte dos brasileiros e nós achamos tudo isso muito normal - e não é que argentinos não mereçam ser sacaneados, mas, quando brincamos com alguém, devemos estar preparados para o caso de brincarem de volta.

Isso sem mencionar o vasto repertório de piadas sobre as faculdades intelectuais dos portugueses, as limitações genitais dos japoneses, ou o hábito de falar com as mãos dos italianos. O estrago será ainda maior, se incluirmos as "piadas internas", aquelas sobre a nossa própria e endêmica corrupção, ou sobre determinados grupos étnicos, sociais e sexuais. O brasileiro é um gozador nato e, não me entenda mal, não há nada de (muito) errado com um pouco de incorreção política, desde que equilibrada com um mínimo de graça e leveza. Acontece que o brasileiro sabe rir de tudo e de todos... menos de si mesmo.

Veja o exemplo do que aconteceu com Os Simpsons, há alguns anos. A cada episódio, o desenho destrói dezenas de dogmas do american way of life e esculacha sem dó uma pá de gente, de respeitados figurões políticos a patéticas subcelebridades desesperadas por atenção. Os fãs no Brasil são milhões. Porém, quando eles atacaram o circo do absurdo que sempre foi nosso mercado de apresentadoras infantis loirinhas em trajes minúsculos, a gritaria foi geral, e até nossos diplomatas ficaram ofendidinhos. Do episódio, constavam ainda sequestros e assaltos vividos pela família Simpson em terras brasileiras. Onde está a mentira?

Mais recentemente, o roteirista Warren Ellis, contratado da Marvel Comics, esteve duas vezes digladiando com internautas brasileiros. Na primeira, por declarar-se, via Twitter, ignorante do fato de que suas obras eram publicadas no Brasil e que ele tinha fãs por aqui. Os recalcados fanboys brasileiros acusaram o escritor de preconceito: "não, senhor Ellis, aqui nós ainda andamos nus, enquanto cobras e macacos circulam pelas ruas!". Veja bem: NÓS atribuímos sentido discriminatório à declaração. Na segunda, durante a Copa do Mundo, já ciente de nossa irritabilidade (e pouco se lixando para ela), disse que "gostaria de usar um raio da morte para cortar os jogadores do time brasileiro ao meio". Pronto: foi a desculpa para os nossos (oh!) sensíveis e (oh!) tão patrióticos twitteiros dizerem que "Warren Ellis gostaria de matar todos os brasileiros com um raio", seguido de uma enxurrada de unfollow (o ato de deixar seguir alguém no Twitter) por parte dos nossos conterrâneos.

Agora, o Stallone. É incrível como gostamos de desperdiçar energia com causas pouco proveitosas e lamentável que queiramos negar a outros um direito do qual não abrimos mão. Alguém viu os ingleses em campanha "SHUT UP BRAZILIANS" por chamarmos o Mick Jagger de pé-frio? Nós queremos posar de muito avançados e civilizados, mas, na verdade, estamos andando para trás, ficando carrancudos, moralistas e reacionários. Estamos virando um povo que se leva a sério demais, preocupados que estamos em apontar defeitos alheios, enquanto a desordem toma conta de nossa própria casa. Essa mania de fazer beicinho e cobrar reparação a cada vez que somos alvo de gozação só mostra que os séculos que passamos não sendo "ninguém" para o mundo nos fizeram muito mal: adorávamos ser a pedra, mas, agora que crescemos e aparecemos, está doendo ser a vidraça.

18/07/2010

Odeio "antenados"!

Odeio "antenados"!




Antes de começar este post, um puxão de orelha: pessoal, eu me dispus a sortear entre vocês um gibi bonito e bacana, em troca de uma coisa bem simples: comentários. Só que um monte de gente apareceu no post específico sobre o prêmio e não deu mais as caras. Duvido que não tenham nada a acrescentar sobre qualquer coisa que eu tenha escrito desde então - e, ainda que não tenham, podem muito bem escrever deixando sugestões de pautas. Como agradecimento aos leitores mais fiéis, estes terão chance dobrada no sorteio de Batman - Guerra ao Crime. Está pertinho, dia 27 é logo ali.

