28/11/2005

DVD: Guerra Dos Mundos

Guerra Dos Mundos


A primeira hora deste filme é um Spielberg da melhor cepa: uma rápida apresentação dos personagens (no caso, o estivador Ray Ferrier, vivido por Tom Cruise, e sua família) e seus dramas (os filhos não vêem o pai como "grande coisa", enquanto ele se esforça pra agradar, mas sempre pisa no tomate). Depois, um dos melhores "fins de mundo" já concebidos pelo cinema, quando as naves dos alienígenas se revelam, bem como as intenções destes. As cenas de destruição são perfeitas e a gente pensa: "pô, o Spielberg nos devia um filme assim desde Jurassic Park!"

O talento do diretor para criar cenas de alto impacto está lá e uma, em particular, me encantou: a chuva de roupas depois da tentativa de fuga pelo Rio Hudson (calma, não vou estragar surpresas aqui). Embora rápida, é um imagem que não sai da memória, como o surgimento daquele balão de caçar robôs em A.I.

No entanto, a barulheira começa a cansar, o ritmo cai quando entra em cena o caipira doido vivido por Tim Robbins (apesar da boa cena de sondagem alienígena na casa) e Spielberg nos entrega um final apressado e mal explicado. Pelo menos, as boas interpretações de Tom Cruise e Dakota Fanning garantem a sensação de que não foi tempo perdido.

Enfim, ainda não foi com este filme que Spielberg lavou sua honra de Rei do Cinemão Americano, mas, no mínimo, mostrou que ele ainda tem lenha pra queimar. Pára com essa bobagem de querer ser respeitado, Spielberg! Seus filmes eram muito mais interessantes quando a Academia te ignorava! Nota 7,0.


Guerra Dos Mundos (War Of The Worlds, 2005)
De Steven Spielberg. Com Tom Cruise, Dakota Fanning, Miranda Richardson.

27/11/2005

X-Men 47


Oh shit... Parece que o bom começo do Reload nada mais foi do que uma promessa. Tudo ameaça voltar ao normal: Austen e Claremont disputando o prêmio de Senil Mais Senil das HQs e tramas que não levam a nada. Segurem as pontas:

X-Men: "Dia Do Átomo", partes 2 e 3
Roteiro: Chuck Austen - Arte: Salvador Larrocca
Em busca de uma solução para o mistério do Xorn encontrado na China, os X-Men enfrentam um supergrupo local, Os Oito Imortais. O despreparo da equipe recém-formada leva a um sério ferimento em Gambit e a uma situação limite com o morto-vivo Xorn. Chuck Austen faz o que pode para garantir uma série que parece ter perdido completamente o rumo (por sua culpa, inclusive). Ainda que a resistência do Homem de Gelo em aceitar o Fanático na equipe renda alguns momentos interessantes, até isto já está ficando bem repetitivo. O gigantão, aliás, parece um dos poucos mutantes com alguma coordenação cerebral, ultimamente. Além da história fraca, a colorização do estúdio Udon é horrível, estragando a arte de Larrocca, mesmo que ele, também, não esteja em seus melhores dias. Nota 6,0.

Novos Mutantes - Academia X: "Escolhendo Lados", parte 2

Roteiro: Nunzio DeFillipis e Christina Weir - Arte: Randy Green
Há algo muito errado com o universo quando a melhor (digo, a menos pior) história da revista é protagonizada por essa geração sem graça de Novos Mutantes, mas é isso que acontece. Depois de muita rivalidadezinha juvenil entre malvadões e bonzinhos, as turmas são divididas em Corsários (apadrinhados por Ciclope), Satânicos (os diabinhos de Emma Frost) e os Novos Mutantes (supervisionados por Miragem). Ainda é a coisa mais sem sal do mundo, mas, estranhamente, salvou a revista do desastre neste mês. Nota 6,5.

Fabulosos X-Men: "O Fim Da História", parte 3

Roteiro: Chris Claremont - Arte: Alan Davis
Nãããããão! Depois de um começo promissor, Claremont deixa a dentadura cair da boca e nos entrega uma aventura que lembra seus piores tempos em X-Treme X-Men: ação inócua, novos vilões imbecis e abuso da situação de mutante dominado atacando os colegas. A arte de Alan Davis é boa, mas não faz milagres, Chris! Nota 4,0.

X-Men 47 (Novembro 2005) - Panini Comics - 100 páginas - R$ 6,90.

21/11/2005

Marvel Millennium 46

Marvel Millennium 46


Além de incrivelmente atrasada (Panini, acorda!), esta edição de Marvel Millennium é séria candidata a pior edição do ano. Não me lembro de tantas histórias dispensáveis reunidas numa só revista (exceto, talvez, por alguma edição recente de X-Men). Vamos a elas:

Homem-Aranha: "Fim Da Picada" e "Popular"
Roteiro: Brian Bendis - Arte: Mark Bagley
É claro que um momento como este iria chegar: Bendis está claramente cansado de escrever o Homem-Aranha Millennium. Estas duas histórias são óbvios sintomas de pressa e/ou desinteresse e/ou egolatria desmedida (veja a introdução metida a engraçadinha na primeira). "Fim Da Picada" é até interessante no pastelão das situações vividas por Peter no corpo de Logan, mas a conclusão é péssima. Já a história com participação do Tocha Humana é um capítulo de Malhação - e dos ruins. Não ajuda em nada a arte de Mark Bagley estar cada vez pior finalizada. Nota 6,0.

