19/02/2011

Pitéus, tetéias e chuchuzinhos!

Pitéus, tetéias e chuchuzinhos!

Com o Dia Internacional das Mulheres (8 de Março) chegando, atendo ao desafio proposto pelo capilarmente comprometido amigo Do Vale, do Highway Tonight, faço este singelo post em homenagem às mulheres que fazem suar frio os telespectadores da MTV, do Multishow e de outros canais de tranqueiras.

KATY PERRY


Katy é tão bonitinha que parece de mentira. Grandes olhos, lindo sorriso, curvas generosas. Faz um pop descartável, mas digno e simpático. Também faz fotos sensuais, como esta logo acima. Rolou na internet uma foto de quando era adolescente, pobre, loira e baranguinha. Tudo bem, Katy, a gente não liga. Basta você continuar atiçando o jumento que existe em nós, seus fãs.


NELLY FURTADO


Para quem começou neohippie (já bem lindinha), cabelinho preso e cantando "I'm Like a Bird", a metamorfose de Nelly Furtado numa rebolativa promiscuous girl equivaleu a um salto ornamental digno de ouro olímpico. Para você que tem delírios com Nelly, mas se pela de medo de broxar no inglês, um consolo: ela fala português perfeitamente. Não aumenta suas chances em nada, mas...



NICOLE SCHERZINGER


Verdade seja dita, Pussycat Dolls é um lixo e só vale pelo óbvio deleite visual de seis mulheres lindas sacudindo as bundas. O trabalho solo de Nicole, também, é uma droga. Mas, ora pombas, quem é que dá a mínima pra isso, quando a mistura de DNA russo e filipino de seus pais havaianos resultou nisso tudo aí que você vê? Lewis Hamilton passa muito bem, obrigado.



BEYONCÉ

Ok, eu já gastei muito dedo metendo o malho nela, mas ninguém há de lhe negar o que é seu. Como diria Nazareno (personagem de Chico Anísio), "isso num é mulé"... é uma pantera eternamente em posição de ataque. No futuro, sensualidade será definida como "Beyoncé no clip de 'Videophone'". Ah, você quer saber o que eu achei de Lady Gaga? Como assim, ela tava lá?


Academia, ainda que tardia!

Academia, ainda que tardia!


Por quanto tempo se pode lutar contra o bom senso?

Veja o meu caso, por exemplo. Passei boa parte da minha vida completamente afastado dos assim chamados hábitos saudáveis. Na infância, em Feira de Santana, minha mãe sempre dava um jeito de meter um atestado para as aulas de educação física, devido a complicações respiratórias que ocasionalmente me levavam a salas de emergência. Na adolescência, quando quase todo mundo escolhe um esporte para ajudar na modelagem do físico e na descarga de toda aquela energia, eu me mantive isolado do mundo com meus discos, meu gibis e meus complexos, na firme crença de que, enquanto todo mundo criava corpo, eu teria aquele cabeção e aquelas costelas aparentes por toda a vida.

Já um jovem adulto, saí do meu casulo e liguei-me à galera do basquete de Ibotirama, amigos herdados do meu irmão Malcon, falecido em 1990. Além de terem me ajudado a superar a dor desta perda, estes amigos logo se converteram nas pessoas mais queridas deste e de outros períodos importantes na minha história. Nada disso, porém, me fez ter ânimo para a prática esportiva. Eu me envolvia na organização de torneios, corria atrás de patrocínios e cheguei a ser nomeado (hahaha!) técnico do time em algumas ocasiões. Eles, definitivamente, gostavam muito de mim mesmo, porque, embora eu até entendesse do jogo, não tinha muita noção de como orientá-los em quadra. Assim, eu acabava sendo mais um "totem" no banco, um mediador para as decisões técnicas que, no fundo, eram os próprios jogadores que tomavam entre si.

Com estas amizades, nasceu meu amor pelo esporte - naquele tempo, principalmente pelo basquete. Adorávamos a NBA, sabíamos os nomes e escalações de quase todos os times, comprávamos aqueles maravilhosos álbuns de cards da Topps e a Bandeirantes (atual Band) se esmerava na exibição de jogos ao vivo ou em compactos que faziam a delícia de nossa galera. Por volta de 1995, a basquete estava numa curva ascendente de popularidade e cheguei a ter carta e foto publicadas numa revista nacional chamada World Basketball, extinta não muito tempo depois. Entre amigos, eu arriscava umas cestas e tinha até uma mão boa, mas a ideia de suar durante uma hora atrás de um bola laranja continuava me parecendo pouquíssimo atraente.