Há algum tempo, em um post com este mesmo nome, eu desanquei algumas crenças arrotadas com irritantes frequência por gente que se acha muito esclarecida. Desta vez, quero ajudar a acabar com mitos sobre os quadrinhos, igualmente comuns entre quem os lê e quem não os lê. Vamos a alguns deles:

"Quadrinho é coisa de criança!"
Ok, não vou ser gentil: é preciso ser um jumento batizado para não perceber (ou aceitar) o óbvio: assim como existem livros e filmes para crianças e adultos, existem revistas em quadrinhos direcionadas a públicos específicos. Me dá nos nervos quando alguém me vê com uma revista na mão e diz, com aquele ar compadecido, como que duvidando das minhas faculdades mentais: "nossa, você ainda lê gibi?". Ao invés de desferir impropérios, tento manter a calma e lembrar que estamos numa nação de analfabetos funcionais. É claro que aquela pessoa não sabe que existem quadrinhos dignos da atenção dos adultos. Provavelmente, as únicas coisas que ela lê são cardápios, tabelas de preços e scraps de Orkut. Releve, irmão, releve.

"A Marvel é melhor que a DC!"
Lógico, também existe quem diga que a DC é melhor que a Marvel, mas, como é público e notório que a Marvel vende mais, resolvi pegar no pé da maioria. Meninos, já passou da hora de pararmos com essa estupidez. Vamos dar as mãos e cantar juntos. Não tem essa de "melhor". O que existem são ciclos de histórias boas e ruins, conforme a inspiração dos escritores escalados e a "lua" em que se encontra seu signo. É possível amar igualmente a personagens e histórias das duas editoras, sem qualquer prejuízo. Esse negócio de "ah, a Marvel é mais realista e a DC é mais fantasiosa" pode ter sido verdade um dia, mas hoje o estilo das duas é praticamente indistinto: quando a coisa aperta, metem logo uma mega-saga para matar personagens importantes e ressuscitá-los mais à frente. Eu sou feliz em minha bigamia: compro as da DC (o que a torna minha "esposa") e leio emprestadas as da Marvel (minha "amante").

"Não leio super-heróis, só quadrinhos adultos!"
Nossa, é mesmo? GRANDE BOSTA! Desde quando a leitura desse ou daquele tipo de quadrinhos confere a alguém um certificado de maturidade? Talvez os títulos da Vertigo e outras editoras sejam um pouco mais, digamos, desafiadores que os de super-heróis, mas o que realmente diz algo sobre a qualidade de um gibi é o prazer que sua leitura proporciona, não a quantidade de cenas de nudez, sexo ou violência, nem a proporção de palavrões em cada balão de diálogo. Vou mais longe: existem coisas bem ingênuas da Disney e da Turma da Mônica que são muito melhores do que certos gibis escritos para gente "adulta" e "esperta".

"Os caras usam colante e cueca por cima da calça!"
Pense um pouco. Se você fosse um cara com o poder de voar ou correr a velocidades supersônicas, o que iria preferir: um uniforme aerodinâmico, colado ao seu corpo, que lhe permitisse alcançar velocidade máxima, ou uma roupa de "gente séria", cheia de bolsos e outros espaços onde o ar poderia se acumular e reduzir sua performance? Isso, sem mencionar o risco de a roupa se rasgar na correria e deixar todo mundo ver que você é o super-herói menos dotado do planeta. O colante garante liberdade de movimento, por isso a preferência. Quanto à cueca... hey, quem te disse que aquilo é uma cueca? Alguém já viu o Superman só com a malha azul? Ou o Batman só de malha cinza? Eu acho que é peça única - afinal, quando rasga, rasga tudo junto. Pode até ser um erro estético, mas não é cueca (nem sunga)!