X-Men: "Lobo Em Pele De Cordeiro", parte 2
Roteiro: Brian K. Vaughn - Arte: Andy Kubert
Gambit raptou Vampira e aqui ficamos sabendo por que: os gêmeos Andrea e Andreas Von Strucker (dupla que era parte daqueles inexpressivos Upstarts da cronologia normal, nos esquecíveis anos 90) planejam tê-la como espiã industrial. Em troca, prometem algo que Vampira deseja há muito tempo. Enquanto buscam pela colega, Wolverine e Tempestade descobrem que têm mais em comum do que o mesmo cruel cabeleireiro. Vá lá, história boazinha de Vaughn, com a sempre boa arte de Andy Kubert (mas Adam é melhor). Nota 7,0.

Quarteto Fantástico: "Destino", parte 5
Roteiro: Warren Ellis - Arte: Stuart Immonen
OK, dane-se se Warren Ellis é um bam-bam-bam cultuado mundo afora. A verdade é uma só e ela precisa ser dita: esta história é uma droga e o Destino versão Millennium é uma droga de personagem, com nome cretino e total descaracterização em relação à sua contraparte original. O melhor desta série é a convivência curiosa e delicadamente harmoniosa entre quatro indivíduos tão diferentes, com destaque para as tiradas do Coisa. Fora isso, só a arte de Immonen salva. Nota 4,0.

Marvel Millennium 46 (Out/2005) - Panini Comics - 100 páginas - R$ 6,90

18/11/2005

X-Men Extra 47

X-Men Extra 47


Importante frisar: esta revista tem uma das capas mais sutis, expressivas e plasticamente belas dos últimos meses, um trabalho de mestre de John Cassaday. Dito isto, vamos à revista em si:

Surpreendentes X-Men: "Superdotados", parte 2
Roteiro: Joss Whedon - Arte: John Cassaday
A geneticista Kavita Rao choca o mundo com a descoberta de uma cura para o gene X. Enquanto isso, a equipe de Ciclope acaba com uma situação de reféns, mas precisam enfrentar o desconhecido Ord - e terão bem mais trabalho do que pensam. Capítulo ainda melhor que a estréia, esta história traz arte de primeira e diálogos bem escritos - especial atenção ao tenso momento entre Emma e Kitty. Nota 10.

Excalibur - "Forjando A Espada", parte 2
Roteiro: Chris Claremont - Arte: Aaron Lopresti
OK, este mês a coisa melhorou um pouco (bem pouco), apesar da apelação de ressuscitar Magneto de novo, com mais um explicação tola. Geralmente os embates verbais entre Xavier e Magneto costumam render diálogos memoráveis. Aqui, eles estão "amiguinhos" e isso tira a graça da coisa. No meio de tanto blá-blá-blá, chega a polvo lésbica Callisto e um sentinela Ômega se encaminha pra Genosha. Ainda não descobri pra que serve essa série. É melhor não demorarem muito a explicar. Nota 6,0.

X-Táticos - "Os Bons E Os Famosos", parte 5
Roteiro: Pete Milligan - Arte: Mike Allred
O que acontece quando dois heróis bichadíssimos (um por uma condição cardíaca, outro pela mutação que o torna vulnerável até ao vento) se enfrentam sem seu aparato super-heróico? Esta á pergunta respondida pelo confronto do Homem De Ferro com o Sr. Sensível, pela posso do último pedaço perdido do cérebro de Dup. Divertidos absurdo ponteiam a luta, como o fato de ela acontecer numa igreja que prega o nudismo. Próxima do fim, X-Táticos está um primor. Nota 9,0.

Exilados - "Ganhando Asas", parte 1
Roteiro: Tony Bedard - Arte: Mizuki Sakakibara
Nova equipe criativa e os Exilados vêm de novo para a Terra principal da Marvel com um novo membro, Namora (uma versão fêmea e azul do chato soberano), que não aceita bem sua condição de exilada e se separa do grupo, buscando ajuda junto a (claro) Namor. Divertidas tiradas com a situação americana (como quando Morfo ironiza o fato de o Exterminador do Futuro ser o governador da Califórnia). Mas este começo é bem tímido e espera-se que os novos artistas soltem-se mais em breve. Nota 7,0.

