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06/11/2026

Faz o L (de Lambança)

Uma crítica do filme
Resident Evil

Primeiramente, gostaria de assumir minha total ignorância a respeito dos games de Resident Evil, que nunca joguei nem pretendo jogar. Tampouco tenho qualquer apreço pela série de filmes, com ou sem Milla Jovovich (que esteve em seis deles). Sendo assim, foi com surpresa que recebi a notícia de que Zach Cregger, um diretor em curva ascendente entre Noites Brutais e A Hora do Mal, havia assumido a tarefa de resgatar a honra de uma franquia considerada, no mínimo, sofrível.

Pois, olha, não poderia haver surpresa maior: Resident Evil foi transformada em uma comédia de terror totalmente insana - e, por tabela, no filme "pipoca de verão" mais divertido do ano. Cregger corrige alguns problemas de ritmo dos seus anteriores e entrega uma experiência de cinema muito tensa, nojenta e engraçada, tudo ao mesmo tempo agora. São 94 minutos em que é impossível tirar os olhos da tela (ou relaxar o esfíncter).
O entregador Bryan Hodukavich recebe a missão de levar uma caixa térmica ao hospital geral da fictícia Raccon City, com instruções expressas de não se deter por nada. Discutindo por celular sobre a gravidez recém-descoberta da namorada, Bryan atropela uma mulher que surge na estrada de repente. Ele tenta prestar socorro, mesmo achando estranho que ela não apenas não tenha morrido, como também saiu caminhando e sangrando floresta adentro.
Bryan: "Não se preocupe, vai dar tudo errado!"
A partir daí, Resident Evil vira uma comédia de erros, com Bryan cometendo trapalhadas a rodo, enquanto tenta sobreviver a monstrengos cada vez mais ameaçadores. Ele toma decisões muito burras com alarmante frequência e está longe de ser o que se pode chamar de "herói de ação", mas é impossível não ser cativado pelo charme loser de Austin Abrams, excelente em comédia física involuntária.
A saga de Bryan culmina em uma inglória subida até o 28º andar do hospital, onde uma sequência de absurdos envolvendo uma seringa deixa a gente sem saber se ri ou se chora, porque ela mostra perfeitamente o quanto a estupidez e o descontrole podem transformar um problema contornável em outro muito maior (e cada vez mais cheio de dentes e tentáculos).
Quando Bryan ganha seu momento "King Kong" e a gente deseja que o filme se estenda por outra hora e meia, pelo menos, ele chega ao fim, comprovando a fé do estúdio, não apenas na habilidade do diretor em deixar o espectador salivando, como na certeza de que este é um recomeço promissor para Resident Evil. É muito irônico que a franquia recupere sua dignidade justamente ao perdê-la de vez.

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