"O Batman tem um caso com o Robin!"
Meu Deus... Seu avô dizia isso quando era jovem e já não era engraçado naquele tempo. Basta a leitura de UMA história para essa teoria cair por Terra. O único problema de verdade com a Dupla Dinâmica é que o Robin, com seu uniforme chamativo e seu comportamento juvenil (claro, afinal ele é um jovem), contraria um pouco a proposta sombria do Batman - o que nunca o impediu de brilhar, tanto com o Morcego quanto em histórias-solo, ou com os Titãs. Para quem não sabe (por exemplo, você, que acha que quadrinho é coisa de criança, acha ridículo marmanjo usar colante, só lê quadrinhos "adultos" e acha que Batman e Robin são amantes): Bruce Wayne é PAI ADOTIVO de Dick Grayson (o primeiro Robin, agora Asa Noturna e, atualmente, cumprindo turno como Batman) e Tim Drake (o Robin dos últimos 20 anos, agora de novo uniforme e chamando-se Robin Vermelho) e PAI BIOLÓGICO de Damian Wayne, o atual Robin, filho dele com Tália e neto do vilão Ra's Al Ghul. PAI, e não namorado, entendeu? Tá bem explicado ou quer que eu desenhe?

03/07/2010

Teste dos 20 Anos

Comente e concorra a Batman - Guerra Ao Crime! Sorteio: 27/07!
Teste dos 20 Anos

Chega um momento em que toda relação amorosa precisa passar por uma "DR". Não podia ser diferente entre nós e os artistas que amamos (ou amávamos). Assim, um ano depois da primeira DR, volto a dissecar discos lançados há 20 anos, na esperança de que o encanto deles não tenha se perdido. Não se esqueça de deixar seu comentário, concordando ou discordando.


Barão Vermelho - Na Calada da Noite


Você sempre me amou?
A própria banda prefere o disco anterior, Carnaval, mas Na Calada da Noite soou pra mim, desde o seu lançamento, como o disco mais maduro e eficiente do Barão. Apesar de ser mais acústico e percussivo, aqui ainda temos Frejat despejando excelentes riffs elétricos, complementados pela bateria pulsante de Guto Goffi e a percussão vibrante de Peninha. As letras sempre foram um calcanhar-de-Aquiles do Barão pós-Cazuza, mas quando metidas em canções vibrantes como "Tão Longe de Tudo", "O Invisível" e "Beijos de Arame Farpado", eu nem ligava tanto.

Vinte anos não são vinte dias!
Mesmo não tendo sido composta como homenagem a Cazuza (o disco saiu antes de sua morte), "O Poeta Está Vivo" acabou sendo entendida como tal, mas, convenhamos: ele merecia coisa melhor. Essa letra é ridícula. Mesmo assim, foi o maior hit do disco e encheu os pacová de todo mundo naquele ano. O resto do disco continua funcionando muito bem até hoje e seu alto teor de rock and roll desculpa o Barão pelas pirações eletrônicas que viriam depois.


Black Box - Dreamland

Você sempre me amou?
A ascensão da dance music nos anos 90 incomodava seriamente o meu coração rocker. Mesmo assim, eu sempre tive um fraco pela disco music e por músicas adornadas por arranjos de cordas (mesmo quando falsas) e acabei curtindo bastante o Black Box. Lógico, havia ainda aquele vocal assombroso, um dos mais poderosos a chegar aos meus ouvidos até então. Nos clips, ela tomava forma nas curvas da modelo Katrin Quinol, mas não demorou muito até que se constatasse o óbvio: aquilo era voz de tia gorda - no caso, Martha Wash. Mas, quem é que dava a mínima pra isso, quando o projeto de italo house fazia a gente suar em bicas ao som de "Everybody, Everybody", "Strike It Up" e "I Don't Know Anybody Else"?