15/11/2005

Mestres Disney 3 e 4


Mestres Disney 3 e 4



Duas novas edições da ótima coleção Mestres Disney chegaram recentemente às regiões maltratadas pela distribuição setorizada. Os volumes 3 e 4 trazem, respectivamente, histórias de Floyd Gottfredson e Keno Don Rosa. O primeiro é o homem que inventou o Mickey que nós conhecemos, honesto até a medula, amante de aventuras e mistérios. O segundo é o legítimo herdeiro artístico de Carl Barks, cuja obra reverencia constantemente.

O volume dedicado a Floyd Gottfredson pode incomodar devido ao baixo número de histórias e ao fato de a primeira delas ocupar, sozinha, quase metade da revista. Gottfredson a assumiu depois de iniciada e a mudança de rumo é claramente perceptível. Uma outra aventura lembra um famoso desenho em que Mickey, Donald e Pateta vêem-se às voltas com fantasmas. O outro grande destaque da edição é a primeira aparição do Mancha Negra, o maior inimigo do Mickey. Esta é mais fraca das edições lançadas até agora. Nota 7,0.


Já Don Rosa é o autor da árvore genealógica do Tio Patinhas e segundo maior escritor dos patos da Disney, depois de Barks, em cuja obra busca inspiração explícita para deliciosas aventuras, recheadas de humor e situações inusitadas, como na hilariante "Bandeja de Prata". A obra de Barks é revisitada na volta à terra das galinhas que põem ovos quadrados. A página 32 não fica nada a ver ao filme Limite Vertical, em matéria de emoção e suspense. O caráter ligeiramente falho e irritadiço dos patos é prato cheio para Don Rosa desfilar situações engraçadíssimas. Este, sim, é um legítimo Mestre Disney. Nota 10.


Mestres Disney 3 e 4 - Editora Abril - 160 páginas - R$ 14,95

13/11/2005

Grandes Clássicos DC 3 - Batman Ano Um


Se você ainda não leu esta história, precisa saber: ela é uma das melhores HQs de todos os tempos. Se já leu, vale outro recado: a edição da Panini justifica plenamente o investimento em algo que você "já tem".

Frank Miller contou a origem do Batman logo depois do sucesso de público e crítica de O Cavaleiro Das Trevas, minissérie protagonizada por um Batman envelhecido e ultraviolento que, entre outras façanhas, quebra o pescoço do Coringa e dá um pau no Superman (chamado de "cachorrinho do Reagan"). Aqui, porém, ele preferiu não inventar demais, apenas adicionando à clássica história do herói a perspectiva do recém-chegado tenente James Gordon, que enfrenta a pesada corrupção da polícia local, ao mesmo tempo em que é surpreendido pelo surgimento do Batman.

Justamente por mostrar alto respeito pela história do personagem (a maior ousadia aqui é colocar a futura Mulher-Gato como uma prostituta), penso que Ano Um é melhor que O Cavaleiro Das Trevas, pois faz uma história bem conhecida parecer nova e interessante, como se fosse a primeira vez que ouvimos falar do Morcego. Entretanto, a genialidade de Miller não transpareceria caso ele não tivesse a companhia de um artista brilhante como David Mazzucchelli, que nos dá um Batman realístico, apenas um homem forte e bem treinado, em seqüências cinematográficas (não por acaso, esta história serviu de base para o roteiro de Batman Begins).

Agora, a sobremesa: esta nova edição traz originais de Mazzucchelli, suas anotações ao roteiro de Miller, reproduções das capas das edições originais e encadernadas da série, além de um pôster com a arte desta capa. Se você, fã de longa data, não se entusiasmava em pagar de novo pelo delicioso prato principal, aí está a sua motivação. Veterano ou neófito, poucas vezes na vida você terá gastado R$ 19,90 tão bem. Nota 10.

Grandes Clássicos DC 3 - Batman Ano Um - Panini Comics - 148 páginas - R$ 19,90.

03/11/2005

Crash! Boom! Bang! CATAPOP!!!

Foram três excelentes anos no leme do Gotham City, desde Outubro de 2002. Em meio a templates fuleiros e outros bacaninhas, textos muito ou nada inspirados, boas e más notícias, diverti-me muito com meu amado blog. Mas, como tudo que é tocado pelo tempo, é hora de minha aventura virtual crescer, evoluir. A temática segue a mesma: os misteriosos e deliciosos caminhos da cultura de massa, seja ela para ver, ler ou ouvir.

O nome do novo rebento, porém, tem uma abrangência bem maior que a do anterior, que levava à imediata associação com as HQs do Batman. Veja só: o nome CATAPOP! mantém suas raízes nos quadrinhos, ao lembrar uma onomatopeia, mas também brinca com o verbo "catar" (procurar, que é tarefa incessante de todo nerd que se preze) e com a palavra "pop", termo que engloba música, cinema e quadrinhos - e não só!

Honras feitas, sintam-se em casa. Espero que leia com prazer o que escrevo com esforço, no intuito de agradá-los. Se eu pisar na bola, não hesite em criticar, sempre preservando os bons modos, é claro. Se estiver achando nosso blog a coisa mais fantástica do universo, pode encher minha bola, também, que eu gosto!

Para o alto e... catapop!!!