Como era de se esperar, junto com as amizades feitas em uma cidade do interior sem opções de lazer, veio a cerveja. Muita cerveja. Por uns bons anos, nossa rotina era treino até as 19 horas e, depois, parada obrigatória no Pingo D'água, bar localizado bem no centro da cidade, onde ficávamos até as 21 ou 22 horas. Todo dia, sem falta. As loucuras cometidas sob efeito de tanto álcool renderiam um livro ou dois e, quem sabe, um dia eu conto algumas pra vocês (hmm, acho que já prometi isso antes), mas não hoje.

Igualmente esperado era que toda aquela vida sedentária, um dia, cobrasse sua fatura. Começou com uns pneuzinhos discretos. Lembro de um amigo da minha mãe dizer, "Marlo, você é um magro com gordura, como pode isso?". Não dei muita importância (no sentido de que não mudei meus hábitos, motivado por este comentário), mas também não consegui esquecer. Em 1996, uma vez sacramentado o fim do seu casamento, minha mãe mudou-se para Itumbiara, GO. Marcone e Marcel, meus irmãos mais novos, foram pouco depois. Três meses depois, seria a minha vez. Desempregado, fui chamado para voltar a Ibotirama e trabalhar com meu pai em seu então recém-aberto mercado. Reencontrei a galera do basquete. Para minha surpresa, havia começado um processo de degradação do esporte na cidade como um todo e dos esportistas em particular: não havia mais time de basquete e meus atléticos amigos estavam todos ficando gordos e carecas (doce vingança para quem sempre foi zoado por ter generosas entradas capilares). Eu, com minha magreza, pelo menos mantinha uma silhueta esguia, apesar dos pneuzinhos não arredarem pé da minha cintura.

Voltei para Itumbiara em 1999 e, durante muitos anos, mantive meu peso entre 70 e 73 kg, boa média para meus 1,77m de altura. Mas, conforme avançam os anos, o metabolismo da gente já não é mais o mesmo. Meus pneuzinhos já não eram mais tão "zinhos" assim. Aquele buchinho, antes charmoso, começava a fazer "eclipse" quando eu olhava para o meu amigo lá embaixo. Um FDP amigo de Marcone disse que eu era magro, mas tava de peitos caídos. A cruel verdade das lentes das câmeras, captando todo o esplendor da minha nascente baranguice, não deixou dúvidas e me disse, com todas as letras e efeito de eco: tá na hora de se mexer, Marlinho!

Eis que, à beira dos 30 anos, decidi entrar numa academia. Após uma semana de treinamento aeróbico para condicionamento, meu primeiro dia de musculação foi uma comédia - pelo menos, para quem assistia ao meu patético esforço para fazer supino, sem qualquer força nos braços, o que me obrigou a fazê-lo levantando apenas a barra, sem um halter sequer. O instrutor se divertia e eu me sentia um cretino, mas levei numa boa e empenhei-me em melhorar. Alguns dias depois, ficou fácil erguer pesos e quando os benefícios começaram a ficar evidentes no meu corpo, me senti muito bem. Só que, como acontece com os piores artistas, o sucesso trouxe acomodação: os intervalos de minhas visitas à academia foram ficando maiores e, um dia, simplesmente parei de ir e meu corpo logo voltou ao seu barango mode.

Corta para 2005: aos 32 anos, estava de volta à Bahia, morando em Alagoinhas, onde vivo até hoje. Vendo as fotos daqueles meus primeiros meses por aqui, hoje vejo que era feliz e não sabia: meu peso médio era de 75 kg. Três anos depois, saltou para 80 kg. Luz amarela acesa. As sucessivas entradas e saídas de academias contribuíram para um desagradável "efeito sanfona", potencializado pela minha mania de descontar na geladeira minhas ansiedades e frustrações (e vale dizer que, nos últimos tempos, tive várias delas).

Novo corte, agora direto para 2011: em meados de janeiro, volto das férias pesando 86 kg. Luz vermelha piscando freneticamente e o alarme gritando "aroooooga! aroooooga!". Hora de uma mudança de postura. Primeira coisa, deixei de malhar sem supervisão. Sempre me senti ciente das minhas necessidades de exercício, mas, de repente, me ocorreu o óbvio. Professores recebem diploma por um motivo: eles sabem o que fazem. Com a humildade de reconhecer que precisava de ajuda para perder peso de maneira saudável, pedi ao professor apenas que me deixasse à vontade para correr na esteira o quanto aguentasse, visto que é o único exercício aeróbico que me dá prazer (odeio bicicletas ergométricas e elípticos, por exemplo). Mudei o foco dos meus equivocados anseios, da hipertrofia muscular para a redução de medidas. Ganhar músculo é fácil para mim, posso fazer isso a qualquer momento, depois que emagrecer.