Vinte anos não são vinte dias!
Ainda é possível curtir a estreia do Black Box, desde que se tenha em mente que é uma coisa antiga, pautada em outra mais antiga ainda. As melodias continuam gostosas ao ouvido e, se pudéssemos mesclar um instrumental atualizado do Earth, Wind & Fire com o vocal de Martha (quem sabe, num dueto com Phillip Bailey), teríamos uma "Fantasy" simplesmente celestial. Mesmo com o desconto da idade, tanto plim-plim de piano elétrico acaba cansando. Ouça em dois tempos, como a um LP.



Depeche Mode - Violator

Você sempre me amou?
Confesso que eu nunca tinha prestado muita atenção ao Depeche Mode, exceto por "Just Can't Get Enough" e "Strangelove", boas canções, mas que não me diziam nada demais. Porém, quando os programas de clips da época começaram a passar "Enjoy The Silence" em alta rotação e "Personal Jesus" invadiu as rádios, eu abri os olhos e ouvidos: Depeche Mode é do caramba! Comprei minha cópia de Violator e passei meses hipnotizado por estas e outras canções.

Vinte anos não são vinte dias!
O equilíbrio alcançado entre a reverência aos experimentos do Kraftwerk e o desejo de continuar soando pop faz deste um disco que custa a envelhecer. Talvez "Clean" e "Waiting For The Night" soem um pouco lentas para estes tempos impacientes, mas o restante continua uma delícia, principalmente "Halo" e "Policy of Truth". (PS: admito meu erro: "Strangelove" não é uma mera "boa canção": ela é muito f*da!)



Engenheiros do Hawaii - O Papa é Pop

Você sempre me amou?
Isso pode até soar meio constrangedor, mas já houve um tempo em que gostava dos Engenheiros e do modo como Humberto Gessinger compunha. Mesmo assim, até eu recebi esse trabalho com ressalvas, sendo as principais ao timbre excessivamente eletrônico da bateria, ao excesso de auto-referências, à pentelha "Pra Ser Sincero" e à inclusão da cover de uma das músicas mais intragáveis de todos os tempos, "Era um Garoto... (blá-blá-blá)". A única canção que eu realmente gostava era "Ilusão de Ótica" e admito que girei meu LP ao contrário pra escutar a letra no modo "normal"!

Vinte anos não são vinte dias!
Desde que fui a um show dos Engenheiros, em 1990, e eles tocaram a maldita "Era Um Garoto..." nada menos que QUATRO vezes, qualquer resquício de admiração que eu pudesse ter por eles caiu por terra. Por muito anos, eu não dei a mínima para qualquer coisa que eles pudessem estar fazendo. Minha birra abrandou um pouquinho a partir de Tchau, Radar, mas a banda jamais voltou a ter muita moral comigo. Esse disco continua sendo um momento bastante infeliz do pop brasileiro.



Sinéad O'Connor - I Do Not Want What I Haven't Got

Você sempre me amou?
Até este disco, Sinéad era só uma carequinha que adornou uma capa da Bizz, dois anos antes, e que tinha uma musiquinha simpática, "Mandinka". Aí, como todo mundo no planeta, eu me derreti à sua versão de "Nothing Compares 2 U", de Prince. O disco todo era, paradoxalmente, variado (indo de canções ao violão a batidas de hip-hop) e uniforme (na amargura das letras, falando de morte, separação e outras zicas). Rodou muito no meu toca-discos, mas aí Sinéad despirocou, rasgou foto do Papa e afastou-se cada vez mais do pop.

Vinte anos não são vinte dias!
"Nothing Compares 2 U" não envelheceu: continua linda e comovente. Os momentos mais folk do disco, como "You Cause As Much Sorrow" e "The Last Day of Our Acquaintance", e os roqueiros, como "The Emperor's New Clothes" conservaram seu encanto. Por outro lado, tolerar a lentidão hip-hop de "I Am Stretched On Your Grave" e o momento a capella da faixa-título exigem um pouco mais de boa vontade. Sinéad podia ser dona de um pedaço do topo do mundo até hoje, mas não quis. Pena.