Cortei pão branco, refrigerante, doces, embutidos e queijos amarelos da minha dieta diária. Chocolate, coisa que amo, agora só amargo, a 70% de cacau, da Cacau Show (ca$hing!) - e o fato de ele ser bem mais caro que o normal me ajudará a não abusar. Aumentei o consumo de frutas, leite desnatado e pão integral. Parei de comprar, também, sucos em caixa, sempre absurdamente doces - açúcar, aliás, eu nem uso em casa, já faz um tempão. Terminando a rodada de novidades, provei produtos da Herbalife (ca$hing!) em três ocasiões, trocando-os pelo almoço. Dá uma fome do cão nos primeiros dias, mas a gente se acostuma a não receber tanto peso no estômago e deixa de se sentir a perigo. Minha intenção é substituir de vez o almoço pelo shake nutritivo.

Ao contrário de outras vezes em que adotei regimes radicais, porém, não me sinto privado de qualquer coisa, nem louco para me atracar com um pacote de biscoitos ou um pote de sorvete. Higiene mental também foi parte importante nesse processo: superar antigos problemas que me causavam desgosto e ansiedade me deu novo gás e clareou muitas coisas em minha mente, inclusive na hora de fazer compras, trazendo o benefício extra da economia de dinheiro. Minha capacidade aeróbica está espantosa: corro durante 60 minutos e não me sinto um lixo pelo resto do dia, como acontecia antes. Melhor que isso, só mesmo contando a vocês que de 86 kg, em um mês, passei a pesar 81 kg. =)

Não vou me iludir, tentando me convencer que nunca mais beberei refrigerante ou cerveja, ou que nunca mais porei uma sobremesa doce ou salgada na boca. Sou humano e há ocasiões em que até por educação não se deve recusar uma delícia qualquer. Hoje, por exemplo, depois de uma semana inteira "na linha", me permiti tomar uma Coca-Cola. Parece um prazer muito pequeno, perto de tudo aquilo que eu cortei, mas conservar um senso de recompensa, além daquela que se percebe na balança, é fundamental para manter o estímulo.

Peço perdão se este post, meio egoísta em seu conteúdo, se afasta demais daquilo que você está acostumado a ler aqui. Desculpe se meu texto pareceu narcisista, superficial, propagandesco ou simplesmente chato. Eu estou realmente me sentindo muito bem com o rumo que minha vida tomou nas últimas semanas e há outras alegrias que eu gostaria de compartilhar, mas que talvez sejam muito íntimas para vir a público. Falar de como estou aprendendo a tomar as decisões corretas em prol da minha saúde (e, por tabela, da minha estética), sem que elas pareçam grandes sacrifícios, foi o melhor que este momento pôde render, por enquanto. Quem sabe, quando eu tiver chegado aos desejados 75 kg, possa publicar umas fotos no estilo "antes e depois". Será um choque para vocês e um orgulho para mim.

01/02/2011

MPBestas

MPBestas


Chico Buarque vai morrer. Isso não é um desejo, nem uma premonição, apenas uma fato biológico. Às vezes, me pego pensando no vulto da comoção nacional em tal ocasião, já que dificilmente seu status de gênio vivo (isto é, até aquele momento) será arranhando por qualquer coisa antes disso. Com sua eventual morte, seu caráter legendário será, muito provavelmente, ampliado até a saturação. Aos seus adoradores, restará o regozijo com seu legado cultural. Aos seus detratores (sim, eles existem), sobrará a clandestinidade - afinal, se, hoje em dia, dizer que não se gosta de Chico Buarque já faz algumas pessoas arregalarem os olhos em descrença, imagine quando ele for alçado à condição de semidivindade.

Não que seja culpa do próprio Chico. Ele deve achar certa graça de tudo isso, embora não vá abrir mão tão facilmente da adulação que lhe abre tantas portas, dizendo "gente, não é pra tanto". No fundo, ele gosta do conforto de sentar-se neste imaginário Olimpo da música brasileira, de cujo topo compartilha o rarefeito ar com outros "deuses" da MPB: Caetano Veloso, Milton Nascimento, Tom Jobim, Elis Regina, Gilberto Gil, só para citar alguns. Outras "divindades menores" se espremem nos degraus inferiores:
Djavan, Simone, João Bosco, Oswaldo Montenegro...

O problema de tamanha adoração é que ela fatalmente leva à superestimação. O típico fã de MPB costuma ser uma criatura absurdamente intransigente em seu gosto musical: ele só gosta de música brasileira "pura", aquela feita ou abençoada pelos mesmos medalhões de sempre, e despreza com veemência "toda essa porcaria cantada em inglês". Além do mais, sente-se mais inteligente e esclarecido do que qualquer outro ser humano e recusa-se a reconhecer que seus ídolos tenham gravado uma eventual merda de música (1) - é mais fácil que acredite que o problema está nele próprio, pois não consegue compreender a genialidade daquela composição.

(1): Isto, aliás, é típico de qualquer fã roxo. Um fã de Beatles que não admite que eles fizeram uma das piores músicas de todos os tempos ("Ob-la-di, Ob-la-da"), ou um fã de heavy metal que não admita sequer a existência de outro gênero de música interessante, não é menos merecedor de um esculacho pesado do que um "MPBesta".

E, cara, como tem estrume sendo chamado de pérola na MPB! Esta sigla, como a conhecemos, já tem cara de coisa velha. Só me traz à memória aquelas canções aboleradas e cafonas que reinaram até o final década de 80, com um(a) intérprete "intenso(a)" e o som de bateria mais chocho possível - e isso quando usam bateria, porque é notória a fixação pelo minimalismo instrumental de um piano ou violão absolutamente secos. É uma espécie de antipop total.

Existe, ainda, o problema das letras. Como todo mundo prestava muita atenção no que era dito pelas figuras exiladas no auge da ditadura, só pra ver que nova forma eles encontrariam de soltar uma farpa em direção aos militares, criou-se um culto exagerado a letras criptografadas que, agora, fora de seu contexto, soam a mera boçalidade intelectualoide. Muita gente se esforça, também, para entender o que não pode ou não precisa ser entendido, exceto, quem sabe, pelo seu próprio autor, caso típico de algumas famosas composições de Caetano e Gil. O fã de MPB quer achar sentido,"inteligência", em absolutamente tudo. Por isso que é tão divertido quando aparece alguém como Oswaldo Montenegro e diz que, com o verso "fiz um drops de hortelã da bala que eu te dei", ele não queria dizer nada além do que as palavras revelam. Era aquilo ali mesmo e só. Um golpe na autoestima dos "esclarecidos" e diversão pura para mim!

Falando assim, eu posso estar soando como alguém que não gosta de MPB, mas isso não é verdade. Eu simplesmente tenho critérios e ouço a MPB em ondas: escuto direto durante alguns dias e, depois, passo meses sem querer passar perto. Acho Caetano um gênio, sim, mas também acho várias de suas músicas umas belas drogas. Tom Jobim e Vinícius de Moraes escreviam canções incríveis, mas deveriam ter sido proibidos por decreto de aproximar-se de um microfone (exceto que fosse para Vinícus, bêbado, soltar uma pérola de incorreção política). "Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores", de Geraldo Vandré, teve sua importância e seu refrão (2) fica doce na boca de gurus de autoajuda, mas ela está completamente ultrapassada e deve ser deixada onde está: no passado.


(2): (Vem, vamos embora / que esperar não é saber / quem sabe faz a hora / não espera acontecer)

E, claro, o fato de que o culto extrapolado à MPB é um saco não eclipsa outro, comprovado nos últimos 20 anos: sempre pode ficar pior, muito pior. Houve um tempo em que MPB tocava nas FMs mais populares. Hoje, suplantada por gêneros mais queridos pelo povão (como funk, pagode e sertanejo), a MPB se encolhe nas ditas rádios de (iiihh...) "bom gosto", as Globo FM e Antena 1 da vida (ca-shing!), exceção feita a estrelas mais jovens e com um pouco mais de sintonia e (humm) penetração junto à juventude: Vanessa da Mata, Maria Rita, Marisa Monte, Ed Motta e outros devidamente consagrados, abrindo o caminho para uma geração que já começa a fascinar e soprar um pouco de frescor nesse gênero um tanto embolorado, Tulipa Ruiz e Marcelo Jeneci à frente.

Agradecemos sinceramente à colaboração desses dinossauros, inclusive porque eles continuam esforçando-se em constantes novos trabalhos, mas, senhores, com o devido respeito aos seus cabelos brancos, é hora de dar um passinho para o lado e desocupar o palco, em favor de um monte de gente mais jovem, muito talentosa e com fome de produzir arte que, oxalá, será mais rica, mais bonita, mais dinâmica e mais ligada aos ouvidos e corações daqueles que consomem música hoje em dia.